Amigos,

Os bárbaros crimes que estamos observando hoje entre presidiários de alta periculosidade parecem estar espantando a todos.

Eu, na realidade, já esperava por isso! Não exatamente nesse nível de barbaridades, com detalhes piores do que muitos filmes de terror!

Mas é óbvio que, se há ódio na sociedade aqui fora, entre pessoas consideradas normais, como achar que esse ódio não será pior e mais forte ainda entre pessoas que escolheram o mundo dos crimes?

Só que acaba existindo uma relação entre a intolerância aqui fora e a barbaridade dos crimes lá dentro, aumentando, aqui e lá, esse clima de insegurança e agressividade gratuita!

Os fatos estão se somando!

Por isso que, a partir desses fatos, precisamos todos estar muito atentos aos fatores que estão permitindo a construção do ódio social, essa construção que está ocorrendo principalmente entre adultos, e que está trazendo insegurança a todos nós.

Essa atenção deve começar dentro de nós mesmos, para evitar que sejamos contaminados por essa intolerância crescente e agressiva.

Esse mal está tão disseminado que é muito comum percebermos que simples opiniões diferentes estão transformando amigos em inimigos!

A partir disso é bom começarmos a tomar um certo cuidado, não ao ponto de ficar neurótico, mas tomar um certo cuidado, com os ambientes que frequentamos, com o comportamento das pessoas que nos cercam e com a maneira como procedemos em relação a pessoas desconhecidas, para evitar que atitudes nossas possam sejam entendidas como atitudes de provocação.

Agindo dessa forma estaremos evitando que essa verdadeira “onda agressiva” chegue até nós.

Embora esse clima esteja sendo montado há muitos anos em nosso país, principalmente devido a uma, nem sempre sutil, parceria entre Estado e o Crime Organizado, não é hora de falar das responsabilidades do que está havendo, mas sim da forma como podemos tentar sobreviver a isso.

Quando falo “Estado” estou me referindo ao sistema governamental como um todo, envolvendo autoridades do executivo, do judiciário e, mais evidente ainda, do legislativo, com congressistas totalmente patrocinados pelo tráfico de drogas.

Mas vou me concentrar em nós, pessoas normais e, mais importante ainda, falo para meus amigos e alunos adolescentes, seus pais e seus professores, para que a nossa parte seja feita imediatamente, e assim, aos poucos, construirmos uma sociedade mais humana, mais responsável, mais honesta e com mais caráter!

Se vocês repararem bem, a solução existe, porque, ao mesmo tempo em que se constrói o ódio (mais frequente entre adultos), está havendo, também, a construção do amor, só que esse amor mais concentrado na faixa etária da adolescência!

E é aí que se encontra a solução! O foco deve ser o adolescente, onde a cultura do amor já existe naturalmente e ainda não foi deformada pela má influência do adulto mal resolvido!

Focando nesse amor como cultura social a ser implantada, estaremos reduzindo, ou até eliminando, o espaço que hoje está sendo utilizado como cultura do ódio!

Vamos analisar?

ADULTOS

Entre os adultos está frequente a parte da construção do ódio!

Observamos desavenças sérias e discussões acaloradas entre amigos (que acabam se tornando ex-amigos ou inimigos) por causa de opiniões diferentes em relação a um mesmo assunto.

Ninguém aceita que um amigo possa discordar de suas opiniões políticas, esportivas, religiosas, ou sobre qualquer outro assunto. Se alguém tem opinião diferente é considerada ignorante, desinformada, mal caráter.

Principalmente entre recém-formados em diversos cursos universitários, o que se percebe é a adoção de extremismos e radicalismos, formando-se grupos de combate à opinião diferente, como se essas fossem estragar a sua ilusão de mundo…

Há um fechamento mental seríssimo, impedindo as pessoas de analisar argumentos que poderiam fazer com que entendessem as opiniões diferentes. Só aceitam a unanimidade.

Esquecem que a unanimidade já foi muito bem definida, por Nelson Rodrigues, como burra!

O exemplo diário dessa intolerância que alimenta o ódio pode ser visto no trânsito dos grandes centros urbanos.

ADOLESCENTES

Já entre adolescentes, entretanto, existe a construção natural do amor, e que hoje está muito mais livre e em níveis nunca percebidos antes!

Observem que a relação de amizade com declaração de sentimentos positivos, que antes só era percebido entre meninas, hoje é comum também entre meninos.

Não há mais o receio, que antes havia, de um menino elogiar um colega pela sua beleza física ou pela sua forma de se vestir e de se portar, embora com a utilização de termos menos melosos do que os utilizados pelas meninas, mas ainda assim bem afetivos.

Entre as meninas são os “linda”, “amo você”, etc…

E entre os meninos estão os “tá top mano”, “gatão cara”, etc…

É uma relação afetiva sem medo de discriminações nem de mal-entendido.

Isso mostra que é possível se construir um clima de afeto entre todos, independentemente de serem meninos ou meninas e independentemente de qualquer tipo de atração física ou sexual, coisa que poderá até surgir a partir daí ou bem mais tarde.

Lembrem que estamos falando de afeto e de amor fraternal. Não estamos falando de sexualidade.

Mas o problema vai aparecer quando esses meninos, ao evoluírem academicamente, se deixarem regredir mentalmente, eliminando essa afetividade pura, ingênua e positiva e criando pensamentos extremistas que trocarão, aos poucos, a construção desse amor, pela construção das raízes do ódio social!

A partir do momento em que surge essa troca de objetivos, emoções e sentimentos, tudo fica mais difícil, fazendo surgir a intolerância, a irritabilidade e a agressividade gratuita!

Por isso existe a necessidade de ação imediata, ação interior em cada um de nós, para que a cultura da afetividade, por meio do amor fraternal, seja nosso objetivo de cada dia!

Não interessa se parentes, amigos ou colegas estejam no caminho inverso, porque é o exemplo dado por cada um de nós, por nossas atitudes, que vai acabar estimulando a mudança dessa mentalidade tacanha.

A estratégia para essa construção consiste em aproveitar todas as oportunidades que você tiver para fazer um elogiar a um amigo, para comentar sobre as qualidades dele, para estimulá-lo a desenvolver os seus talentos e, se houver clima, para abraçá-lo!

Nada forçado, por isso o “se houver clima”, mas nada de deixar passar as
oportunidades que surgirem, porque o abraço sempre é uma troca de energia afetiva que amplifica e dá sentido ao amor interior de cada um de nós.

Nesse mesmo sentido é importante ouvir o amigo. Simplesmente ouvir, mas com atenção e dedicação, sem interrompê-lo, procurando se interessar pelo que ele quer expressar.

Esses momentos podem ser definitivos na eliminação de uma carência afetiva de muitos anos! Ter alguém para nos ouvir é o melhor remédio para ansiedades, angústias e estados depressivos!

Se dedicar a ouvir também faz bem a cada um de nós, principalmente quando percebemos o quanto fomos úteis aquele amigo.

Abraçar, ouvir, compreender, estimular e elogiar o amigo traz satisfação para quem recebe, mas também para que faz!

E isso constrói uma segurança emocional que vai servir para aumentar a autoestima e o equilíbrio emocional, não só dele, mas também seu.

Pessoas com autoestima elevada, satisfeitas com a vida e equilibradas emocionalmente, são pessoas que mais facilmente se tornam inteligentes e sábias.

E essa inteligência e essa sabedoria aumentarão ainda mais na medida em que for desenvolvida, não só a capacidade de ouvir o amigo, mas principalmente de ouvir as opiniões diferentes e até contrárias às suas e de analisar todos os argumentos com muita neutralidade.

E não é só pelo fato de ser tolerante com o oposto, mas sim de compreender as razões dessas opiniões e aprender a respeitá-las, mesmo que a sua opinião continue completamente diferente.

É importante estar ciente de que todos têm o direito de ter opiniões diferentes e é bom aprender a respeitar isso em qualquer um.

Agindo assim estaremos construindo um clima de compreensão mútua, que aos poucos poderá reduzir, ou até eliminar, esse clima intolerante e agressivo que estamos vivenciando à nossa volta.

Essa é a minha opinião!

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