Felicidade existe?

Para quem costuma se deliciar com as palavras de Nietzsche fica fácil ligar as angústias do homem à interminável busca pelo exercício do poder.

A natureza dessa busca, segundo Nietzsche, já está inserida em cada uma das células humanas, todas sempre ávidas pelo exercício desse poder dentro de cada parte do organismo ao qual pertencem.

Da individualidade de cada uma dessas células essa ânsia é transmitida para a totalidade do corpo, sob o orquestrado domínio da mente.

E o homem busca obter a sua satisfação através do exercício do poder.

Mas o homem nem sempre percebe que o poder, sozinho, não é suficiente para trazer sua verdadeira felicidade. Essa exige a satisfação completa ou, pelo menos, o encontro do caminho da sua verdadeira satisfação.

Sem essa percepção o homem busca e alcança o poder, encontrando, com ele, satisfações pontuais que lhe trazem uma falsa sensação de felicidade.

Surge o sucesso material e financeiro; surgem amigos e amantes por conveniência; surgem paixões arrebatadoras, cujo prazer consiste apenas em estar junto do poderoso ou usufruindo de seus recursos materiais e financeiros; mas surge mais forte do que tudo isso, um vazio angustiante, maior que o vazio da falta de poder, já que agora não são encontrados, com facilidade, os seus motivos.

É esse vazio que dá ao homem a sensação de incompletude e que ele vai procurar saciar com a busca de mais poder, mais dinheiro, mais ações exibicionistas, um novo carro, uma nova amante, drogas e mais tentativas frustradas de demonstrar uma felicidade enganosa e inexistente.

Esses poderosos acreditam que o que sentem é felicidade, embora não passe de alegria temporária. Essa falsa felicidade está tão frequente em nossos dias que é comum encontrarmos pessoas que desacreditam a existência da verdadeira.

Um grande escritor, de sucesso mundial, respondeu a um repórter que “(…) felicidade não existe. Existem momentos de alegria (…)”. Um doutor em filosofia conversando sobre felicidade me disse que “(…) ser feliz é acomodar-se ao sofrimento (…)”. Por que tanta gente desacredita na felicidade? A razão é simples: nunca a encontraram.

Se o homem não se torna feliz pelo exercício do poder isso significa um erro de Nietzsche?

Nada disso. Nietzsche estava certo. O poder é uma necessidade desde a formação da primeira célula no embrião que se tornará um ser humano. Mas esse poder tem que estar lado a lado com outra necessidade básica do homem, que é o amor.

O poder sem o amor pode levar a neuroses, patologias psicossomáticas e até anomalias psicogênicas.

O amor sem o poder pode levar a tristezas, acomodações, decepções e estados depressivos.

O homem precisa, então, montar seu alicerce intelecto-emocional em bases sustentadas pelo poder e pelo amor, que  são os elementos imprescindíveis ao exercício da verdadeira liderança.

Só com o exercício dessa verdadeira liderança o homem pode se sentir satisfeito, porque é quando estão envolvidos amor e limites no relacionamento entre pessoas.

Mas esse amor deve ser criado, primeiro, dentro de si mesmo. O processo é simples, pois, afinal, o amor está em cada um dos valores humanos como se fosse uma de suas principais células. Desenvolver cada um deles significará alimentar e fazer crescer o amor interior.

Primeira etapa – Momentos de Reflexão

Para quem ainda não pratica a meditação ou a reflexão, basta escolher um momento de seu dia para “mergulhar” dentro de si, desligando-se do mundo exterior, preferencialmente num ambiente agradável, com uma música lenta apropriada.

Segunda etapa – Resgate do Valor Humano do dia

Nesse momento procure visualizar frases ou imagens que representem o valor que você está resgatando. Procure sentir, virtualmente, o prazer de praticar esse valor e o bem que ele faz a seu estado emocional. Você pode escolher o valor observando, por exemplo, a sequência sugerida pelo IUPE, já que nesse caso até nossos alunos podem sugerir temas, frases e imagens.

Terceira etapa – Pratica do valor escolhido

Planeje pensamentos e atitudes vivenciando o valor resgatado. Coloque em prática essas ações. Cada vez que esse processo for realizado a pessoa estará aumentando a intensidade de seu amor interior e começa a estar pronto para compartilhá-lo com as pessoas e com o mundo. Lembre de vivenciar sentindo, de verdade, o prazer do exercício daquele valor.

As pessoas, ao exercitarem essa vivência, começam a irradiar a energia da felicidade. Essa energia nada mais é do que sentir o prazer de cada emoção positiva que estiver transmitindo. E esse prazer, uma vez experimentado, passa a fazer parte da vida de cada um de nós.

Felicidade, então, não é um objetivo final, mas uma forma de caminhar pela vida. Ela existe e está disponível para cada um de nós. Basta querermos!

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5 Comentários

  1. Matheus said,

    9 de abril de 2010 às 16:27

    A muito tempo não venho refletindo sobre questões tão importantes do nosso cotidiano, como a felicidade. Me vi inserido num tempo de 10 anos atrás, onde essas questões eram parte de mim.

    Obrigado por querer sempre um mundo melhor. E de transimitir sempre essa energia boa.

    • robertoandersen said,

      9 de abril de 2010 às 17:05

      Que maravilha Matheus! Mantenha essas questões como parte de você a vida toda! Você merece!

  2. Eduardo Damasceno said,

    9 de abril de 2010 às 18:17

    Sem dúvida, é dificil falar sobre um sentimento (julgo eu a felicidade um sentimento, um “estado”) pois para analizarmos um sentimento precisamos de outros, e nessa teia de comparações, não sei muito bem onde fica o marco “zero” do meu referencial. O interessante comigo é que, quando penso no passado, sempre me vem um sentimento tipo, “Hum como eu era feliz naquela epoca…” posso garantir com quase total certeza que se o ano que vem eu reler toda essa discussão, pensar em mim em flerte nem notebook digitando essas palavras, me sentirei feliz. Confesso que há tempos procuro uma fórmula, um método, para que eu possa sentir agora nesse momento, o que eu sinto q penso no passado,se serve de consolo, não tenho ainda a solução, mas o problema já está elaborado rsrsr…

    No mais, sinto grande satisfação em poder debater esse tipo de questão, de fundamental importância, com amigos como vocês.

    Grande abraço !!

  3. Maria da Penha Rocha said,

    12 de abril de 2010 às 00:14

    Foi a descoberta do Amor que fez Nietzsche chorar da felicidade que até então desconhecia!

    Somente os analfabetos em emoções, desconhecem o sabor e valor da felicidade! Por essa razão, coitados, julgam que ser feliz é ter poder, bens materiais e prazeres. Mau sabem eles que o maior poder é adquerido através do amor e, que é esse poder que desperta todos os atributos, dons, adormecidos internamente no homem tornando-o poderoso, feliz e próspero!

    Eu, particularmente procuro vivenciar 5 valores diariamente esses valores são: Calma, Confiança em DEUS e em mim, Lealdade, gratidão e Gentileza. Esse exercício me mantém sempre alerta para o desvio que vibrações desqualificadas, trazem para nossa vida.

    Todo sentimento tem seu complemento. A felicidade é o complemento do amor e nos faz libertos de emoções que só causam desequilíbrio. Aquele que sente um vazio interno, certamente não se alimenta das energias saudáveis que tornam o homem feliz!

  4. Alan Franca said,

    7 de novembro de 2013 às 19:36

    Dizia Nietzsche, “não existe estado pleno de felicidade e sim momentos felizes que podem ser prolongado”.
    Sem dúvida! É inadmissível acreditar que vamos encontra – “a felicidade” – e viver repleto de energias saudáveis e positivas o tempo todo. O ser humano não se “limitaria” a tal estado. Acredito quando Roberto diz que a felicidade existe…acredito também que o amálgama entre amor e poder seja o caminho mais propício para o prolongamento da felicidade. Mas, sobretudo, a felicidade aparecerá naturalmente, sem que estabelecemos regras fixas. Se a busca pelo poder traz a felicidade, como parar de busca-lo? será que o excesso desse poder não poderia nos tirar a própria felicidade adquirida? De que amor estamos falando que equilibra o poder? Eu não sei o que Eduardo quis dizer de fato, mas para mim, soa muito pertinente para a discussão…porque entende-se que relembrar momentos (mesmo que fossem tristes), lhe dá a sensação de estar vivo, de ainda estar pensando, refletindo, rindo e participando da vida. Felicidade é viver??? felicidade é estar vivo?? Felicidade é ter memórias boas? Acredito que a subjetividade domina essa discussão…felicidade para muitos, pode sim ser outra coisa bem diferente para outros. Mas ainda assim, acredito em pontos comuns que direcione para um bem estar. Acho que todo momento de emoções fortes…que não seja traumático ou desgastante…configuram-se em momentos de felicidades e que podem se eternizar. Minhas amizades, por exemplo, é um prolongamento de felicidade enorme e estar sem duvida eternizado. Hoje, se Nietzsche estivesse vivo eu lhe dizia: Meus momentos com meus amigos…são felicidades de prolongamento que parece não ter fim.

    Roberto; parabéns!

    Como já foi dito…obrigado por transmitir energias boas e buscar um mundo mais humano.

    Abraço para todos.


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