Muitas alterações em nosso idioma decorrem do uso cotidiano de termos que são considerados mais práticos e mais fáceis de entender. Muitas outras decorrem da falta total de um ensino de qualidade ou até de professores que realmente conheçam aquilo que ensinam. Acho bastante lógico e natural o uso do "assistir ao filme", pela sua forma gramatical correta. Sempre achei que tal frase "soa" bem, já que tudo o que é praticado como natural acaba soando bem aos ouvidos de quem ouve e de quem fala.
Ao dizer "assistir o filme" o sentido seria o de dar assistência a um pedaço de película que se avariou e precisa de reparo, da mesma forma que um médico assiste o paciente que está doente e precisando de tratamento.
Por que, então, nem todas as pessoas conseguem "sentir" a correção gramatical ao ouvir alguém falando ou ao ler um texto publicado? É para isso que chamo a atenção nesse momento.
O problema de hoje é que parte dos professores de português não está sabendo sequer escrever nem falar o seu próprio idioma. Assim sendo, nenhum dos alunos desses professores conseguirá "sentir" se sua frase está correta, já que está em contato com frases incorretas…
Ouvi professor do Ensino Fundamental I em uma determinada escola dizer em sala, em plena aula:
- "Menina! Eu já havia mando você parar de fazer isso!"
- "Na atividade de amanhã nossa turma não pode plantar menas flores que a turma da quarta série."
E assim por diante! Essas crianças crescerão achando ridículo ter que utilizar MANDADO ao invés de MANDO e também absurdo não poderem utilizar MENAS quando estiver relacionado a feminino. Para elas tais incorreções "soam bem".
E assim o idioma vai se moldando: à falta total de educação; ao desinteresse pelo ensino correto; e a conveniência de um sistema que deseja, a todos, a mais completa ignorância… E eles (do sistema…) viverão felizes e corruptos para sempre, sem que o povo, cada vez mais ignorante, tenha condições de sequer entender que está sendo LESADO!
Há solução? Lógico que sim! Mas não pela força… Mas pelo prazer de uma boa comunicação e pelo exemplo das pessoas encarregadas da formação dessas crianças e desses adolescentes. Há que se ter professores entusiasmados: pela forma correta de se expressar; pela beleza plástica de um idioma bem escrito, bem falado e bem articulado; e pela harmonia das palavras e frases bem elaboradas, não só em versos, mas também em prosa.
Da correção gramatical eu me volto para a correção do caráter. Está tudo ligado! Preocupar-se com a forma correta do aluno escrever, falar e fazer contas é parte da preocupação com a formação de seu caráter. E tudo começa com o exemplo pessoal do mestre.
Sim! O exemplo é a base disso tudo! E temos que mostrar, aos professores em formação, que moldar sua vida em exemplos positivos e construtivos é encontrar o caminho da satisfação permanente. Um professor que vivencia o que ensina, sente prazer pelo que faz. Ele terá condições de amar cada um de seus alunos. E ao ser capaz de exercer essa forma de amor ele constrói um alicerce tão seguro que seus alunos estarão muito mais bem preparados para escapar da maioria das influências negativas que a sociedade impõe.
Yan Rocha disse,
2 de novembro de 2009 às 11:10
Com a Leitura e o questionamento,o cidadão só tem a ganhar.
Mailza Santos Correia disse,
3 de novembro de 2009 às 17:21
É lamentável, saber que temos muitos profissionais fazendo de conta que estão fazendo a coisa correta, e outras, fingindo que estão recebendo a informação certa; entre os fingimentos deixamos de socializar com as nossas crianças o que realmente necessitam aprender, para apreender o conhecimento propriamente dito.
9A - Alanna,Daiane,Paulo, Sulany,Wesley, Laira e Adan disse,
5 de novembro de 2009 às 10:55
A mudança na língua portuguesa é constante. Hoje em dia gramáticas antiquadas acabam prejudicando o aprendizado. Nem sempre todos os conteúdos que estão na gramática tradicional são utilizados no dia-a-dia. Existe muita diferença na fala e na escrita. Ambas estão cheias de controvérsias.
Deyvison menezes disse,
8 de novembro de 2009 às 20:52
No Brasil, com uma variedade linguística tão grande, fica até difícil encontrar alguém que tenha um português bem construído, corretamente falado, vocabulário bom, gramaticalmente correto. Tudo isso está cada vez menor, sendo substituído pelas gírias. É mais pratico para uma pessoa falar coisas errados do que se informar sobre o português correto.
Diogo Vieira disse,
27 de novembro de 2009 às 22:24
Olha, essa pergunta é um pouco complicada de se responder, pois, como a Profº Lidiane estava comentando a pouco tempo que entigamente se usava palavras como “Vós micê” e hoje se usa “Você” e com aliguagens usadas em bate-papo, msn etc…. pode se tornar “Vc”. então não estamos em condições em dizer o que é certo e o que é errado não. Mas atualmente o “correto” é “Assistir o filme”, só usamos “ao” para dizer que iremos dislocarmos a outro lugar
lilian disse,
10 de dezembro de 2010 às 07:06
Bacana seu Blog Parabéns !!
roberto disse,
14 de janeiro de 2011 às 15:06
Muito bom esse texto. Gostei de ler algo real e claro. A educação muda uma nação.
Jairo disse,
15 de fevereiro de 2011 às 14:58
Uma questão delicada que temos no interior aqui do Sul do país é a questão da influência (ou “sotaque”, se preferirem) das línguas faladas pelos colonizadores (alemães e italianos) sobre o português, que faz com que as palavras com dois erres sejam pronunciadas com apenas um, e vice versa. E o pior é que os próprios educadores também sofrem desse mal. O erro começa na família, e vai sendo ratificado na escola.
Jairo disse,
15 de fevereiro de 2011 às 15:00
A propósito, muito bom o artigo. Essa é uma dúvida muito comum.
Sergio disse,
17 de maio de 2011 às 18:51
Tava na dúvida de como usar a expressão. Ótimo o seu artigo.
Parabéns.
leonice disse,
21 de junho de 2011 às 20:41
Amei! acho que os brasileiros devem saber, falar corretamento o português! obrigada por tirar minha dúvida!
Eliane disse,
5 de dezembro de 2011 às 08:32
Obrigada por sanar minha dúvida. Também concordo que se não cuidarmos, estremos falando uma língua que nem sabemos qual é.
Jonas disse,
3 de janeiro de 2012 às 23:05
Cheguei ao teu artigo porque estava com a dúvida do título, e, além de ter minha pergunta respondida, encontro este ótimo texto.
Nunca tinha pensado na relação da correção gramatical com a correção do caráter.
Parabéns pelo texto, gostei bastante.
Acompanharei suas postagens mais atuais.
Erica disse,
17 de janeiro de 2012 às 20:19
Pois eu tenho um exemplo pior pra você Roberto: Estudei na Universidade Anhembi Morumbi, que tem uma imagem de excelência no ensino superior, certo? Pois bem um dia o “professor” de gerenciamento de negócios, soltou a seguinte pergunta: O QUE A GENTE FAZERÍAMOS NESSE CASO? Fiquei atordoada com a frase e informei o ocorrido à coordenação que não tomou nenhuma providência, pelo contrário, ele é coordenador da pós-graduação.
robertoandersen disse,
18 de janeiro de 2012 às 06:05
Infelizmente isso está sendo muito comum… Mas será que o professor estava errando de propósito para fazer “gozação” com os alunos? Eu gostaria de acreditar que foi uma “brincadeira” dele! Principalmente se agora ele está em um cargo mais elevado ainda!
Mas, para sua informação, uma das maiores dificuldades que eu tenho na seleção de professores é quando eu desejo exigir linguagem e postura minimamente corretas…
Está muito difícil!
Jonas Resende disse,
26 de janeiro de 2012 às 23:04
“Parte dos professores de português não estão sabendo sequer escrever nem falar o seu próprio idioma”.
Parte não estão sabendo, mesmo.
robertoandersen disse,
28 de janeiro de 2012 às 15:13
Prezado Jonas Resende:
Já tive a oportunidade de dar uma aula inteira (aula com quase três horas de duração), escrevendo no quadro uma série de erros propositais (alguns de gramática, outros relacionados a conceitos), sem ter sido questionado por qualquer aluno!
Só ao final da aula, durante o processo de avaliação processual que utilizo, mostrei cada um dos erros que cometi, lembrando que erros podem surgir dentro de obras importantes, dentro de discursos famosos, dentro de palestras até de linguistas, ou seja:
Precisamos estar preparados para questionar qualquer fonte, mesmo que ela nos pareça inquestionável.
Obviamente esse não foi o caso do erro muito bem apontado por você na frase “Parte dos professores de português não ESTÃO SABENDO (grifo meu) sequer escrever nem falar o seu próprio idioma”. Nesse caso foi erro meu mesmo!
Já corrigi, é claro, assim que recebi seu comentário! E aproveito para agradecer sua mensagem, evitando assim que meu erro seja reproduzido por algum de meus leitores como se estivesse correto.
Mas sei que muitos leitores perceberam a incorreção, mas ficaram “sem jeito” para apontar meu erro.
Um forte abraço, Jonas Resende! Se tiver tempo para ler outros artigos meus, estarei pronto para corrigir qualquer outro erro apontado! Só não gostaria de ser “cobrado” por esse serviço…
Jonas Resende disse,
1 de fevereiro de 2012 às 10:41
Agradeço a atribuição de missão – por gostar de falar e escrever em meu próprio idioma – mas declino. São outras as áreas de meu exercício de voluntariado.
Um abraço.
sara disse,
11 de fevereiro de 2012 às 00:16
gostei do artigo
Rodrigo disse,
28 de março de 2012 às 10:26
Parceiro, sua concordância nominal, e verbal está péssima, mas o texto ajudou.
robertoandersen disse,
17 de abril de 2012 às 19:35
Agradeço a contribuição. Mas a vírgula de sua frase está no local correto?
Rodrigo disse,
28 de março de 2012 às 10:27
entendeu a satira? está ao invés de estão péssimas….
Nora Stein disse,
28 de abril de 2012 às 08:18
Olá Roberto, realmente soa melhor usar o verbo no singular concordando com a palavra PARTE, mas gramaticalmente não está errado usar o plural concordando com a palavra PROFESSORES. Então, não seria imperiosa a correção como se fosse um erro, e o comentário como crítica feito acima não procede. “Chamamos de sujeito “coletivo partitivo” o termo no plural (pessoas, indivíduos, crianças, condôminos, empresários, funcionários, etc.) em associação com o núcleo do sujeito no singular que expressa quantidade (parte, maioria).
Quando isso ocorre, a concordância pode ser feita tanto com o núcleo do sujeito e, então, ficará no singular quanto com o substantivo após o núcleo e, portanto, ficará no plural.
Assim: A MAIORIA das pessoas FALTOU à reunião ou A maioria das PESSOAS FALTARAM à reunião.
No entanto, é importante lembrar que é preferível pela norma culta e também mais usual em veículos de comunicação, a concordância verbal no SINGULAR.” Brasil Escola
Nanda disse,
25 de maio de 2012 às 09:10
Muito válida e oportuna as suas considerações. Estou trabalhando com revisão e sempre aparecem aqueles brancos, aquelas dúvidas sobre algo óbvio. É bom encontrar referências bem argumentadas pela internet!