QUEM SOU EU, AFINAL?

QUEM SOU EU, AFINAL?

Estava lendo a reportagem “Como você virou você” na Super de outubro, quando Irisvan Yuri, um aluno do 9º ano de nosso colégio, entra e pergunta: “Como você pode ter certeza de que você é você mesmo ou se é outro você diferente daquilo que você se imagina ser?”

Ele não tinha visto que reportagem eu estava lendo e, portanto, aquela abordagem foi pura coincidência… se é que coincidências realmente existem! Mas sua pergunta me desconcertou ao ponto de me fazer fechar a revista e pensar sobre o assunto.

A dúvida, então, nos remete à essência da própria reportagem, que está baseada na formação da nossa personalidade, assim como aos desafios que tenho encontrado recentemente, como os pedidos de orientação emergencial para adolescentes em graves crises de identidade!

Sabemos que conhecer a nós mesmos é uma tarefa das mais difíceis para qualquer um de nós, independente de nossa formação, principalmente por estarmos envolvidos em um oceano de influências externas que controla toda a nossa forma de vermos a nossa própria identidade.

Somos manipulados para entender-nos à conveniência da cultura do nosso sistema, criando, então, traumas, ansiedades e angústias toda vez que nossa realidade comportamental e sentimental estiver em desacordo com as normas determinadas pela cultura dominante.

Quanto mais afastado dos padrões culturais vigentes estiver nosso pensamento, palavra ou atitude, maior será o grau de culpabilidade inserida em nossas mentes, contribuindo assim para a formação de uma personalidade neurótica ou até psicótica.

Mas em respeito ao comentário do Professor Átila, que reclamou de meus artigos serem completos e impossibilitar comentários ou reflexões a respeito, apresento agora uma série de questionamentos sobre essa dúvida de personalidade, para que todos possam contribuir com suas idéias a respeito e assim podermos, mais tarde, tentar chegar a alguma conclusão.

Aqui vão os questionamentos para debate:

1. A reportagem comenta a fala de Antônio Damásio dizendo que só aos 18 meses de idade a criança começa a ter o que pode se chamar de “consciência mínima”, distinguindo salgado de doce, liso de áspero, quente de frio, barulhento de silencioso, luminoso de escuro, quando começa a integração entre o lobo frontal e o lobo parietal do cérebro. E que a noção de passado e futuro só aparece entre 3 e 4 anos de idade, com o desenvolvimento da memória de longa duração. Alguém tem alguma evidência que comprove o que contradiga essa fala? Lembrem das observações que todos vocês fazem, em seu dia-a-dia, ou que fizeram ao longo de sua experiência de vida, e mandem suas opiniões.

2. A reportagem dá a entender que a influência da mãe no que você é hoje nada mais é do que um modismo do nosso tempo e cultura. Segundo a revista a forma de vermos os filhos vem mudando a cada momento. Da idade média ao século 18 o filho era posse dos pais e podia ser ignorado ou maltratado à vontade. Até o século 20 recomendava-se aos pais que não demonstrassem amor pelos filhos. E de Freud em diante passou-se a determinar que os problemas de personalidade surjam como consequência de atitudes educacionais equivocadas dos pais. Afinal: os pais influenciam ou não na formação da personalidade?

3. Quem mais influencia a formação da personalidade do adolescente, os pais ou os amigos? A reportagem relata duas experiências sobre o assunto:

a. Uma família criando um chipanzé junto com seu filho, mostrando que, naquele caso, o menino aprendeu mais com o chipanzé do que com os pais. Por sua vez o chipanzé aprendeu os costumes humanos como se sua genética não tivesse grande influência sobre sua personalidade.

b. Uma experiência com 700 filhos adotados e suas famílias, medindo inteligência, auto-estima e ajustamento. A conclusão que chegaram foi de que as crianças pareciam mais com seus pais biológicos do que com as famílias que as adotaram. A casa deixou poucas marcas permanentes. Nesse caso a reportagem quer mostrar que a família tem pouca influência na formação da personalidade da criança. A formação da personalidade está mais ligada à genética (pais biológicos) e aos amigos (influência social) do que ao ambiente familiar.

Dê sua opinião a respeito. Conheço relatos que estão totalmente em desacordo com o que a reportagem mostra, mas aguardo os relatos de vocês.

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15 Comentários

  1. Maria Helena Onofre da Silva said,

    16 de outubro de 2009 às 11:05

    profº , muita paz
    Achei o que questionamento supereinteresante, nada contrário de que não fosse nesta revista a reportagem. Bem é preciso deixar claro aos jovens, que o homem, ele não é só homem, isolado de sua função racional. Ou seja, Edgar Morin, é claro quando fala desse sete saberes envolvendo o homem, político, social,humano. E trabalhar com essas indagações é preciso voltar um pouco no tempo e explicar aos jovens o que Jean Piaget, fala sobre o inatismo das fases e estágios próprios da criança até chegar nos jovens. tenho alguns autores bem gostosos de se ler e refletir sobre esta temática, investigadora. Prometo enviar alguns teoricos que falam de uma mais moderna a linguagens do jovens do século XXl. Gilberto Dimenstein, é bem legal para mostrar esses questionamentos, no seu livro Cidadão de Papel.Enquanto aos carga genética do texto acima é bem pertinente, que os caracteres genéticos são fatores determinantes, na formação da personalidade humana. vou verificar em casa os livrosque o Sr. podem abordar essses assuntos interessantes com os alunos não só no nível médio, como também o fundamental.um saudoso abraço . Helena

    • robertoandersen said,

      23 de outubro de 2009 às 18:41

      Prezada Maria Helena, toda ajuda é válida! Estamos apoiando agora escolas totalmente sem recursos, como uma de Moçambique, na África. Embora a nossa também passe por certas dificuldades financeiras, mas aqui estamos presentes e fazendo todo esforço possível para superar qualquer dificuldade. E estamos conseguindo excelentes resultados na formação das crianças. Isso é o que mais nos anima e estimula.

  2. gerson said,

    21 de outubro de 2009 às 15:56

    Eu me sinto alegre, feliz e muito importante para a minha familia. Mesmo que os outros não gostem de mim eu não ligo, dou a volta por cima e não perco nada. Eu só tenho a ganhar.

    • robertoandersen said,

      23 de outubro de 2009 às 18:35

      Gerson, sua segurança emocional está exatamente na sua família! Sentir-se importante para a família é a base de todo o seu sucesso na vida. Você á e será muito feliz sempre, principalmente por perceber isso desde cedo! Parabéns, meu querido aluno e amigo.

  3. aln silva said,

    22 de outubro de 2009 às 22:42

    Na minha opinião o convívio com os amigos influencia na formação da personalidade do adolescente, mas o comportamento que ele vai exercer foi o que os pais deram a ele. Nesse caso os pais influenciam muito mais na formação de sua personalidade a partir da hora que eles tem o controle absoluto em relação ao comportamento do filho…

    • robertoandersen said,

      23 de outubro de 2009 às 18:38

      Alan, você acertou em cheio! A influência dos pais só superará a influência externa enquanto os pais tiverem o controle absoluto em relação ao comportamento do filho. Não quer dizer que não se deva confiar no filho, mas sim acompanhar todos os seus passos para poder orientá-lo em todos os momentos de seu crescimento intelecto-emocional. Parabéns, Alan!

  4. Yan Rocha said,

    24 de outubro de 2009 às 10:38

    Muito bom, mas além de saber quem somos, devemos nos questionar: “por que somos assim?”

    • robertoandersen said,

      24 de outubro de 2009 às 19:11

      Essa é a dúvida mais profunda e que nos remete a diversos caminhos (nunca respostas, mas caminhos para a elaboração de respostas). Um deles é o genético e biológico. Mas esse é muito simplório! Outro é o da programação memética!
      Esse último é de responsabilidade da cultura social, mas pode ser influenciado por nós! Esse é o que determina todas as alterações que desejarmos para os nossos porquês, eu tenho absoluta certeza disso.
      Tenho conceitos específicos para isso, que serão publicados no livro a ser lançado em 2010.

  5. Uiliam said,

    25 de outubro de 2009 às 00:52

    Sou totalmente de acordo que a personalidade é um fator genético. Claro, não se pode descartar as influências externas. Elas existem, mas o que as fazem serem menos ou mais relevantes na intensidade da influência, mais em algumas pessoas que em outras é também, em grande parte, o fator genético do influenciado. Então, somando a genética com a criação diria eu que os pais têm a maior parte do crédito da influência nos filhos.

    • robertoandersen said,

      25 de outubro de 2009 às 01:13

      Leia em meu livro “Afetividade na Educação” o relato sobre a experiência que fizemos em relação ao que você afirma. A influência dos pais é clara, mas nem tudo o que a criança herda dos pais é genético ou biológico, mas também memético, ou seja: ele herdaria mesmo que seus pais fossem pais adotivos! Nós não achávamos isso antes da experiência. Isso apenas se confirmou com a análise dos casos.

  6. Kathlen said,

    28 de outubro de 2009 às 14:33

    Estive discutindo com um colega sobre o assunto relacionado a a formação da identidade individual dos indivíduos. Consideramos que os fatores genéticos desempenham um papel essencial na formação dos seres humanos além da influência dos fatores externos pois somos seres sociais. Não conseguimos entretanto descobrir como pessoas que pertencem a um mesmo ambiente familiar e social de convívio, além de possuírem a mesma herança genética podem desenvolver personalidades tão distintas, às vezes tão contrárias entre si. De onde então são formadas as personalidades? Chegamos a um ponto super interessante quando relacionamos essa oposição dos indivíduos de uma mesma família ao equilíbrio natural que rege o universo como por exemplo os átomos que têm em si cargas negativas (elétrons) e cargas positivas (prótons) em oposição mas que estabiliza a composição da vida. Assim para tornar uma família e a sociedade saudável isto é essencial, além de que o lado ruim ou bom seria relativo quanto ao ponto de vista.

    • robertoandersen said,

      29 de outubro de 2009 às 21:26

      Não sigo esse raciocínio. Respeito essa interpretação, que é dada por muitas pessoas, sobre o Yin e o Yang da cultura chinesa, mas discordo que sejam necessáras oposições comparáveis à necessidade da existência do bem e do mal para que haja um equilíbrio. No caso de pessoas diferentes sob um mesmo regime educacional entendo de outra forma. Cada um de nós traz uma série de características biológicas e genéticas que podem ser semelhantes, mas sempre existe um SELF próprio, criador da nossa interpretação específica. Além disso os métodos educacionais, por mais parecidos que sejam, sempre apresentam diferenças.
      Isso significa que o difícil é que irmãos sejam capazes de absorver educação da mesma forma!

  7. 9B-->milena,taiana,isabelle e bruna said,

    28 de outubro de 2009 às 22:01

    As influencias de outro jovem não é uma formação de personalidade mais sim o que os pais ensinam aos seus filhos e que os seus filhos aprendem. Não é um convívio que mudar as personalidades e sim é o que esta dentro de nos que quer despertar uma curiosidade.

  8. Ana Regina said,

    31 de outubro de 2009 às 10:49

    Eu não acho que seja tão difícil, nós mesmos nos entendermos, pois depende um pouco de cada um. Se ela for uma pessoa com o objetivo de se entender ela consegue sim. Mas se ela for uma pessoa confusa em tudo que ela faz, com certeza ela não se entenderá. Isso é uma questão de auto-avaliação.

  9. Rafael Soares said,

    6 de novembro de 2009 às 00:31

    Os pais são as peças principais para a formação da personalidade dos filhos, já que as primeiras orientações e a educação vem deles. Só que com o passar do tempo, o filho passa a interagir com outras pessoas, ambientes, outros tipos de comunicação modificando a sua visão em relação a educação transmitidas pelos pais, com as que passam a conviver depois. Então a formação existente no individuo é de uma forma bastante coletiva, ou seja, os pais não são exatamente determinadores na formação da personalidade de seu filho, mas sim uma peça bastante contribuinte.


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