Transformar a si mesmo para poder educar de verdade!

O encontro internacional de professores do projeto

No encontro que tive sábado passado com os professores dos outros países recebi relatos espetaculares dos resultados alcançados a partir das mudanças que fizemos em nossa metodologia.

Isso é fantástico para mostrar que existe solução para a transformação social e mais ainda, que basta haver vontade individual para que essa transformação aconteça aos poucos nos locais e com os grupos alcançados por cada um de nós.

As maiores dificuldades estão acontecendo exatamente no Brasil, talvez por estarem os professores sendo “bombardeados” com uma onda de baixa auto-estima vindo de todos os lados!

Nem em alguns povoados na África, onde temos professores que não recebem qualquer tipo de remuneração financeira, ministrando aulas e educando por amor ao projeto e aos seus objetivos, encontramos tanto desânimo e tanta irresponsabilidade como a que estamos encontrando aqui.

As dificuldades materiais e financeiras daqui podem ser grandes, mas são infinitamente inferiores a desses locais, onde os resultados estãpo sendo alcançados primorosamente!

Na reunião de sábado havia representantes de cinco desses povoados africanos, debatendo comigo “online” de um acampamento vizinho à escola, onde um único computador conectado à internet via rádio permitia nossa comunicação.

E aqui reclama-se da escola não ter computadores em número suficiente para atender a todos os professores e alunos ao mesmo tempo, como se esse fosse o motivo do mau resultados de suas aulas…

As famílias são apontadas como as maiores causas da situação “irrecuperável” dos alunos de hoje! Mas o que dizer das crianças de nosso projeto no Afganistão que nem família têm mais? No sábado o professor de educação física que mandamos para lá relatava as maravilhosas mudanças que ele está encontrando na elevação da auto-estima dos alunos, na dedicação aos estudos e na construção do caráter… alunos todos órfãos de guerra e TODOS AIDÉTICOS, ou seja, precocemente condenados à morte… e nem por isso desprovidos de entusiasmo pela vida como percebo no semblante de alguns de nossos colegas…

A mudança necessária

Temos que mudar imediatamente!

Dessa vez não vou falar dos processos de recuperação da auto-estima individual. Vamos conversar sobre procedimentos práticos na própria sala de aula, para que, a auto-estima cresça a partir da própria aula.

Além da necessária assiduidade e pontualidade extremamente necessárias a quem precisa dar exemplo, um dos grandes segredos do início de qualquer aula é a “empatia provocada”.

Todas as pessoas que, por algum motivo, estão na posição de platéia, seja num seminário, congresso ou sala de aula, estarão muito mais satisfeitos se entenderem que o palestrante, congressista ou professor está direcionando suas palavras para ele.

Nada pior para um aluno do que estar sentindo alguma impessoalidade do professor, já que isso soa como desprezo.

Uma das técnicas é olhar diretamente cada um dos alunos no início da aula, fixando-se por alguns segundos em cada um deles, sentindo-se enviar uma onda de afeto e simpatia, registrando assim a sua presença e a dele naquele espaço.

Alunos que adentram o ambiente após esse início devem ser recebidos com esse mesmo olhar, mesmo que o momento não permita uma interrupção do que se está falando, mas o registro pelo olhar é básico para a integração de todos ao ambiente e a você.

Esse é o momento do amor, palavra forte e que muitos preferem substituir por afeto, mas que têm o mesmo significado nesse instante.

Mas o amor nunca deve existir sem o limite, para que a ligação seja perfeita. E esse é o segundo ponto importante dessa técnica: exercer o limite pelo preenchimento de todo o tempo de aula, mostrando o seu domínio total sobnre o assunto e sobre a forma de trabalhá-lo em prol de uma perfeita sintonia ensino-aprendizagem.

Mas nem sempre o simples preenchimento do tempo mantém a atenção dos alunos. Há aqueles com capacidade cognitiva acima da média que precisam de desafios maiores para manter sua atenção em sala. Os professores deve estar sempre com esses desafios complementares na reserva.

E há também o extremo oposto, ou seja, alunos com dificuldade cognitiva tendendo a “jogar tudo para o alto”. Essses necessitam de desafios em seu nível de entendimento para quebrarem o bloqueio psiquico e, em seu devido tempo, acompanharem a turma.

Quando seguimos rigorosamente essas técnicas encontramos resultados tão satisfatórios que isso nos serve como elevador de auto-estima!

Estaremos usando nossa sala de aula como elemento para nossa própria terapia individual, mas dessa forma tudo será lucro!

Outros detalhes:

Outros detalhes técnicos que estão dando resultados espetaculares:

1. Educação física com espaço para o ensino e o treinamento de brincadeiras juvenis quase esquecidas!

Isso desvia a atenção das meninas para alguma coisa além de simplesmente “só pensar em meninos”

Lembrem que os meninos ainda têm o futebol para pensar, mas para as meninas restou apenas o pensar neles…

2. Avaliação todas as semanas ou até em todas as aulas, mesmo que seja um simples B (bom) S (Satisfatório) e I (Insatisfatório) baseado em quem está acompanhando e participando da discussão do assunto do dia.

Eles se sentem mais seguros com esse controle e acabam gostando de ser avaliado porque sentem que estão aprendendo.

3. Deveres de casa constantes e correção desses deveres em sala.

Eles ficam desestimulados quando fazem o trabalho e o professor não dá a menor importância para a correção.

Conclusão de hoje:

O trabalho educativo pode ser muito árduo e até muito difícil, mas exatamente para isso existimos nós, os educadores, que somos os únicos que realmente podemos cointribuir decisivamente para a transformação social.

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