A criança mudou?

Diversas revistas estão publicando reportagens sobre as “novas crianças” que estão nascendo. Diversos estudos estão mostrando surpreendentes conclusões sobre a inteligência desse novo ser! Tenho recebido mensagens com perguntas sobre essa nova realidade e, em alguns casos, pedindo orientação de procedimentos. Como agir com essa nova realidade em sala de aula? Como agir com elas em casa? Mas vamos primeiro comentar sobre essa nova realidade. Ela existe mesmo? Qual a realidade afinal? Em outro artigo daremos dicas de como proceder com elas, embora algumas já estejam publicadas no “Afetividade na Educação: Psicopedagogia”, meu livro do ano passado.

Mas a pergunta que recebi de meu amigo Rene, no comentário do artigo anterior, disparou a necessidade desse artigo.

Na Scientific American Brasil de agosto/2010, um artigo de PSICOLOGIA chamado “Como os bebês pensam” tenta fazer um paralelo entre a mente dos atuais bebês com a mente das pessoas ligadas à pesquisa científica em alto grau, ou seja: os verdadeiros cientistas.

Naquela reportagem comenta-se que as conclusões de Piaget sobre pensamento infatil irracional, ilógico, egocêntrico e pré-causal (sem noção de causa e efeito) podem não ser mais verdadeiras. Na realidade surge aí uma grande dúvida para nós, principalmente para os que pesquisam o assunto diuturnamente, como é o meu caso. A dúvida é: as crianças mudaram ou mudaram as formas de avaliarmos a sua real condição de inteligência?

Sim! Essa dúvida eu tenho, embora muitos cientistas, ligados às mesmas áreas de pesquisa que eu, não tenham essa dúvida. Muitos têm absoluta certeza de que houve uma alteração muito grande na maneira como os cérebros infantis funcionam. Mas eu ainda não embarquei nessa canoa. Ainda estou tentando analisar com muito cuidado alguns aspectos que me intrigam muito. E uma das minhas motivações deve-se ao nosso natural esquecimento em relação a momentos importantíssimos de nossas vidas, como por exemplo a faixa em que a maioria de nós teve “amigos imaginários”, via tais amigos, brincava com eles, brigava e disputava brinquedos e, mais tarde, não se lembra de nada disso. Posso estar “redondamente” enganado (não quis fazer analogia ao descer redondo de uma determinada marca de cerveja, embora goste disso…), mas ainda acredito que muito do que se descobre atualmente em relação a mente e ao cérebro deve-se a falta de conhecimento anterior sobre as formas de fazer essas pesquisas.

Na reportagem comenta-se que erramos durante muito tempo com os bebês. Mas se levarmos em consideração estudos seríssimos desenvolvidos por algumas instituições filosóficas (Rosacruz e outros) pode estar havendo uma alteração muito grande em diversos aspectos de nosso mundo, provocando mudanças radicais, incluindo aí o nascimento de crianças completamente fora dos padrões anteriores. Essas seriam as crianças indigo e, mais tarde, as crianças cristal.

Analisando as formas utilizadas para tais pesquisas encontro alguns procedimentos que não concordo, assim como algumas conclusões que não me convencem, mas nada que desabone os principais resultados e nada que desmereça a confiança nesses cientistas e em seus estudos. Mas precisamos de muita cautela, mais estudos, mais observações e mais análises, tanto para evitar atitudes precipitadas, como para evitar a omissão de atitudes interferentes que venham a ser necessárias. Isso pode ocorrer no caso dessas novas mentes poderem ser manipuladas de forma inconveniente e anti-éticas para o mal.

Veja, por exemplo, o cientista CRAIG VENTER, que não está na faixa etária desse novo “Ser Humano”, mas que já apresentava sinais de elevada capacidade intelectual na infância. Em nosso site (<a href=”http://iupe.webnode.com/biografias/craig-venter/”>clique aqui</a>) você pode ler a reportagem sobre ele publicada na Revista Galileu de 8 de agosto desse ano.
Então o estudo feito pelos cientistas e publicado na Scientific American pode servir para nos alertar para essa nova realidade de inteligências que surge e que deve ser corretamente orientada evitando assim consequências que não temos a menor idéia de quais seriam!
 
A Revista Superinteressante de agosto também fala do mesmo assunto nas páginas 56 a 64, mostrando que hoje as crianças são linguistas de mão cheia, trazem matemática de berço, são naturalmente solidários e preferem mocinhos a bandidos. E ainda diz que elas enxergam como adultoa, observam o que é interessante e desviam os olhos do que é monótono. A reportagem de SUPER ainda mostra uma tabela comparativa sobre o que se dizia delas e o que hoje se depara como real. Nessa tabela o que se falava da criança nascer sem qualquer conhecimento e necessitando imitar o outro para definir-se como ser humano, já não se aplica! E assim por diante. 

Essa realidade nova muda os conceitos do EMPIRISMO e nos leva a confirmar as teorias do APRIORISMO? Pode ser que a tendência seja essa. Piaget tenta se situar entre uma teoria e outra montando a sua EPISTEMOLOGIA GENÉTICA (como bem citou meu amigo Rene, na pergunta que suscitou esse artigo), mas seus estudos levam ao entendimento da criança quase como uma tábula rasa, ficando muito mais perto da teoria EMPIRISTA. Quando Piaget fala que “o conhecimento é gerado através de uma interação do sujeito com seu meio, a partir de estruturas existentes no sujeito” ele mostra que essas estruturas existentes são muito básicas e incipientes, que contradiz o que estamos observando nas crianças de hoje.

Se partirmos do princípio de que esse biólogo dedicado ao entendimento da criança e do adolescente dificilmente teria se confundido em suas observações, então quem mudou foi o objeto, ou seja, estamos falando de seres diferentes. A criança de Piaget era diferente da criança de hoje.

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