Discriminação racial: onde está meu erro?

Confesso que levei um susto imenso ao ler, agora pela manhã, o resultado do vestibular 2010 da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. Interessado que estava para verificar se um amigo havia sido deparei-me com títulos estranhíssimos por toda a página da listagem:

– optantes pelas vagas reservadas aos negros

– optantes pelas vagas reservadas aos indígenas

– não optantes pelas vagas reservadas

Ou seja: para mim estamos vivenciando uma realidade bastante semelhante à da antiga África do Sul, em pleno APARTHEID, com determinações de diferenças raciais entre todos…

A cada dia vemos mais uma demonstração dessa discriminação DETERMINADA PELO SISTEMA, em algum documento que tenhamos que preencher.

As escolas, ao preencherem a listagem de censo escolar anual são obrigadas a inserir, para cada aluno, a classificação de sua raça: brando, negro, pardo, etc…

Nosso trabalho no IUPE, desde suas fundação em 12/09/1999, tem sido a educação diferenciada para construir em cada aluno a idéia de que temos todos as mesmas potencialidades e possibilidades, independente de nossa aparência externa, cor da nossa pele, cor dos olhos, tipo de cabelos, diferença de altura, diferença de peso, tipo de cultura, preferências comportamentais e tudo o mais.

O que diferencia o resultado é a força de vontade ou a falta dela, a auto-valorização ou a auto-depreciação e nunca o fato de termos nascido em berço de ouro ou em em uma família desprovida de recursos financeiros adequados e, muito menos, por termos herdado características genéticas que nos tragam pele mais clara ou mais escura, olhos dessa ou daquela cor, cabelos desse ou daquele tipo.

Não quero entrar pelo mesmo caminho dos adeptos das “Teorias da Conspiração”, mas parece mesmo existir todo um movimento para denegrir mais ainda a imagem das “ditas” minorias, para baixar cada vez mais a auto-estima de seus componentes, fazendo-os assumir uma inferioridade que não existe, assim deixando as oportunidades melhores para aqueles que já as detém, mas cujos filhos não estão sendo capazes de manter…

Nesse caso o ataque parece ser: “(…) se meu filho não consegue, vamos fazer com que os concorrentes sejam piores ainda do que ele (…)”

Esses, apesar de terem nascido em “berços de ouro”, a cada dia perdem mais terreno para crianças e adolescentes provenientes de famílias de bairros pobres, já que, apesar desse movimento sutil de degradação social, jovens menos favorecidos financeiramente, entre eles muitos negros, estão tendo a oportunidade de se desenvolver de igual para igual, como resultado da educação diferenciada já adotada por muitos colégios, como a que estamos fazendo aqui no IUPE.

Sou totalmente contrário a qualquer tipo de discriminação, embora muitos tenham tentado me convencer de que esse sistema de cotas corrige a anomalia da falta de oportunidade intelectual das pessoas de baixa renda.

Será mesmo? Será que estou totalmente errado? Será que corrigir essa anomalia não teria que ser corrigindo a forma como as metodologias educacionais estão sendo aplicadas nas escolas públicas?

Posso estar muito errado, por isso mesmo que, no título do artigo, pergunto “onde está meu erro?”

Mas ainda insisto em que as oportunidades de crescimento só dependem de:

1) Da força de vontade de cada um

2) De um sistema público de ensino que realmente se preocupe mais com as pessoas que estão aplicando as metodologias, os PROFESSORES, do que com a apresentação externa das “escolas modelo” e a equipamentação das salas com TVs, monitores, lousas especiais, computadores, data-shows e tudo o mais.

3) De um sistema particular de ensino que se preocupe com cada criança e adolescente na sua individualidade, evitando os mesmo erros que coloquei no item anterior para as escolas públicas.

No momento em que os professores forem mais valorizados e mais bem preparados, o sistema estará se utilizando da maior e mais eficiente arma para reduzir as diferenças sociais, reduzir a criminalidade, aumentar a sua própria eficácia (devido a profissionais muito mais bem preparados em todos os níveis) e aumentar a própria riqueza do país.

E professores mais bem preparados poderão também ajudar na educação das famílias de seus alunos, de forma direta ou indireta, já que muitas anomalias comportamentais e até psíquicas, que impedem o crescimento de muitos alunos, são provenientes de educação familiar equivocada.

Em paralelo estará sendo eliminado qualquer vestígio de diferenças raciais ou sejam lá quais forem, já que esse tipo de educação oferece a mesma oportunidade para todos.

Mas essa minha proposta precisa de “VONTADE POLÍTICA”, o que parece não estar existindo nesse país…

Mas vamos ficar de braços cruzados só reclamando? Não! É claro! Continuaremos fazendo a nossa parte com a maior eficácia possível e dentro de nossas possibilidades técnicas e financeiras, mas com muita força de vontade e muito entusiasmo!

Um dia, quem sabe, o sistema “se toca”…

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1 Comentário

  1. Maria Helena Onofre said,

    30 de janeiro de 2010 às 15:04

    Achei muio interessante o comentário sobre o artigo acima citado. Gosto muito dos seus comentários e aprendo também um pouco sobre muitas coisas.Sucesso para o seu trabalho. Helena


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