Educação Inclusiva -01


Amigos,

Vamos tentar deixar bem claro como devemos lidar, na escola regular, com a Educação Inclusiva, já que ela está determinada como obrigatória, por lei.

Sou o professor Roberto Andersen e me dedico ao estudo da forma neuropsíquica de se obter o aprendizado. Tenho alguns livros publicados e que podem ser adquiridos acessando-se nosso portal ou nosso blog e clicando na imagem dos livros.

As dúvidas que tenho recebido mostram, bem claramente, que há, na maioria dos professores regulares, nenhum comprometimento em relação à aprendizagem do aluno especial que está em sua classe, e nem, muito menos, comprometimento com a sua inclusão social entre seus colegas.

Os professores estão simplesmente ignorando a presença em sala desses alunos e, quando existe um cuidador, desligam-se totalmente dele, como se existissem dois ambientes distintos na sala: o dos alunos regulares, com ele, professor regular, e o dos alunos especiais, com seus cuidadores.

Para facilitar a compreensão, vamos organizar esse tema aproveitando as perguntas, os questionamentos e as reclamações feitas pelos professores, que estão se sentindo obrigados a fazer algo para o qual, eles acham, que não foram contratados.

A célebre declaração de que “Não aprendi a lidar com educação inclusiva na faculdade! ”, é falsa, porque aprendeu sim! Todos os teóricos estudados em pedagogia ou nas matérias de licenciatura disseram que o ensino-aprendizagem tem como base o aluno.

E você aprendeu isso e deve ter respondido dessa forma nas provas. Mas depois de se formar e entrar em uma sala, pode ter esquecido desse pressuposto básico e fundamental para que exista, de fato, o processo verdadeiro do ensino-aprendizagem.

Para começar, então, tenha sempre em mente quais são os principais objetivos da escola, das aulas e seus, como professor, que são:

1. Garantir a evolução intelectual do aluno por meio da aprendizagem real, visando a sua autossuficiência futura;

2. Criar a cultura do respeito mútuo e da interação e cooperação social entre os alunos, visando a construção da cidadania.

Analise a sua prática em uma sala de aula, mesmo que lá só existam alunos regulares, sem nenhum aluno autista, nem disléxico, nem discalcúlico, nem com retardo mental.

Pergunte a você mesmo como você preparou a aula daquele dia: De acordo com o tema e o conteúdo do livro texto, mas com base nas características de aprendizagem de seus alunos? Ou com base no que você quer ensinar a eles?

Se foi com base no que você acha que tem que ensinar a eles, é muito bom lembrar de Comenius, na sua Didática Magna, quando ele disse: “Idiota é aquele que quer ensinar ao aluno, não o que ele pode aprender, mas aquilo que ele próprio deseja. ”

Seria bom que essa frase estivesse bem grande em todas as salas de professores de todas as escolas a partir de hoje.

Então, para você saber se está no caminho certo ou se precisa mudar alguma coisa, pergunte-se, primeiro, se durante a sua aula você tem certeza de que todos os alunos estão entendendo o assunto.

Pergunte-se, também, se ao final de sua aula você tem certeza de que todos tiveram proveito do que você acredita ter ensinado e que todos evoluíram da forma que você planejou, no conhecimento daquele assunto de sua matéria.

Se suas respostas forem SIM, você está realmente fazendo o papel do professor de verdade. Se a resposta for qualquer outra, você não está cumprindo o que aprendeu de educação, na faculdade.

Vamos ver como fazer, então, em qualquer sala de aula regular, com ou sem qualquer aluno considerado “de inclusão”, porque a existência do aluno de inclusão, apenas evidencia, com muito mais clareza, as diferenças no nível de entendimento que já existem em qualquer sala de aula.

Infelizmente grande parte dos professores entram e saem das suas salas de aula sem conseguirem perceber que, naquela sala, há alunos que entendem o que ele fala, mas que há alunos que não conseguem acompanhar seu raciocínio ao explicar os assuntos.

Nessas análises o foco tem que estar sempre em TODOS os alunos! Quem são esses todos?

Os alunos regulares que estão verdadeiramente no nível intelectual daquela série escolar.

Os alunos regulares que estão naquela série, mas com dificuldades imensas de entendimento, como se tivessem sido passados “na marra”.

Os alunos de inclusão com nível de entendimento muito abaixo do nível da série.

Os alunos superdotados ou de altas habilidades, principalmente aqueles que ficam rapidamente entediados em ter que acompanhar explicações que são totalmente desnecessárias para eles.

Para ter certeza disso, se a sua observação não for suficiente, basta você fazer pequenas avaliações frequentes, sejam orais ou escritas, preferencialmente ao final de cada aula, ou a cada duas aulas, ou até durante as próprias aulas.

Essas avaliações servem para mensurar a eficácia do seu processo de ensino-aprendizagem, e não para classificar os alunos. Aliás é assim que toda a avaliação deveria ser.

Ou seja, se o aluno não obtiver bom resultado significa que o seu método de ensino está precisando ser alterado, ou seja, muda-se o método, em vez de fazer o que os professores desejam, que é mudar de aluno.

Lembre-se que há diferenças imensas na capacidade de aprender dos alunos. Meninos, por exemplo, entendem de forma diferente das meninas. Isso sem contar com as dificuldades específicas de cada menino e de cada menina.

Sejamos muito sinceros então. Se não estivermos alcançando aprendizagem total, temos que experimentar algum outro método para o nosso ensino.

Agora vamos dar a primeira sugestão para socorrer o professor que percebeu que não está alcançando sucesso com a aprendizagem de todos os seus alunos.

Planejar sua aula em duas ou três etapas. Na primeira você apresenta o tema da aula, de forma que chame a atenção e desperte a curiosidade de todos os seus alunos.

Para isso precisa apenas que você ligue o assunto da aula a algum assunto de interesse de todos os alunos. Isso vai exigir de você, tanto o pleno conhecimento do assunto a ser dado, como a sua dedicação ao conhecimento geral, ouvindo ou assistindo aos noticiários e lendo jornais e revistas.

Embora eu goste, tanto de assistir aos noticiários, como ler revistas e jornais, eu uso, para isso, diariamente, o twitter, onde acompanho todas as agências de notícias de todos os assuntos que leciono e que me interessam. Economiza muito o meu tempo.

Lá mesmo surgem os links que me trazem os artigos completos para meu estudo diário, com as referências oficiais para consultas, permitindo que eu entre em contato com os pesquisadores autores dos respectivos estudos para dirimir algumas dúvidas.

Isso que eu estou dizendo é apenas para preparar a primeira parte da aula, que á a mais importante, já que é a que precisa despertar o interesse, a curiosidade, a empolgação de todos os alunos em relação ao assunto da aula.

Durante essa parte da aula, que serve praticamente como um MARKETING do assunto, você deve estar atento a todos os alunos, para que todos se sintam “alvo” de seu interesse pessoal, ou seja, todos sintam que são importantes para você, em sua aula.

Nesse momento temos que tomar cuidado com a presença do “aluno ímã”, que é aquele aluno que, por algum motivo, prende seu olhar nele, e você, sem sentir, acaba dando essa parte da aula como se só existisse ele em sala.

O “aluno ímã” é frequentemente, o que mais participa e o que mais pergunta, provocando, no professor, essa tendência de exclusividade que é prejudicial ao resto da turma.

Segunda parte da aula:

Colocar o aluno para trabalhar no assunto.

A maioria dos alunos prefere ficar passivamente na carteira assistindo à fala do professor, alguns até estão acompanhando mesmo, outros estão desligados e outros dormindo.

Coloque, então, todos para trabalharem o assunto, por meio de estudo dirigido, que pode ser individual ou em grupos.

Os questionários para esse estudo devem ser elaborados respeitando-se sempre aqueles objetivos que comentamos anteriormente.

Nada, na aula, pode fugir daqueles dois objetivos principais.

Se alguma atividade não atender a eles, ela deve ser adaptada.

Então haverá tantos tipos de questionários quantos forem os diferentes níveis de entendimento daquela turma. Numa turma regular do 8º ano em que não exista qualquer discrepância em níveis de entendimento, o questionário será o padrão do 8º ano.

Se nessa turma houver um aluno autista no nível de 2º ano, seu questionário será sobre o mesmo tema da aula, mas com atividades adaptadas ao seu nível de entendimento atual, visando sempre o seu desenvolvimento, do ponto em que ele está para mais além.

Havendo aluno superdotado, seu questionário deve exigir pesquisa na biblioteca ou na sala de informática, que sirvam para ele como desafio. Essa é a sua forma de se satisfazer com o assunto dado. A forma de fazer isso dependerá das condições da escola.

Durante essa parte da aula o professor estará visitando cada grupo (se o estudo dirigido for em grupo) ou cada carteira, para observar as dificuldades e analisar em que momentos precisa chamar a atenção de todos para uma explicação específica e de interesse geral.

Esse passeio do professor pelos grupos já serve como uma forma de avaliar quais os pontos que precisam ser alterados, sempre visando garantir a aprendizagem de todos e, em paralelo, construir a cultura do respeito, interação social e cooperação.

Mandem seus questionamentos, perguntas, comentários e sugestões para meu e-mail.

Ou para meu whatsapp.

Responderei as demais perguntas no próximo vídeo.

Prazer estar com vocês.

Forte abraço e até o próximo encontro.

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1 Comentário

  1. 17 de julho de 2016 às 16:06

    Aproveitando o domingo para ler e aprender sobre essa área que tanto amo acabei conhecendo seu blog… adorei.. parabéns pelo trabalho
    Professora. Margari Paz


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