IUPE Educação – live – 10-10-2017

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Inteligência

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O início da vida de uma criança – FASE ORAL

Hoje vamos conversar sobre a primeira fase de desenvolvimento da criança, que Freud chamou de fase oral, para que os pais não cometam erros que possam comprometer a saúde psíquica e emocional da criança.

No meu livro, Afetividade na Educação, essa fase está analisada da página 77 até a página 81.

Primeiramente vamos ver o desenvolvimento cerebral da criança

Durante muito tempo as crianças não eram consideradas como seres diferentes nem com características específicas da sua idade.

Elas eram consideradas adultos em crescimento. Ainda há quem pense assim.

Mas estudando o desenvolvimento de seu cérebro, constatamos que suas redes neurais vão sendo formadas e programadas aos poucos, na medida em que seu corpo se desenvolve.

Esse desenvolvimento e a programação dessas redes neurais, embora sigam uma certa sequência lógica, diferem, de criança para criança, devido as diferenças no ambiente em que se encontram.

Importante dizer que chamamos de ambiente, além do espaço físico, as atitudes das pessoas em relação a elas, os sentimentos e emoções nas relações interpessoais e os fatos ocorrendo ao seu redor.

Tudo isso captado pelos elementos sensores, que são: visão, audição, tato, paladar, olfato e mais todos os que não conhecemos ainda.

Tudo isso vai interferir na formação da sua personalidade.

Quando essa relação da criança com o ambiente não é satisfatória, isso interfere também nas futuras neuroses.

Por isso que é imprescindível que pais e educadores conheçam cada fase desse desenvolvimento.

Só assim todos poderão contribuir para que a criança tenha uma vida saudável, tanto na sua parte física, como na sua parte psíquica e emocional.

Sói assim haverá reflexos positivos na formação da sua personalidade.

Vamos ao instinto de imitação

A imitação é a única forma do ser humano construir as suas características comportamentais.

Embora a maioria das outras espécies desenvolva suas características próprias sem precisar imitar seu semelhante, no ser humano isso é parte fundamental do processo de desenvolvimento.

Basta analisarmos os casos históricos de crianças criadas por animais, como os meninos lobo da Índia, para percebermos o ponto a que chega a imitação.

A criança, nessa fase, tem muita dificuldade para entender, tanto o adulto, como o ambiente. Afinal, tudo é novo!

Mas, mesmo não sabendo o que significa nem o ambiente e nem as pessoas, ela observa, tenta imitar gestos, sons e tudo o mais, para se sentir integrada ao meio.

Em relação à fala, ela vai tentando reproduzir o que ouve, se esforçando para chegar a perfeição.

O adulto fala e a criança ouve o som das palavras.

A criança tenta imitar, mas como a musculatura da fala ainda está em desenvolvimento, a reprodução tem muitas falhas, mas ela continua tentando se aperfeiçoar cada vez que o adulto repete o que disse.

É aí que acontece um dos erros dos adultos, que é falar com a criança infantilizando a sua pronúncia, ou seja, imitando a forma da criança falar!

Esse erro só atrapalha a criança, fazendo com que ela demore muito mais a falar de forma correta.

Mas, ainda em relação à imitação, é bom saber que, além de imitar, elas podem, também, pensar de forma própria e agirem de maneira criativa.

Precisamos observar com muito cuidado sua fala e suas atitudes, para procurar perceber se ela está errando, entendendo incorretamente ou criando uma forma diferente de realizar a mesma atividade.

Agora, o instinto de sobrevivência

Voltando aos primeiros dias da vida da criança, para que ela sobreviva, a sua mente programa seu instinto de necessidade de satisfação oral.

Assim ela tentará se satisfazer pela boca, mamando e se alimentando.

Essa satisfação foi a primeira que Freud identificou como resultado da força impulsionadora da libido!

Esse instinto é muito forte!

Se o simples ato de mamar a satisfaz, ótimo! Essa satisfação será a primeira de uma série de satisfações que vão construir, na criança, um equilíbrio emocional fundamental para toda a sua saúde física e psíquica futura!

Mas, se por acaso, o ato de mamar não for suficiente para essa satisfação, a criança vai demonstrar necessidade de continuar sugando ou mordendo.

Nesse caso é importante satisfazer essa necessidade por meio de chupetas e mordedores, já que a insatisfação não compensada, serve como um dos primeiros elementos geradores de neuroses, com reflexos para toda a vida adulta.

A polêmica em relação à chupeta e mordedor deve-se a possibilidade de ambo concorrerem para a má formação da arcada dentária.

Verdade, mesmo que sejam as ortodônticas, etc…

Mas o cuidado com a satisfação oral deve prevalecer nesse caso, ainda mais que isso só será necessário até o final dessa fase, o que vai ocorrer entre um ano e um ano e meio de idade.

Lembro que isso não significa sair enfiando chupeta na boca das crianças, mas sim oferecer apenas àquelas que demonstram não estarem satisfeitas com o simples ato de mamar.

E agora, o instinto exploratório – mãe ser supremo

A criança, nova no mundo, tenta explorá-lo ao máximo!

Ela não pediu para vir ao mundo, como bem disse Heidegger na parte de seu “SER E TEMPO” chamada de Existência Inautêntica do Ser.

Mas, já que ela está, ela quer conhecer tudo e se apoderar de tudo!

Ela tenta se identificar com o mundo e se apropriar dele.

Em seu raciocínio ela, ao se apropriar de tudo, se identifica como centro do universo e, ao mesmo tempo, entende o universo como parte de seu corpo.

Nessa linha de pensamento, sua mãe também está incluída. Ela também faz parte de seu corpo.

Essa criança se sente totalmente dependente da sua mãe.

Lembrem que a criança considera como mãe aquela que provê o seu conforto e a amamenta.

Estando junto dessa mãe, a criança tem certeza de que não está abandonada à própria sorte no mundo.

Quando há essa identificação com a mãe, a ideia absorvida é a que sua mãe é um ser supremo, luminoso, iluminado! Essa identificação é necessária.

Podemos comparar essa necessidade com aquela que leva todos os povos primitivos a criar seus mitos, seus deuses, ou seus super-heróis.

Essa é a primeira “aventura” intelectual do ser humano.

A presença dessa mãe, com a qual ela se identifica, “resolve” o enigma dos mistérios do conhecimento nessa fase.

Essa sensação estabiliza suas possíveis angústias.

E ela cria um bom conceito de si mesma e do mundo. Ela percebe que sua existência é autêntica. Ela faz parte do mundo.

Mas, se não houver essa identificação, como por exemplo, ausência afetiva da mãe, o que acontece?

Esse é o primeiro sinal de uma angústia, já sendo construída na criança, antes mesmo de ela ter completado seu primeiro ano de vida.

Vão surgir dúvidas sobre o mundo e começarão a aparecer as angústias sobre o próprio ato de conhecer.

Essa angústia infantil transforma o mundo, onde a criança acabou de chegar, em um mistério inalcançável e um grande desconhecido.

É a primeira vez que essa criança começa a achar que tem algo errado na sua existência.

Ela começa a desconfiar da mãe e do ambiente.

E, como quase tudo o que ocorre nessa fase, esse sentimento tende a ser projetado em relação à sociedade e ao mundo.

Essa criança tende a se tornar agressiva, perde o entusiasmo e não consegue desenvolver suas competências.

Vamos à imposição de limites

No momento anterior, quando a criança se apropria de tudo, incluindo sobre sua mãe, ela tende a querer mais do que tem e ser mais do que é.

E, para evitar que tais necessidades exploratórias e de apropriação se tornem exageradas e venham a se tornar mais um elemento causador de angústias geradoras de neuroses, começa, agora, a necessidade de que toda a afetividade seja completada com limites.

Havendo imposição de limites, a criança passa a perceber que alguém está se preocupando com ela. Isso constrói o sentimento de segurança.

Afetividade sem limites gera uma desconfiança em relação a todos. Isso porque falta de limites significa falta de cuidado e de atenção, ou seja, sentimento de desprezo e de abandono!

Como exemplo na imposição de limites está a mania de ficar com a criança no colo, principalmente quando ela chora.

Se ao chorar alguém a pega no colo, logico que ela vai querer chorar sempre, para se sentir abraçada em todo seu corpo pelo corpo de um adulto, e isso significa construir total insegurança para com o mundo.

O certo é ir afaga-la, acaricia-la, e tudo o mais, mas com ela no berço ou no carrinho.

Dessa forma ela incorpora o ato de carinho do adulto com a sensação de estar acomodada no colchão.

Assim a criança sente o afago, a carícia, o amor, mas sente, ao mesmo tempo, a proteção física do colchão, significando que aquela segurança afetiva também está ligada ao mundo, representado pelo colchão de seu berço ou carrinho.

Resumindo o que vimos hoje:

Desenvolvimento cerebral da criança:

A criança vai programando seu cérebro, suas redes neurais, sob a influência do meio, ou seja: espaço físico, pessoas, emoções, sentimentos e fatos.

O instinto de imitação

A criança imita, mas não é para ser imitada pelo adulto, principalmente na forma de falar as primeiras palavras. Fala infantilizada de adulto só prejudica o desenvolvimento correto da fala da criança.

O instinto de sobrevivência

A criança precisa satisfazer o prazer de sugar e, para isso, pode haver necessidade de se oferecer chupeta e mordedor. Mas isso somente até o final dessa fase, que vai ocorrer entre os 12 e 18 meses de vida.

O instinto exploratório – mãe ser supremo

A criança inicia a exploração do mundo e tenta se apropriar de tudo. Ao se identificar com a mãe percebe que sua existência é autêntica. Se não se identificar, surge a angústia. Sua existência é inautêntica.

Imposição de limites

Só com o cuidado de ao dar afeto, esse afeto estar sempre acompanhado de uma clara imposição de limites, é que será construído, nessa criança, a segurança afetiva que ela necessita para o seu equilíbrio emocional e, consequentemente, a sua felicidade.

Angústia e reconstrução da vida

Um dos sentimentos mais presentes na vida moderna é a angústia, levando as pessoas a frequentes estados de tristeza e, muitas vezes, ao mergulho depressivo.

Quais serão os motivos que levam as pessoas a caírem nesse estado?
Como evitar essa queda?

E, melhor ainda: como reverter esse estado negativo em estado positivo de reconstrução da própria vida, e descoberta do sentido da sua existência?

Vamos procurar analisar a partir de um pensador meio polêmico, que foi Heidegger.

Esse cara, embora seja muito contestado pelas suas atitudes ligadas ao regime
nazista, pode nos ajudar muito devido as suas reflexões publicadas em “Ser e Tempo”.

Quem leu essa obra poderá recordar esses trechos que vou utilizar nas nossas análises.

Vamos à primeira parte da obra, que ele define como sendo o estudo da “Existência Inautêntica” do ser, e que nos explica muita coisa relacionada às nossas tristezas, ansiedades e angústias.

Quando ele analisa a vida cotidiana, o que mais vem à tona são três momentos muito interessantes, na visão dele, que são a FACTICIDADE, a EXISTENCIALIDADE e a RUÍNA:

Vamos à Facticidade

A facticidade pode ser entendida como a surpresa nossa ao chegar a um mundo que não escolhemos e sem que tenhamos, sequer, expressado vontade alguma de estar aqui.

Essa é a visão particular de Heidegger, contrariando algumas crenças espiritualistas.

Mas, cientificamente, pelo menos por enquanto, a realidade é que viemos para cá sem que alguém nos desse qualquer outra opção.

A facticidade já seria um elemento de existência inautêntica, podendo ser incompatível com nosso EU interior.

Depois vem a Existencialidade

Essa, diferente do existencialismo de Sartre, pode ser entendida como a necessidade permanente do homem de conquistar, ou de “se apropriar” das coisas do mundo, desejando incorporar, à sua existência, algo a mais, algo além dele mesmo.

Essa necessidade o leva a precisar ter mais do que tem, ser mais do que é, o que acaba refletindo na necessidade de precisar ser reconhecido no que faz, ter reciprocidade em seus sentimentos pelos outros, ou seja, se sentir importante para o mundo, podendo chegar ao estado de narcisismo ou ao egocentrismo.

O homem constrói, como objetivo principal, a apropriação de todas essas coisas e sentimentos, o que justificaria a sua existência nesse mundo.

E, por fim, a ruína

A ruína é um processo decorrente da acomodação à vida cotidiana, tornando o homem um escravo da rotina, da consciência coletiva e do envolvimento com problemas e preocupações decorrentes do fato de sua vida ter sido reduzida à vida com os outros e para os outros.

O ser humano se torna promiscuamente público e se desvia do seu projeto essencial, que deveria ser a tarefa de se tornar ele mesmo!

Ele! O conquistador do mundo à sua volta e senhor da sua existencialidade! Tudo isso é perdido devido a esse desvio provocado pelo cotidiano.

A ruína é, então, a demonstração clara de que há toda uma existência inautêntica do ser, construindo o sentimento natural de angústia!

A Angústia

Mas é a partir da angústia que o homem se volta para dentro dele mesmo, observando os “cacos”, ou pedaços que sobraram da sua existência equivocada.

Nesse mergulho interior, provocado pela falta total de ânimo e de motivação, resultante da constatação de que ele se perdeu de sua essência, é que surge a oportunidade de ele começar a juntar seus pedaços e se encontrar com a totalidade do seu ser.

No encontro dessa totalidade ele começa a construir a sua existência autêntica, independentemente do mundo à sua volta, das obrigações sociais, das rotinas, das acomodações e de preocupações criadas por uma cultura de massa.

A angústia, então, que poderia ser um sinal fatalista, passa a ser um elemento impulsionador de sua reconstrução, agora, entretanto, a partir da sua própria verdade interior, uma verdade descoberta a partir da destruição da máscara social que tomava conta de todo o seu EU anterior.

Sua reconstrução, o mergulho interior

A prática da reconstrução tem início na constatação de que, não é o elemento externo que importa, mas sim o elemento interno – a sua verdade interior – e o fortalecimento de tudo o que significa o seu ser autêntico.

Esse mergulho precisa ser de identificação das suas verdades mais profundas, de seus sentimentos mais verdadeiros, de constatação de seus valores e suas virtudes pessoais, da construção de um amor por você mesmo, da satisfação de ser, de estar vivo, se se sentir autêntico, pelo menos com você mesmo!

Mas nesse mergulho esteja sob total controle de sua angústia, agora positiva, realizando exercícios com a musculatura zigomática, que é fazer caretas e massagens faciais de vez em quando, ou sempre que a angústia tentar desviar para a tristeza profunda.

Assim, soma e psique, ou seja, seu corpo e sua mente, começam a ser construídos e fortalecidos a partir da junção dos pedaços que sobraram da existência anterior.

A reconstrução – o soma (corpo)

O soma, o corpo, a estrutura orgânica, precisa estar nutrido corretamente, tanto para o fortalecimento dele mesmo, como para dar suporte ao funcionamento da estrutura neuronal que desenvolve a psique.

Vem, então, o consumo frequente de água, a alimentação balanceada, o cuidado com as intolerâncias e alergias alimentares, e o prazer de saber que a escolha correta do que consumimos, resulta na garantia de uma estrutura saudável. Somos aquilo que comemos.

A reconstrução – a psique (a mente)

Essa nutrição correta estimula o funcionamento perfeito do sistema nervoso como um todo, especialmente as redes neurais controladoras da psique, permitindo a geração e liberação equilibrada, de todos os neurotransmissores, principalmente os responsáveis pelo equilíbrio emocional, disposição, motivação e entusiasmo, que são a serotonina, a dopamina e a noradrenalina.

Mas para que a psique esteja perfeita, além da nutrição adequada, há necessidade de se libertar dos estresses sociais e pessoais.

Os maiores motivadores desses estresses são os problemas pessoais e profissionais a serem enfrentados, o excesso de tempo em qualquer atividade, mesmo prazerosa, e o atual carro chefe de todos eles, que é o excesso de exposição às redes sociais e jogos pela internet.

Jogos e redes sociais, basta limitar tempo e horários.

Atividades diversas basta controlar tempo máximo para cada uma delas.

Problemas, analise se pode resolvê-los. Se puder, resolva logo. Se não puder, respeite-o, mas deixe-o do lado de fora da sua mente.

Já ouvi essa frase algumas vezes, e ela é muito válida: “Um barco não afunda devido a água que está do lado de fora, mas sim devido a água que deixamos que entre nele. ”

No mais, respeite os sinais do organismo.

Sinais do corpo mostram a necessidade de dormir, descansar e reduzir atividades.
Respeite-os. Nada de forçar a natureza.

Sinais da psique surgem em sonhos frequentes com temas repetitivos. É sinal de que há algum sinal de neurose que deve ser verificado. Se não houver meios de procurar um analista, escreva seus sonhos, com todos os seus detalhes, todos os dias, e leia-os sempre. Sua própria mente estará trabalhando para reduzir a energia dessa possível neurose.

E pronto!

Vá em frente, transformado a angústia, que antes era negativa, em um elemento positivo de reconstrução de vida e entendimento mais profundo do verdadeiro sentido da sua existência.

Avaliação como instrumento de igualdade social


Amigos:

Que bom estarmos aqui de novo!

Hoje vamos falar sobre AVALIAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE IGUALDADE SOCIAL!

E vamos iniciar identificando os maiores desafios de hoje, em nosso país, que são:

– A criminalidade comum: o bandido que assalta o povo, com a arma na mão; e

– A criminalidade dos poderosos: os corruptos, em todos os poderes da república, que assaltam o povo, com o poder na mão.

A análise que faremos será a do criminoso comum, com arma na mão:

– Por que e como estão sendo criados esses criminosos?

Primeiro passo para criar esse criminoso: ódio à elite!

Desde criança que esses “futuros criminosos” são levados a criar um sentimento muito forte de “ódio à elite”, independentemente de quem seja elite.

Esse ódio generalizado é dirigido a todos aqueles que possuem alguma coisa a mais que eles, mesmo que essa pessoa tenha tido a mesma origem de baixa renda, mas que tenha, por algum motivo, prosperado por seu próprio esforço.

O ódio passa a ser cego! É melhor que eu, é meu inimigo! Tem mais que eu, é meu inimigo!

O que eles não percebem é que esse ódio está sendo fomentado pela própria elite corrupta, se utilizando de líderes “sabotadores”, estrategicamente preparados para isso.

Muitos desses líderes nem sabem que estão sendo utilizados pela própria elite corrupta…

Por que?

Porque dessa forma as crianças e os adolescentes de classe baixa criam, em suas mentes, que ser elite é ser “do mal”, o que os afasta imediatamente de qualquer esforço para melhorarem de vida, já que, se melhorarem, passarão a ser “elite” e, então, serão “do mal”…

Segundo passo para criar esse criminoso: baixa autoestima!

Para reforçar ainda mais a certeza de que a maioria dos adolescentes oriundos de famílias de baixa renda prosperem na vida, essa mesma liderança sabotadora, inconscientemente manipulada pelo poder corrupto, tenta implantar na mente desses jovens a convicção de que quem nasceu pobre será pobre a vida toda – oportunidades são apenas para a elite…

E grande parte desses adolescentes acredita mesmo nisso e desiste de lutar para reverter a situação de sua família.

Terceiro passo para criar esse criminoso: escola como garantia de bolsa família e diploma para qualquer empreguinho!

Essas crianças e esses adolescentes são matriculados nas escolas. Mas uma parte considerável dessas famílias “sabotadas” matriculam seus filhos única e exclusivamente para garantirem o recebimento do “bolsa família”.

Não há intenção de estimular o filho a se desenvolver intelectualmente, já que se isso ocorrer ele será da elite “do mal”.

Escola apenas para “bolsa família” e para ter um diploma qualquer que garanta algum tipo de emprego…

Muitos desses jovens, sabendo disso, estarão na escola sem qualquer estímulo, e muitas vezes odiando os seus próprios professores, considerados por eles como membros da elite…

Na escola, muitos serão reprovados até serem excluídos ou a abandonarem.

Outros serão “passados” por professores ameaçados, até com armas, ou por promessa de serem assaltados na rua…

É aí que entra a AVALIAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE IGUALDADE SOCIAL:

Ao analisarmos a escola atual e o seu processo avaliativo tradicional, verificamos que tudo o que vem sendo feito tem os seguintes objetivos:

1º selecionar os mais capazes e mais inteligentes;

2º excluir os menos capazes, menos inteligentes, mais desinteressados, incluindo os que apresentam dificuldades de aprendizagem, sejam alunos especiais ou não (mas essa parte deixaremos para comentar em outra oportunidade).

Sabemos que em todas as escolas encontramos alunos interessados e estudiosos, estimulados pelas suas famílias e, portanto, com autoestima elevada, que serão selecionados nesse processo;

Mas enfocaremos apenas aqueles outros, os desinteressados, revoltados com a desigualdade social, e com baixa autoestima, acreditando que nunca vencerão na vida pelo crescimento intelectual.

Se esse aluno é reprovado, devido ao seu baixo rendimento, ele acaba sendo excluído, ou ele mesmo abandona a escola, o que significa que não terá qualquer diploma que facilite encontrar emprego formal.

Esse é um forte candidato a ser empregado pelo crime organizado, onde não se exige diploma, mas sim revolta social.

Se, por outro lado, esse aluno é “passado” pelo professor ameaçado, ele consegue se formar, recebe diploma, mas não adquire qualquer conhecimento que garanta um emprego formal.

Esse, com mais razão ainda, é mais um forte candidato ao crime organizado, se já estiver nele desde a infância.

A AVALIAÇÃO QUE REPROVOU O ALUNO SEM CONHECIMENTO OU QUE O APROVOU POR ALGUMA IMPOSIÇÃO, ACABA DE AJUDAR A AMPLIAR A DESIGUALDADE SOCIAL, AUMENTANDO O NÚMERO DE CRIMINOSOS COMUNS, QUE ESTARÃO, COM ARMA NA MÃO, ASSALTANDO EM TODAS AS ESQUINAS.

Como interferir para eliminar a geração desses criminosos e garantir a igualdade social?

O único ponto de convergência de todos é a escola.

Mas a escola tradicional, como sabemos, não está dando conta desse desafio.

Mas por que razão?

Todos dirão que é pela falta total de educação doméstica, que esses alunos já chegam revoltados na escola, e que muitos já estão desde cedo, envolvidos com o crime.

Ou seja: a família, ou a ausência dela, é a razão de tudo isso!

Sim! É verdade! Essa parte já sabemos!

Mas eles entraram na escola, e a partir daí surge a grande oportunidade de se mudar toda essa realidade!

Mas vamos conseguir isso apesar desse tipo de família?

Realmente é um enorme desafio, mas é um desafio a ser enfrentado, e nunca abandonado!

Mas não é só “1” desafio. Na realidade são “3”!

Primeiro: o aluno.

Segundo: a família.

Terceiro: o líder sabotador, que agora ataca na própria escola, como um dos professores, normalmente revoltado com ele mesmo, com a vida e com a sociedade, e que vai tentar, a todo custo, baixar a autoestima de todos os alunos e criar em suas mentes o tal ódio à elite, generalizando como elite, todos os que têm algo a mais do que ele…

A família terá que ser trabalhada com um PROGRAMA DE TREINAMENTO PARENTAL.

Os líderes sabotadores devem ser reconstruídos com um PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA.

E a formação dos alunos deverá ser realizada a partir de uma mudança total na FILOSOFIA DA AVALIAÇÃO ESCOLAR.

Vamos enfocar essa parte: A AVALIAÇÃO ESCOLAR

Com muitas exceções, é claro, muitos professores estão na profissão apenas porque não conseguiram encontrar outra forma de sustentar sua família!

Exatamente por não terem o verdadeiro “dom” da profissão, esses enfrentam o seu dia-a-dia como se estivesse indo para uma batalha, onde sua arma se chama AVALIAÇÃO – NOTA – AMEAÇA DE REPROVAÇÃO – etc…

Seus alunos são seus inimigos.

Seus aliados são apenas os “nerds”, aqueles bem-educados e estimulados pelas suas famílias, com elevada autoestima, mas esses, na realidade, nem precisam de professor…

Um simples computador ajuda muito mais esses alunos do que um professor…

Então, a AVALIAÇÃO ESCOLAR é uma ARMA para esse tipo de prática docente.

Como mudar isso?

PRECISAMOS APRENDER A PRATICAR A AVALIAÇÃO, NUNCA COMO ARMA, MAS COMO INSTRUMENTO DE IGUALDADE SOCIAL, ou seja:

  1. Usar a avaliação para avaliar DE VERDADE cada aluno, descobrindo a dificuldade de cada um, e nunca para excluir ou selecionar;

Resultados das avaliações são alarmes para que nós, professores, identifiquemos quais são os alunos que precisam de toda uma alteração na nossa metodologia, ou alguma ajuda externa, como apoio psicopedagógico, psicológico, ou até AEE, por exemplo.

  1. Estimular cada aluno proveniente de famílias em situação de risco social, para que se livrem do efeito pernicioso das propagandas negativas que os deixam na certeza de que nunca competirão com os filhos dos ricos;

Isso pode ser feito por meio de palestras específicas, elevando a autoestima desses alunos e mostrando casos reais de evolução intelectual ou financeira, de pessoas provenientes das classes menos favorecidas.

  1. Criar metodologias educacionais que façam com que o aluno se sinta responsável e no controle do seu processo de aprendizagem, estimulando a criatividade, a descoberta e a inventividade, sempre com a orientação docente, e de forma que ele mesmo possa estar participando do seu próprio processo de avaliação.

O método mais apropriado que encontrei até hoje, depois de tentar muitos outros, foi o de aula por meio de grupos operativos, quando adaptei a técnica desenvolvida por Pichon Riviere.

Tem vídeos meus mostrando isso.

É FÁCIL?

Fácil até que é! Mas dá, realmente, muito trabalho e precisa de muita criatividade e dedicação.

E, para isso, temos que mudar toda a filosofia da educação em sala de aula e, mais ainda, precisamos que as famílias sejam orientadas a, no mínimo, não atrapalharem todo o processo.

Para ajudar, assistam ao filme ESCRITORES DA LIBERDADE.

É um caso real. É apenas um exemplo de criatividade para reverter toda uma realidade social.

Outro filme a ser assistido: COMO ESTRELAS NA TERRA.

Para mudar não precisa eliminar carteiras escolares, não precisa ter aula fora da sala, não precisa não ter professor artista, embora tudo isso possa ajudar muito!

Precisa apenas que cada professor se dedique a entender cada aluno, e que todos os professores se convençam de que cada um deles é uma experiência profissional, ou seja, é um projeto para sua evolução na prática docente!

Mas, lembre:

Sempre é bom estarmos atentos aos sabotadores que, muitas vezes, estão do nosso lado, dizendo que nada disso vai dar certo, que, na teoria, tudo isso é lindo, mas, na prática, nada funciona…

Pois é, amigos…

Garanto que funciona!

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