Angústia e reconstrução da vida

Um dos sentimentos mais presentes na vida moderna é a angústia, levando as pessoas a frequentes estados de tristeza e, muitas vezes, ao mergulho depressivo.

Quais serão os motivos que levam as pessoas a caírem nesse estado?
Como evitar essa queda?

E, melhor ainda: como reverter esse estado negativo em estado positivo de reconstrução da própria vida, e descoberta do sentido da sua existência?

Vamos procurar analisar a partir de um pensador meio polêmico, que foi Heidegger.

Esse cara, embora seja muito contestado pelas suas atitudes ligadas ao regime
nazista, pode nos ajudar muito devido as suas reflexões publicadas em “Ser e Tempo”.

Quem leu essa obra poderá recordar esses trechos que vou utilizar nas nossas análises.

Vamos à primeira parte da obra, que ele define como sendo o estudo da “Existência Inautêntica” do ser, e que nos explica muita coisa relacionada às nossas tristezas, ansiedades e angústias.

Quando ele analisa a vida cotidiana, o que mais vem à tona são três momentos muito interessantes, na visão dele, que são a FACTICIDADE, a EXISTENCIALIDADE e a RUÍNA:

Vamos à Facticidade

A facticidade pode ser entendida como a surpresa nossa ao chegar a um mundo que não escolhemos e sem que tenhamos, sequer, expressado vontade alguma de estar aqui.

Essa é a visão particular de Heidegger, contrariando algumas crenças espiritualistas.

Mas, cientificamente, pelo menos por enquanto, a realidade é que viemos para cá sem que alguém nos desse qualquer outra opção.

A facticidade já seria um elemento de existência inautêntica, podendo ser incompatível com nosso EU interior.

Depois vem a Existencialidade

Essa, diferente do existencialismo de Sartre, pode ser entendida como a necessidade permanente do homem de conquistar, ou de “se apropriar” das coisas do mundo, desejando incorporar, à sua existência, algo a mais, algo além dele mesmo.

Essa necessidade o leva a precisar ter mais do que tem, ser mais do que é, o que acaba refletindo na necessidade de precisar ser reconhecido no que faz, ter reciprocidade em seus sentimentos pelos outros, ou seja, se sentir importante para o mundo, podendo chegar ao estado de narcisismo ou ao egocentrismo.

O homem constrói, como objetivo principal, a apropriação de todas essas coisas e sentimentos, o que justificaria a sua existência nesse mundo.

E, por fim, a ruína

A ruína é um processo decorrente da acomodação à vida cotidiana, tornando o homem um escravo da rotina, da consciência coletiva e do envolvimento com problemas e preocupações decorrentes do fato de sua vida ter sido reduzida à vida com os outros e para os outros.

O ser humano se torna promiscuamente público e se desvia do seu projeto essencial, que deveria ser a tarefa de se tornar ele mesmo!

Ele! O conquistador do mundo à sua volta e senhor da sua existencialidade! Tudo isso é perdido devido a esse desvio provocado pelo cotidiano.

A ruína é, então, a demonstração clara de que há toda uma existência inautêntica do ser, construindo o sentimento natural de angústia!

A Angústia

Mas é a partir da angústia que o homem se volta para dentro dele mesmo, observando os “cacos”, ou pedaços que sobraram da sua existência equivocada.

Nesse mergulho interior, provocado pela falta total de ânimo e de motivação, resultante da constatação de que ele se perdeu de sua essência, é que surge a oportunidade de ele começar a juntar seus pedaços e se encontrar com a totalidade do seu ser.

No encontro dessa totalidade ele começa a construir a sua existência autêntica, independentemente do mundo à sua volta, das obrigações sociais, das rotinas, das acomodações e de preocupações criadas por uma cultura de massa.

A angústia, então, que poderia ser um sinal fatalista, passa a ser um elemento impulsionador de sua reconstrução, agora, entretanto, a partir da sua própria verdade interior, uma verdade descoberta a partir da destruição da máscara social que tomava conta de todo o seu EU anterior.

Sua reconstrução, o mergulho interior

A prática da reconstrução tem início na constatação de que, não é o elemento externo que importa, mas sim o elemento interno – a sua verdade interior – e o fortalecimento de tudo o que significa o seu ser autêntico.

Esse mergulho precisa ser de identificação das suas verdades mais profundas, de seus sentimentos mais verdadeiros, de constatação de seus valores e suas virtudes pessoais, da construção de um amor por você mesmo, da satisfação de ser, de estar vivo, se se sentir autêntico, pelo menos com você mesmo!

Mas nesse mergulho esteja sob total controle de sua angústia, agora positiva, realizando exercícios com a musculatura zigomática, que é fazer caretas e massagens faciais de vez em quando, ou sempre que a angústia tentar desviar para a tristeza profunda.

Assim, soma e psique, ou seja, seu corpo e sua mente, começam a ser construídos e fortalecidos a partir da junção dos pedaços que sobraram da existência anterior.

A reconstrução – o soma (corpo)

O soma, o corpo, a estrutura orgânica, precisa estar nutrido corretamente, tanto para o fortalecimento dele mesmo, como para dar suporte ao funcionamento da estrutura neuronal que desenvolve a psique.

Vem, então, o consumo frequente de água, a alimentação balanceada, o cuidado com as intolerâncias e alergias alimentares, e o prazer de saber que a escolha correta do que consumimos, resulta na garantia de uma estrutura saudável. Somos aquilo que comemos.

A reconstrução – a psique (a mente)

Essa nutrição correta estimula o funcionamento perfeito do sistema nervoso como um todo, especialmente as redes neurais controladoras da psique, permitindo a geração e liberação equilibrada, de todos os neurotransmissores, principalmente os responsáveis pelo equilíbrio emocional, disposição, motivação e entusiasmo, que são a serotonina, a dopamina e a noradrenalina.

Mas para que a psique esteja perfeita, além da nutrição adequada, há necessidade de se libertar dos estresses sociais e pessoais.

Os maiores motivadores desses estresses são os problemas pessoais e profissionais a serem enfrentados, o excesso de tempo em qualquer atividade, mesmo prazerosa, e o atual carro chefe de todos eles, que é o excesso de exposição às redes sociais e jogos pela internet.

Jogos e redes sociais, basta limitar tempo e horários.

Atividades diversas basta controlar tempo máximo para cada uma delas.

Problemas, analise se pode resolvê-los. Se puder, resolva logo. Se não puder, respeite-o, mas deixe-o do lado de fora da sua mente.

Já ouvi essa frase algumas vezes, e ela é muito válida: “Um barco não afunda devido a água que está do lado de fora, mas sim devido a água que deixamos que entre nele. ”

No mais, respeite os sinais do organismo.

Sinais do corpo mostram a necessidade de dormir, descansar e reduzir atividades.
Respeite-os. Nada de forçar a natureza.

Sinais da psique surgem em sonhos frequentes com temas repetitivos. É sinal de que há algum sinal de neurose que deve ser verificado. Se não houver meios de procurar um analista, escreva seus sonhos, com todos os seus detalhes, todos os dias, e leia-os sempre. Sua própria mente estará trabalhando para reduzir a energia dessa possível neurose.

E pronto!

Vá em frente, transformado a angústia, que antes era negativa, em um elemento positivo de reconstrução de vida e entendimento mais profundo do verdadeiro sentido da sua existência.

Job and Career choice and the Allegory of the Cave

Every time people ask me about careers and jobs I immediately remember Plato’s Allegory of the Cave, and the Matrix.

Inside the cave, you cannot see reality but phantoms. This is the Matrix reality.

If you keep yourself inside the cave, your choices will be based only on the shadows, projected by a political system, for the sake of the system itself, but never for the sake of the individuals.

When you see the options, they seem to be a strategy for a standard collective consciousness, quite convenient to the Matrix dominating system.

Society suggestions are to choose the job, which will bring you more money and greater employment facilities.

So, doing this way, your job, your career, your work, will be aiming at a social goal, but not yours.

They don’t mind if you want to make difference in the world.

They don’t mind on you.

The result will always be: you will be slave of the money and of the system.

In fact, slave of Matrix.

Your feelings are that you are going to a daily sacrifice, to get money at the end of the month, to live.

It is the Allegory of the Cave, created by Plato, and very well represented by MATRIX!

Your life is made up of a few happy moments, generously allowed by the system, inside a reality of daily sacrifice, plenty of problems, stress, and so on…

While you’re inside the cave, you’re just a slave of MATRIX.

What can happen if you leave the cave?

Each of us has an inner reality that needs to be discovered, stimulated and respected.

Your reality will be discovered only when you get free from the cave.

The cave make all of us very blind, with no conditions to find the way out.

Leaving the cave, you can see, there is another meaning for life, quite different from that one, designed by Matrix, inside the cave.

Outside cave, you realize that you can reverse the concepts about lack of happiness.

Leaving the cave is, then, the first step to be taken. You will be by yourself.

The second step is analyzing who you are, for sure, going very deep inside yourself.

The third step is to identify your feelings, your emotions, your sensations, totally free from outside opinions.

You have achieved the point in which you are able to start making your correct choices.

Job and career are your very most important choice.

It will define your life.

Choose your job looking for an activity that brings you pleasure all time, every day.

You will not wake up to go to work.

You will wake up to go to your pleasure!

You will wake up to make difference in the world!

Choose your job to bring you the sensation of being acquiring and transmitting knowledge.

Choose your job to bring you the feeling that you are generating and sharing love.

Choosing your job this way, you will be building the road of real happiness.

I’m sure that’s the very best way!

Good luck!

Reflexões sobre a angústia no relacionamento amoroso


Amigos,

Por que, por vezes, surge um forte sentimento de angústia no meio de um relacionamento amoroso? O que há de errado nessa relação? Qual o motivo dessa sensação de infelicidade que, algumas vezes, chega a ser insuportável?

Vamos analisar uma das razões pelas quais essa angústia pode surgir, para que esse mal seja evitado.

Nas reflexões sobre o Sentido da Vida percebe-se que o objetivo diário de alguém que pretende ser feliz, é a construção do seu amor interior.

E essa construção do amor interior, deve ser feita de uma forma quase que egoísta, para que seja garantido o mais perfeito equilíbrio emocional.

Uma vez construído esse amor interior, surgem as oportunidades de compartilhá-lo.
Não há sentido na construção do amor sem que seja para compartilhá-lo.

Isso é muito bom, mas é exatamente a partir desse compartilhamento que podem surgir os perigos do desequilíbrio.

Não, exatamente, por compartilhar, mas sim por criar, inconscientemente, a necessidade de ser correspondido, ou seja, de receber de volta o mesmo amor e com a mesma intensidade!

Ao criar essa necessidade surge uma dependência afetiva séria e perigosa, fazendo com que a satisfação pessoal que havia sido conquistada por meio da construção do amor interior, seja substituída pela necessidade de receber amor externo, amor recíproco, com a mesma intensidade do que foi transmitido.

Aos poucos, essa dependência se transforma em sentimento de posse, quando surge o sentimento de ciúme, que pode alcançar níveis quase doentios.

Isso ocorre porque a simples constatação de que seu amor não é correspondido traz o sentimento de insegurança afetiva, fazendo surgir o estado depressivo característico de um desequilíbrio emocional.

Essa é uma das causas da angústia em pleno relacionamento amoroso.

A constatação dessa angústia é o alarme para voltarmos ao início de tudo, refazer todo o planejamento da vida afetiva e emocional, para consertar tudo de novo!
Sim!

Voltar ao início da construção do amor interior! Tudo de novo! Começando com a energização de todas as células, e uma revisão completa no planejamento dos objetivos do seu dia.

Afinal, tudo estava dando certo até que, ao compartilhar seu amor você sentiu necessidade de receber esse amor de volta e com a mesma intensidade.

Você, na realidade, não compartilhou!

Você estava vendendo o amor que construiu, e quem vende quer receber o pagamento.

O pagamento é o recebimento da mesma intensidade do amor entregue.

Isso é comércio de afetos. Não é amor!

E esse é um dos maiores erros do ser humano. Um erro que impede, a maioria das pessoas, de alcançar a felicidade.

Seu estado de felicidade depende sempre da complementação do amor recebido do outro!
Fragilidade total de sentimentos. Instabilidade nas emoções. Falta de segurança em si mesmo! Ausência de amor próprio!

As pessoas são levadas a esse erro de tanto ouvirem falar que cada um de nós precisa achar a outra metade da nossa maçã.

Que precisamos, para nossa satisfação interior, encontrar o complemento de nossa alma!

Nada disso, amigos!

A construção do amor é individual e é uma coisa muito séria.

Para isso precisamos, antes de tudo, entender quem somos, como somos, como sentimos, sem esconder nada de nós mesmos.

Ter consciência da nossa verdadeira identidade nos permite amar essa nossa identidade!

Ninguém tem o direito de interferir na nossa forma de gostar de nós mesmos como somos.

Nada de querer que os outros nos aceitem, nem que gostem de nós como somos! Nós é que temos que gostar de nós mesmo e de como somos!

E para isso não precisamos aparecer, criar imagens diferentes, chamar a atenção de ninguém, chocar o outro, impressionar o mundo!

Precisamos, apenas, conhecer nossa real identidade interior e criar o amor por nós mesmos.

E, a partir disso, estaremos prontos para transmitir esse amor ao outro, pelo simples prazer de dar amor ao outro, sem necessidade alguma de receber algo em troca!

Mas para isso precisamos nos libertar do grande erro humano, que é a necessidade do reconhecimento e do agradecimento por aquilo que fazemos.

Enquanto estivermos nesses níveis de necessidade, nunca seremos felizes de verdade!

Como fazer isso?

Vamos a uma técnica que aprendo com meu avô, que sempre foi a pessoa mais feliz que já vi em minha vida.

Escolha alguma pessoa que esteja em uma situação de dificuldades e que você, se fizer um pequeno esforço, poderá ajudá-la a sair dessa.

Analise de que forma você, de forma totalmente anônima, poderá dar essa ajuda.

Importante planejar essa ajuda de forma que essa pessoa nunca saiba que foi você quem a ajudou. Mas nunca mesmo!

Isso significa que sua ajuda vai ser entendida como uma graça recebida, mas sem nenhuma relação com você.

Nunca essa pessoa terá condições de ligar a ajuda a você. Mas ela estará feliz por ter recebido essa graça.

Você acompanhará a mudança no estado emocional dela, mas de longe! Analisará se suas atitudes foram suficientes para melhorar a vida dela, ou se precisa continuar a ajuda ou mudar a forma da ajuda, sem poder, jamais, receber algum agradecimento nem reconhecimento, já que você faz isso de forma totalmente anônima.

Sua satisfação por ter tido sucesso nessa empreitada é o que você precisa para se livrar desse grande erro humano.

Conseguindo isso você realmente evoluiu.

Essa evolução mental é a que permitirá alcançar os maiores níveis de felicidade real.

Conseguimos melhorar a vida do outro, sem que o outro sequer saiba quem somos nós e, por vezes, nem nos conheça.

Isso é amor verdadeiro. Amor que nos liberta da necessidade de ser correspondido!
Amor que nos liberta das angústias, das tristezas, dos estados depressivos e de tudo o mais que tanto aflige o ser humano normal…

Não seja um ser humano normal…

Dê oportunidade à sua felicidade, dela existir de verdade!

Reflexões sobre o Sentido da Vida

Amigos,

Qual o sentido da vida? O que somos? Quem somos? Por que somos? Temos uma missão ou estamos aqui por mero acaso? Somos uma evolução ou somos uma criação?

Dar uma resposta para isso é o desejo de muitos cientistas, entre eles Stephen Hawking, em seu livro “O Grande Projeto”, quando ele disse que, em sua obra, essa resposta não será “42”!

“42”?

Sim! Quem leu o “Guia do Mochileiro das Galáxias” de Douglas Adams, sabe que, ao perguntarem ao robô sobre o sentido da vida, do universo e tudo mais, ele deu um prazo de milhares de anos para realizar os cálculos e descobrir a resposta. Ao final, sua resposta foi: “42”!

Mas não pretendemos ir tão longe! Nem imitar Douglas Adams, nem tentar explicar as ideias de Stephen Hawking!

Queremos coisa mais leve, coisa mais dentro de um entendimento normal, bem próximo de nossos sentimentos e emoções.

E para isso vamos procurar entender, inicialmente:

Quem você é, ou o que você é, de fato para, em seguida, entender como fazer para se comunicar com o seu próprio eu!

Sempre acreditamos que somos uma unidade única, que somos donos de nós mesmos, e que controlamos nossas ideias, nossos pensamentos e nossos impulsos.

Nada disso!

Somos um imenso conjunto de quase 100 trilhões de seres vivos, vivos mesmo, e que chamamos de células.

E tem mais!

Tudo o que pensamos, fazemos, falamos e decidimos, nada mais é do que o resultado de uma infinidade de cálculos, realizados por uma programação de algoritmos complicadíssima, tudo isso processado por milhões de redes neurais, em parceria com essas trilhões de células espalhadas por todo o nosso corpo!

Isso tudo somos nós! Ou seja: gerenciamos essa infinidade de seres, cada um deles com sua própria programação de vida e todos imprescindíveis, para que o conjunto, ou seja, aquilo que chamamos de “eu”, em cada um de nós, possa existir!

Para controlar tudo isso existe um comando central. A ciência médica, contestando alguns filósofos, tirou esse controle do coração e o levou para o cérebro.

Mas parece que os filósofos estavam certos… Pesquisas recentes contestam os contestadores e levam o controle central de volta para o coração.

Essa é a nova realidade, que vem sendo estudada desde que foram identificadas sérias mudanças de comportamento, personalidade e temperamento, por parte de pessoas que receberam um coração transplantado.

Em outro momento falaremos sobre isso.

Nosso cérebro, então, pode ser entendido como?

A fabulosa máquina que processa todas os comandos motores, pensamentos, raciocínios, decisões e tudo o mais.

Tudo, entretanto, de acordo com uma característica pessoal, uma identidade real, um eu verdadeiro que, ao que tudo indica, está no coração.

E imaginem que no coração temos apenas 40.000 células neurais, mas essas 40.000 emitem um campo magnético 5.000 vezes mais intenso que todo o campo magnético emitido pelas quase 100 bilhões de células neurais existentes em nosso cérebro!

Ou seja, o coração tem uma importância fundamental no comando da nossa mente, embora ele tenha sido estudado, durante tanto tempo, como uma simples bomba para fazer circular o sangue pelo corpo…

Somos, então, o que nosso coração é!

Saber disso já é um bom começo, para darmos a devida importância a esse órgão.

Sabemos que nossas emoções são sentidas pelo coração. Isso é muito claro para nós.

Então, estarmos bem, emocionalmente, pode ser a chave para que toda a nossa mente, que engloba o coração, o cérebro e todo o DNA espalhado por cada parte do nosso corpo, funcione em toda a sua plenitude!

Mas quem, ou o que, vai estimular toda essa máquina, composta por corpo e mente, a cumprir corretamente suas programações, evitando assim todos os males comuns em nosso dia-a-dia, incluindo doenças, neuroses, tristezas, angústias, estados depressivos, e tudo o mais?

É exatamente aí que entra a nossa consciência! A consciência programadora.

Se nos dedicarmos a dar o devido valor ao coração e a todas as nossas células, estaremos programando uma vida mais saudável e mais feliz.

E se fizermos isso diariamente, teremos vida mais saudável e mais feliz, diariamente!

Então basta começar o dia com uma concentração mental forte, direcionada ao coração e a todas as células do corpo, procurando sentir a sua vibração.

Isso pode ser feito a qualquer momento, mas minha preferência é logo após acordar.
Acordar, ir ao banheiro, beber um copo d’água e deitar novamente.

Nessa posição, sem precisar forçar qualquer músculo, em relaxamento total.

Mentalizar até sentir a vibração das células, como se todas elas estivessem respondendo ao nosso chamado.

Sentir a geração das suas energias por todo o nosso corpo.

No início pode ser que sejam sentidas poucas vibrações. Por vezes sente-se apenas a vibração das células dos pés. Mas com o passar dos dias o efeito já é sentido por todo o corpo.

E durante essa vibração mentalize seus melhores desejos, porque essa energia transpassa o corpo e se projeta no ambiente e nas pessoas.

Imagine sua saúde perfeita, sua memória perfeita, sua capacidade de amar a si mesmo e sua capacidade de compartilhar seu amor com os outros e com o mundo, etc. Imagine tudo de bom!

Imagine sua prosperidade, o sucesso de todos os seus empreendimentos, estudo, trabalho, família, amigos.

Lembre-se de passar alguns minutos em silencio, curtindo essa vibração celular, cujo prazer se torna mais intenso a cada dia.

É você se comunicando com todo o seu ser, com a verdadeira essência de sua vida.

É você gerando, com a parceria de todas as células, a energia do seu amor interior.

Esse amor que traz sentido à sua própria vida e que, ao ser compartilhado, levará também mais sentido à vida dos que convivem com você.

Esse é o primeiro passo para a construção do amor interior, que vai ser imprescindível, para a harmonia entre mente e corpo.

Essa harmonia vai ajudar bastante na compreensão de todos os desafios que possam aparecer daqui por diante.

A partir dessa sensação de prazer diária, suas próprias células estarão agradecendo essa parceria, e o conjunto corpo e mente estará trabalhando a seu favor.

Esse processo pode ser entendido como o da construção do verbo fundamental, que traz, como sentido da vida, amar e conhecer.

Amar, porque você cria, de forma permanente, o seu amor interior.

Conhecer, porque com a energia do amor você tem mais disposição e empolgação para praticar o conhecer.

E com amor verdadeiro e conhecimento de mundo, surge a sabedoria.

Essa sabedoria se desenvolve quando ao verbo original se junta o compartilhar.

Amar – conhecer – compartilhar

Fazendo isso a cada dia, como se fosse o único, a construção da felicidade passa a ser o sentido da vida.

Pensem muito nisso, amigos!

E sejam felizes!

Amigos,

Os bárbaros crimes que estamos observando hoje entre presidiários de alta periculosidade parecem estar espantando a todos.

Eu, na realidade, já esperava por isso! Não exatamente nesse nível de barbaridades, com detalhes piores do que muitos filmes de terror!

Mas é óbvio que, se há ódio na sociedade aqui fora, entre pessoas consideradas normais, como achar que esse ódio não será pior e mais forte ainda entre pessoas que escolheram o mundo dos crimes?

Só que acaba existindo uma relação entre a intolerância aqui fora e a barbaridade dos crimes lá dentro, aumentando, aqui e lá, esse clima de insegurança e agressividade gratuita!

Os fatos estão se somando!

Por isso que, a partir desses fatos, precisamos todos estar muito atentos aos fatores que estão permitindo a construção do ódio social, essa construção que está ocorrendo principalmente entre adultos, e que está trazendo insegurança a todos nós.

Essa atenção deve começar dentro de nós mesmos, para evitar que sejamos contaminados por essa intolerância crescente e agressiva.

Esse mal está tão disseminado que é muito comum percebermos que simples opiniões diferentes estão transformando amigos em inimigos!

A partir disso é bom começarmos a tomar um certo cuidado, não ao ponto de ficar neurótico, mas tomar um certo cuidado, com os ambientes que frequentamos, com o comportamento das pessoas que nos cercam e com a maneira como procedemos em relação a pessoas desconhecidas, para evitar que atitudes nossas possam sejam entendidas como atitudes de provocação.

Agindo dessa forma estaremos evitando que essa verdadeira “onda agressiva” chegue até nós.

Embora esse clima esteja sendo montado há muitos anos em nosso país, principalmente devido a uma, nem sempre sutil, parceria entre Estado e o Crime Organizado, não é hora de falar das responsabilidades do que está havendo, mas sim da forma como podemos tentar sobreviver a isso.

Quando falo “Estado” estou me referindo ao sistema governamental como um todo, envolvendo autoridades do executivo, do judiciário e, mais evidente ainda, do legislativo, com congressistas totalmente patrocinados pelo tráfico de drogas.

Mas vou me concentrar em nós, pessoas normais e, mais importante ainda, falo para meus amigos e alunos adolescentes, seus pais e seus professores, para que a nossa parte seja feita imediatamente, e assim, aos poucos, construirmos uma sociedade mais humana, mais responsável, mais honesta e com mais caráter!

Se vocês repararem bem, a solução existe, porque, ao mesmo tempo em que se constrói o ódio (mais frequente entre adultos), está havendo, também, a construção do amor, só que esse amor mais concentrado na faixa etária da adolescência!

E é aí que se encontra a solução! O foco deve ser o adolescente, onde a cultura do amor já existe naturalmente e ainda não foi deformada pela má influência do adulto mal resolvido!

Focando nesse amor como cultura social a ser implantada, estaremos reduzindo, ou até eliminando, o espaço que hoje está sendo utilizado como cultura do ódio!

Vamos analisar?

ADULTOS

Entre os adultos está frequente a parte da construção do ódio!

Observamos desavenças sérias e discussões acaloradas entre amigos (que acabam se tornando ex-amigos ou inimigos) por causa de opiniões diferentes em relação a um mesmo assunto.

Ninguém aceita que um amigo possa discordar de suas opiniões políticas, esportivas, religiosas, ou sobre qualquer outro assunto. Se alguém tem opinião diferente é considerada ignorante, desinformada, mal caráter.

Principalmente entre recém-formados em diversos cursos universitários, o que se percebe é a adoção de extremismos e radicalismos, formando-se grupos de combate à opinião diferente, como se essas fossem estragar a sua ilusão de mundo…

Há um fechamento mental seríssimo, impedindo as pessoas de analisar argumentos que poderiam fazer com que entendessem as opiniões diferentes. Só aceitam a unanimidade.

Esquecem que a unanimidade já foi muito bem definida, por Nelson Rodrigues, como burra!

O exemplo diário dessa intolerância que alimenta o ódio pode ser visto no trânsito dos grandes centros urbanos.

ADOLESCENTES

Já entre adolescentes, entretanto, existe a construção natural do amor, e que hoje está muito mais livre e em níveis nunca percebidos antes!

Observem que a relação de amizade com declaração de sentimentos positivos, que antes só era percebido entre meninas, hoje é comum também entre meninos.

Não há mais o receio, que antes havia, de um menino elogiar um colega pela sua beleza física ou pela sua forma de se vestir e de se portar, embora com a utilização de termos menos melosos do que os utilizados pelas meninas, mas ainda assim bem afetivos.

Entre as meninas são os “linda”, “amo você”, etc…

E entre os meninos estão os “tá top mano”, “gatão cara”, etc…

É uma relação afetiva sem medo de discriminações nem de mal-entendido.

Isso mostra que é possível se construir um clima de afeto entre todos, independentemente de serem meninos ou meninas e independentemente de qualquer tipo de atração física ou sexual, coisa que poderá até surgir a partir daí ou bem mais tarde.

Lembrem que estamos falando de afeto e de amor fraternal. Não estamos falando de sexualidade.

Mas o problema vai aparecer quando esses meninos, ao evoluírem academicamente, se deixarem regredir mentalmente, eliminando essa afetividade pura, ingênua e positiva e criando pensamentos extremistas que trocarão, aos poucos, a construção desse amor, pela construção das raízes do ódio social!

A partir do momento em que surge essa troca de objetivos, emoções e sentimentos, tudo fica mais difícil, fazendo surgir a intolerância, a irritabilidade e a agressividade gratuita!

Por isso existe a necessidade de ação imediata, ação interior em cada um de nós, para que a cultura da afetividade, por meio do amor fraternal, seja nosso objetivo de cada dia!

Não interessa se parentes, amigos ou colegas estejam no caminho inverso, porque é o exemplo dado por cada um de nós, por nossas atitudes, que vai acabar estimulando a mudança dessa mentalidade tacanha.

A estratégia para essa construção consiste em aproveitar todas as oportunidades que você tiver para fazer um elogiar a um amigo, para comentar sobre as qualidades dele, para estimulá-lo a desenvolver os seus talentos e, se houver clima, para abraçá-lo!

Nada forçado, por isso o “se houver clima”, mas nada de deixar passar as
oportunidades que surgirem, porque o abraço sempre é uma troca de energia afetiva que amplifica e dá sentido ao amor interior de cada um de nós.

Nesse mesmo sentido é importante ouvir o amigo. Simplesmente ouvir, mas com atenção e dedicação, sem interrompê-lo, procurando se interessar pelo que ele quer expressar.

Esses momentos podem ser definitivos na eliminação de uma carência afetiva de muitos anos! Ter alguém para nos ouvir é o melhor remédio para ansiedades, angústias e estados depressivos!

Se dedicar a ouvir também faz bem a cada um de nós, principalmente quando percebemos o quanto fomos úteis aquele amigo.

Abraçar, ouvir, compreender, estimular e elogiar o amigo traz satisfação para quem recebe, mas também para que faz!

E isso constrói uma segurança emocional que vai servir para aumentar a autoestima e o equilíbrio emocional, não só dele, mas também seu.

Pessoas com autoestima elevada, satisfeitas com a vida e equilibradas emocionalmente, são pessoas que mais facilmente se tornam inteligentes e sábias.

E essa inteligência e essa sabedoria aumentarão ainda mais na medida em que for desenvolvida, não só a capacidade de ouvir o amigo, mas principalmente de ouvir as opiniões diferentes e até contrárias às suas e de analisar todos os argumentos com muita neutralidade.

E não é só pelo fato de ser tolerante com o oposto, mas sim de compreender as razões dessas opiniões e aprender a respeitá-las, mesmo que a sua opinião continue completamente diferente.

É importante estar ciente de que todos têm o direito de ter opiniões diferentes e é bom aprender a respeitar isso em qualquer um.

Agindo assim estaremos construindo um clima de compreensão mútua, que aos poucos poderá reduzir, ou até eliminar, esse clima intolerante e agressivo que estamos vivenciando à nossa volta.

Essa é a minha opinião!

Felicidade conjugal em “O Livro de uma Sogra”


Amigos,

Sempre que eu reúno professores, a cada início de ano letivo, deixo claro que, para termos sucesso em nossos objetivos precisamos aprender a gostar do aluno e gostar de ensinar.

Mas sempre lembro que nenhum de nós conseguirá fazer isso se não estiver bem resolvido emocionalmente, o que passa obrigatoriamente por estar bem resolvido na relação conjugal.

Mas isso não é apenas para professores. Todos os profissionais estarão melhores em seus objetivos se estiverem bem resolvidos.

Por causa disso, hoje, a nossa conversa é dirigida a nós, adultos, e o tema é:

Como garantir a felicidade conjugal, para sempre!

E não apenas enquanto os corpos estão jovens e cheios de energia!

O assunto é difícil e polêmico, ainda mais em um período em que o amor está sendo confundido com sexo e em que a felicidade tem sido apontada como uma utopia!

Mas nessa abordagem de hoje vamos analisar o que diz Olímpia, na obra de Aluísio Azevedo: “O livro de uma sogra”.

Quem não lembra ou não leu, pode baixa-lo gratuitamente em nossa biblioteca virtual: iupe.webnode.com/biblioteca

Esse é o livro de número 308.

Sabemos que, nos dias atuais, a separação de casais é uma prática tão constante e tão frequente que se tornou tão comum, como o desvio de verbas públicas realizados por alguns congressistas. A gente já acha quase uma coisa normal!

Sentir “felicidade conjugal” passou a ser, para muita gente, o momento de uma relação sexual. Mais que isso está sendo visto como uma utopia!

Mas o pior é que essa carência vai afetar todas as demais atividades da pessoa, porque não há como estar bem com as pessoas se não se está bem resolvido consigo!

Então, acho que podemos começar com a análise dos conselhos que Olímpia deixou escrito em seu diário, para ser lido por sua filha Palmira e ao seu genro Leandro.

Olímpia foi bem clara quando disse que a felicidade material, aquela que se funda na vida orgânica da nossa espécie, essa pode ser alcançada em qualquer relacionamento afetivo e sexual. É o que mais se estimula hoje. Sexo pelo sexo! Amor descartável!
Casamento como resultado de simples atração sexual, etc. etc.

Só que essa não garante a continuidade desse sentimento.

Essa é a tal felicidade dos quarenta minutos…

A felicidade mais alta e mais perfeita, a que durará para sempre, e a que ela, Olímpia, só conheceu quando se juntou ao segundo esposo. Essa precisa de muito mais do que isso.

Essa, que é, segundo Olímpia, a que se baseia e garante o verdadeiro prazer da vida moral, precisa que cada um dos cônjuges tenha, além do cônjuge, um amigo, um amado de espírito, um eleito da inteligência.

Segundo ela todo homem e toda mulher precisa, não só de um companheiro para sua carne, mas também de um companheiro para sua alma!

Pode parecer estranho, mas o ser humano é um animal social, e precisa satisfazer, também, a sua necessidade de relacionamento afetivo fraternal e intelectual.

Esse é o amor que Olímpia chama de amor da alma, sem relação com o amor conjugal!
“(…)A vida é o amor e o amor não é só a procriação(…)! ”

Olímpia diz que um dos maiores perigos da carne é que ela é egoísta e ainda afirma: “(…)temam o despotismo da carne! A carne é irmã degenerada — é o Caim da alma!
Afastem um do outro, esses dois irmãos irreconciliáveis, para que o ideal não caia assassinado pela besta(…)! ”

Olímpia recomendou aos dois, então, que buscassem o esposo das suas almas, bem longe do leito matrimonial “(…)com os olhos bem limpos de luxúria, com a boca despreocupada de beijos terrenos, com o sangue tranquilo e o corpo deslodado das lubrificações carnais! Minha filha — toma um amante — para teu espírito! Meu filho — elege uma amiga — para o teu coração de homem(…)! ”

E nossa reflexão começa aqui.

Há quem diga que essa neurose da busca pela felicidade estressa muito mais a pessoa do que acomodar-se ao sofrimento.

Realmente! Acomodar-se pode até estressar menos, mas destrói todas as expectativas de vida!

Mas o que pretendo nessa conversa de hoje, é lançar essa reflexão sobre esse pensamento de Olímpia.

Juntar em uma mesma pessoa o amor conjugal, o amor fraternal e o amor intelectual pode ser, mesmo, uma carga muito grande, levando a relação a um sufocamento!

Talvez ela tenha exagerado ao dizer que juntar todos esses amores em uma só pessoa possa fazer com que “(…)o ideal caia assassinado pela besta(…)”

Mas, assim como Freud exagerava muito nas suas interpretações das emoções e sentimentos das crianças, Olímpia pode ter exagerado na interpretação do amor da alma.

Mas vemos que muita coisa tem sentido quando analisamos as brigas conjugais provocadas por praticamente nada!

E briga por nada significa que a relação está desgastada.

E esse desgaste pode ter como causa o sufocamento provocado pela sobrecarga de amores em uma só pessoa.

Pelo que pode ser deduzido do pensamento de Olímpia, a dedicação exclusiva ao cônjuge, fazendo dele o representante de todas as satisfações necessárias, da carnal à intelectual e fraternal, mistura emoções incompatíveis e irreconciliáveis, e pode destruir qualquer casamento!

E ainda segundo essa mesma linha de pensamento, essa destruição tanto pode ser emocional, transformando o casamento em um fardo pesado a ser carregado pelos dois, como pode provocar intolerâncias perigosas, transformadas até em atos de violência doméstica.

Vamos refletir sobre isso?

Estudos sobre a consciência humana

Para que se preocupar com limites entre realidade, sonho e ilusão, se tudo isso é criado da mesma forma, em nosso cérebro?

Vamos iniciar, então, analisando a conscientização da realidade.

Olhamos um objeto. O reflexo da luz que incide sobre ele vai direto para nossa retina.

Na retina milhares de células, que são chamadas de cones, as que percebem as cores, e bastonetes, as que percebem a luminosidade, se sensibilizam com esse reflexo e geram pulsos elétricos.

Esses pulsos vão para o cérebro, por um nervo chamado nervo ótimo, direto para a área que processa esse tipo de percepção.

Nesse caso do exemplo, que é uma imagem visual, vai para o lobo occipital, na parte de trás da cabeça.

No cérebro o processador começa o processo de construção de uma imagem que deve corresponder ao objeto real.

Para essa construção ele utiliza os sinais elétricos recebidos e os compara com todos os demais arquivos de imagens já memorizados, para que haja a compreensão do que está sendo visualizado.

A compreensão correta do que a gente vê depende de já termos alguma referência anterior memorizada.

Quando todas as partes dessa imagem foram comparadas com nossa memória, a imagem é formada e só agora, ela se torna consciente em nosso cérebro.

Até esse ponto podemos concluir que a imagem que vemos ao olhar o objeto, corresponde exatamente aquele objeto, ou seja, a imagem conscientizada é a representação exata do real.

É mesmo? Mas veja o seguinte:

Todos sabemos o que é hipnose, certo?

A coisa começa a complicar quando constatamos que qualquer bom hipnotizador pode pular todas as etapas iniciais da percepção e ir direto para os processadores mentais, sugestionando-os para gerarem uma imagem que, na verdade, não existe.

Temos, então, uma imagem, essa de um objeto inexistente, construído mentalmente na área consciente do cérebro, exatamente da mesma fora que a outra imagem, que acreditamos ser de um objeto real, só que não há qualquer objeto ali.

Como a conscientização é feita exatamente da mesma forma, nunca teremos condições de saber se aquilo que se tornou consciente é fruto da realidade ou de uma sugestão hipnótica.

Vamos complicar um pouco mais?

Analisemos um paciente esquizofrênico. Esse nem precisa do hipnotizador para ver o que não existe! Sua patologia se encarrega, sozinha, de criar imagens, sons, sabores e cheiros, apenas com base nos arquivos mentais, sem que nada disso seja real!

O caso mais conhecido mundialmente é o de John Nash, o cientista que deu origem ao filme “Uma Mente Brilhante”.

Ele nunca conseguia diferenciar as pessoas reais das pessoas criadas pela sua mente! As imagens, os fatos, os sons e as sensações eram idênticas, fossem elas reais ou frutos da sua alucinação esquizofrênica.

E os sonhos?

Saindo da esquizofrenia e indo para um sonho normal, constatamos, também, que nossos arquivos constroem verdadeiros roteiros de filmes, sem que precisemos estar vendo nem ouvindo nada daquilo!

E há sonhos que nos parecem totalmente reais!

Então, pelo que estamos percebendo, o fato de estarmos conscientes de alguma coisa, seja a imagem de um objeto, um som, um acontecimento, uma sensação, ou até você estar mesmo lendo esse artigo ou assistindo a esse vídeo, não nos garante que isso esteja acontecendo de verdade!

E, logicamente, se quisermos ir um pouco mais longe, basta lembrar do filme Matrix, e a dúvida passa a ser: existe mesmo o real, ou tudo, na nossa vida, nada mais é do que fruto da nossa imaginação?

Depois dessa sacudida em nossa mente vamos, agora, ao assunto de hoje, que é: como trabalha a nossa conscientização de mundo!

Quando chegamos ao mundo “damos de cara” com uma infinidade de informações, todas recebidas como sensações, que nos chegam por meio de imagens, sons, cheiros, sabores, diferenças de temperaturas, humidade e secura, atrito e pressão.

Percebemos outras, também, que parecem vir pelo pensamento, imaginação ou ilusão, como se estivéssemos em um sonho, mesmo que estejamos acordados.

E cada uma dessas imagens (percebam que estou falando imagens, mas que podem ser sons, cheiros, sabores e demais sensações captadas por nossos elementos sensores) pode provocar sentimentos de curiosidade, medo, tristeza, raiva, satisfação, insatisfação, prazer, dor, ansiedade, angústia, embora algumas nos passem despercebidas ou somos nós mesmos que as desprezamos.

Mas é com essas percepções que vamos formando a nossa “base de dados”, que são os nossos arquivos cerebrais.

É com base nessa base de dados que poderemos entender o que nos cerca, sejam objetos, pessoas, ambientes, imagens, sons, fatos, acontecimentos, atitudes das pessoas, carinhos, agressões, violências, emoções, sentimentos e tudo o mais.

E, para não esquecer o que dissemos no início, essa mesma base de dados também serve para apoiar a formação dos sonhos, a realização do surto hipnótico e a criação das alucinações esquizofrênicas.

Mas, como ocorrem essas gravações, ou seja, como são formados esses arquivos?

Esse conjunto de informações vai sendo registrado em cada uma das nossas redes neurais e passam, aos poucos, a fazer parte da nossa memória definitiva, como elementos fundamentais para o nosso entendimento de mundo.

Na medida em que essas informações são transformadas em memória, em cada uma das nossas redes neurais, é como se estivéssemos programando o nosso computador mental.

Quando uma rede neural guarda uma informação significa que essa rede criou um conjunto de regras internas, que podemos chamar de um algoritmo.

Essa rede já programada com esse algoritmo transforma a comunicação entre seus neurônios (sinapses) nas atividades conscientes que temos, como as diferentes percepções, os pensamentos, as lembranças, os sentimentos e as emoções.

Francis Crick[i] e Christof Koch[ii] concluíram que deve haver uma infinidade de códigos neurais (algoritmos) operando em diferentes escalas, por todo o cérebro, e que a própria mente deve inventar novos códigos em resposta a todas as diferentes experiências que temos em nosso dia-a-dia.

Isso não é difícil de concluir, ainda mais hoje, quando a informática faz isso em todos os computadores.

Hoje confirmamos que esses códigos existem e que, certamente, são muito mais complexos do que o próprio código genético, como Christof Koch já havia dito.

Nossas atitudes, nossos pensamentos, nossos desejos, nossos sentimentos e nossas emoções são, então, o produto de uma série de equações (códigos ou algoritmos), contidas nessas redes neurais.

Francis Crick vai mais longe ainda quando nos diz, em sua obra “The Astonishing Hypothesis” (a espantosa hipótese), que nós, nossas brincadeiras, nossos sofrimentos, nossas memórias e nossas ambições, nossa personalidade e o livre arbítrio, nada mais são do que o resultado do comportamento de um imenso conjunto de neurônios.

Nós não somos nada mais, nada menos, do que um pacote de neurônios reunidos em grupos e seguindo alguma programação!

Ou seja, o que achamos que é nossa consciência, nada mais é do que a conscientização coletiva de aproximadamente cem bilhões de seres interdependentes, chamados neurônios, compondo milhões de redes neurais, e cada rede seguindo as determinações matemáticas dos algoritmos ali estabelecidos por algum tipo de programação ou por algum programador.

Ufa! Que ducha de água fria em quem se achava que era alguma coisa importante…!

Essa ideia é tão espantosa (por isso o nome do livro), e pode deixar a gente tão “para baixo”, que John Horgan[iii] achou que ele deveria ter dado outro título: “A hipótese depressiva”.

Já vimos, então, que não somos nada mais do que um conjunto de códigos neurais (algoritmos), pré-programados.

Mas isso pode não ser bem assim. São apenas elucubrações científicas e filosóficas sobre a consciência humana.

E agora, uma curiosidade:

Por que as crianças de hoje parecem nascer sabendo?

Nossa mente, ao nascermos, não deveria estar limpa, sem nada na memória, sem qualquer conhecimento prévio? Tudo não deveria ser novidade?

Antes a resposta a ser dada era: sim!

Hoje, pela observação das crianças, desde o seu nascimento, percebemos que não é bem assim. Algum conhecimento prévio de mundo já parece existir. Qualquer pai percebe que seu filho parece já saber coisas que não aprendeu com ninguém!

Alguma informação parece já estar em sua mente, e foi isso que Richard Dawkins[iv] chamou de meme, em sua obra; “O Gene Egoista”.

Meme seria, então, a herança cultural, passada de geração a geração, da mesma forma que acontece com os genes. Seria uma explicação para a evolução cultural do homem.

Só não descobrimos, ainda, onde estaria localizado, em nosso corpo, esses memes.

Será na parte do DNA que ainda chamamos de DNA lixo?

Bem. Uma parte desse DNA que era chamado de lixo, está todo o comando dos nossos genes, mas pode sobrar alguma coisa para os memes…

Nada sabemos, então, sobre a localização dos memes, mas sabemos que ele tem tudo para existir!

As crianças não nascem com sua consciência zerada! Já existe um acervo cultural previamente programado, da mesma forma que o acervo genético.

[i] Francis Harry Compton Crick: Britânico, biólogo, biofísico e neurocientista, descobridor, junto com James Watson, da estrutura da molécula do DNA. Faleceu em 2004. Autor de The Astonishing Hypothesis, As moléculas do homem;

[ii] Christof Koch: Americano, neurocientista. Autor de The Quest for Consciousness, Biophysics of Computation: Information processing in single neurons.

[iii] John Horgan: Jornalista americano especializado em ciências. Publicou The end of Science, The undiscovered mind entre outros.

[iv] Richard Dawkins: Britânico, biólogo, professor da Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, autor de The God Delusion, O Gene Egoísta, The Greatest Show on Earth, O relojoeiro cego, A Magia da Realidade, The ancestor’s tale, A escalada do monte improvável e o fenótipo estendido.

Realidade, sonho e ilusão

realidade-e-ilusao

Sabedoria na busca do conhecimento e na construção da inteligência

Fico perplexo quando me deparo com o desprezo, por parte de alguns acadêmicos, fechados em sua redoma metodológica, em relação ao conhecimento “out-lab”, ou seja, ao conhecimento adquirido fora das experimentações controladas pelo rigor da metodologia científica oficial.

Relendo “O Princípio da Totalidade”, de Anna Freifeld Lemkow, esbarrei mais uma vez na sua afirmação de que “(…) limitar o real apenas ao quantificável não é científico, é cientístico – uma perversão da ciência (…)”.

Não que o rigor acadêmico seja desnecessário. Não é isso. O que não devemos é fechar os olhos para o conhecimento extra academia. Esse conhecimento pode mostrar novos caminhos para velhos problemas e até abordagens luminares para desafios atuais!

Nessas horas sempre lembro de meus diversos encontros com um xamã aborígene, em pleno deserto australiano, na década de setenta, ainda no século passado.

Ele afirmava que nossa mente possui uma antena interna poderosa.

Essa mente, segundo ele, seria capaz de captar o pensamento transmitido por todas as pessoas que viveram em nosso planeta, desde o início da civilização.

Segundo eles, todo conhecimento do mundo, captado por essas antenas, seria arquivado, não em cada pessoa, mas em alguma área comum, externa ao nosso corpo, e que todos teriam acesso.

Para acessar tais conhecimentos o homem teria que estar sintonizado com essa frequência, processo que eu entendi como sendo semelhante ao da meditação.

Imaginei algo como o inconsciente coletivo definido por Carl Gustav Jung, mas meu interesse, naquela época, estava focado apenas no processamento cerebral. A ciência neurológica me fascinava, como até hoje!

Só mais tarde resolvi estudar a ciência psicanalítica de Freud, a Psicologia Analítica de Jung, e as ciências psicológicas em geral, que acabaram sendo minhas paixões complementares.

Mas antes, para tentar entender o que os xamãs me diziam, fui obrigado a frequentar, como ouvinte, um curso noturno de neurologia de uma das faculdades de medicina de Melbourne.

Nada do que eu ouvia no deserto, entretanto, era confirmado pelos livros, nem pelos professores. Esse conhecimento era considerado como alucinações xamãnicas por todos. Menos por mim, claro…

O tempo passou e aquele conhecimento me intrigava, mas nada era comprovado cientificamente.

Só que, aos poucos, cada uma daquelas informações acabam sendo “descobertas” pela ciência, como por exemplo, o funcionamento do sistema límbico, no centro do cérebro.

É ele que coordena a captação, arquivamento e acesso às informações que nos chegam por todos os elementos sensores e, inclusive, pelas ondas cerebrais que nos alcançam… A tal da antena está no sistema límbico, com certeza.

E ainda hoje, passados mais de quarenta anos, a ciência vai descobrindo mais coisa já sabida por aqueles sábios, como a capacidade quase infinita de memória.

Não exatamente fora do corpo, mas dentro de cada DNA. Cada grama de nosso DNA possui a capacidade de arquivar cerca de 700 tera de memória! Isso pode ser considerado uma capacidade quase infinita!

Mas ainda restam dúvidas. Afinal: se existe essa imensa capacidade de memória, ela está sendo utilizada para quê?

Eu não diria, jamais, que deveríamos considerar escritos tradicionais ou religiosos como verdade sem necessidade de comprovação. Essa parte é a que chamamos de crença. Não é ciência.

Mas desprezá-los sem a preocupação de um estudo que o constate ou o conteste, pode significar um grande atraso para a própria ciência mundial.

Cada uma dessas análises, seja ela positiva ou negativa, pode abrir caminho para mais um desafio científico importante.

Lembremos sempre de não estagnar na ideia de que só o quantificável e visualizável é científico…

Quando Philip Low começou a estudar as ondas cerebrais emitidas pela área de Broca, que é a responsável pela articulação dos músculos para permitir a fala, sofreu bullying, não só de seus colegas, mas também de seus professores do curso de neurologia na Faculdade de Medicina.

A mensuração dessas ondas só foi conseguida muito mais tarde, embora ele estivesse certo disso!

Agora ele já está desenvolvendo os equipamentos para captação dessas ondas e sua transformação em sinais digitais. Esses sinais serão enviados a um computador, representando a “fala” da pessoa.

Seu desenvolvimento já está sendo testado por ninguém menos que Stephen Hawking, o grande físico inglês.

Breve os paralíticos cerebrais mudos poderão se comunicar!

Haverá a possibilidade de verdadeira inclusão escolar, de uma imensidão de crianças com esclerose lateral amiotrófica ou com paralisias não progressivas.

Essas ondas geradas são produto da elaboração do nosso pensamento. Isso significa que outros cérebros poderão captá-las e tornar seus sinais conscientes. É a telepatia em desenvolvimento tecnológico.

Cada uma dessas constatações e desenvolvimentos nos impulsiona a estudos muito mais profundos, sobre o funcionamento dos elementos primordiais da nossa formação orgânica: as nossas células.

Seu funcionamento é, como podemos perceber, muito mais complexo e muito mais abrangente do que o conhecimento anterior mostrava e, além disso, sua energia pode ter efeitos muito mais importantes e objetivos muito mais nobres.

Essas mesmas ondas podem trazer mais surpresas para os céticos acomodados a uma ciência do que já existe!

Hoje temos referência ilustres, como o físico quântico Amit Goswami, que apresenta essa realidade em sua obra: “Universo: Como a consciência cria o mundo material”.

O estudo quântico da consciência e de sua energia em forma de ondas, realizado por Goswami, nos leva a um momento intermediário, em que as constatações da energia gerada por nossas células e seus efeitos no mundo material externo ao nosso corpo, aproximam a ciência da fé, provocando os céticos e empolgando os pesquisadores mais abertos ao novo!

E mais que isso: Estamos mesmo em um cosmos com início, meio e fim? Estamos mesmo em uma realidade com passado, presente e futuro?

Em “O Grande Projeto”, Stephen Hawking e Leonard Mlodinow mostram, entre outras declarações “alucinantes”, que o cosmos não possui uma realidade única, mas que cada realidade possível do universo coexiste com as demais, ou seja, existem todas simultaneamente!

Se isso é verdade, nem o materialismo é real. Dizer que a matéria existe pode ser, também, uma forma de crença…

Então amigos, vamos abrir nossas mentes para o novo, mesmo que o novo não nos pareça real!

E vamos eliminar a terrível acomodação a tudo aquilo que já foi cientificamente comprovado! A tradição pode nos surpreender!

Forte abraço!

Para saber mais:

Amit Goswami. Universo: Como a consciência cria o mundo material.

Anna Freifeld Lemkow. O Princípio da Totalidade.

Stephen Hawking. O Grande Projeto.

Reflexões: E a identidade da mulher?

Quando comecei a ler as homenagens feitas à mulher por conta de seu dia, a imagem que me veio à mente foi de muita hipocrisia e pouco reconhecimento dos seus verdadeiros valores.
Grande parte dos textos mostram o seu grande valor como “escrava do homem e dos filhos”, reverenciando a sua capacidade de enfrentar, com alegria, sua dupla ou tripla jornada.
Os textos parecem elaborados visando convencê-la de que a sua importância está exatamente em enfrentar tudo isso e, ao final do dia, estar linda, bem cuidada e maravilhosa, para satisfação de seu homem.
Preferi, então, nada publicar ontem! Eu estaria na contramão da cultura machista, disfarçada por um reconhecimento que me parece, no mínimo, equivocado.
Já nos afastamos, há alguns milhares de anos, do período das cavernas, mas mantemos um relacionamento de superior para inferior, súdito ou subserviente, onde as exceções ainda são tão poucas, que ainda chamam a atenção pela sua estranheza!
Mas a minha observação de hoje está baseada apenas em um pequeno detalhe de tudo isso. Um detalhe que comecei a sentir a partir do momento em que o avançar da idade mais uma vez me surpreendeu com um evento novo: o prazer das boas recordações!
Mas por que razão eu estou ligando o prazer das boas recordações com o desprazer de ver a mulher ainda tratada como um ser inferior?
Porque um dos aspectos mais evidentes dessa terrível inferioridade cultural está na perda da sua identidade, registrada no momento em que ela se junta, oficialmente, a um homem!
Uma perda de identidade consolidada pela perda do sobrenome, assumindo um nome de uma família que não lhe pertence, assumindo uma genealogia estranha à sua, mas que passa a dirigir toda a sua vida desde então.
Anulou-se a mulher que existia até então. Toda uma vida arquivada com um sobrenome que foi desprezado ou, no mínimo, deslocado para uma posição secundária.
Sim! Isso pode parecer uma declaração estranha e, talvez, fora de hora, mas é o que sinto.
A maioria das mulheres aceita isso com naturalidade, e por vezes até com orgulho, como acontecia com minha mãe.
Ela adorava ser apresentada em público como a excelentíssima Sra Ministro do Superior Tribunal Militar Roberto Andersen Cavalcanti, em vez de pelo seu nome de batismo, Zenith Príncipe Bailly, antecedido pela qualidade de poetiza…
Mas isso contribui para reduzir em muito, e por vezes até em destruir totalmente, esse maravilhoso prazer, surgido após o amadurecimento saudável e feliz, das boas recordações!
Por vezes sentimos a necessidade de transformar a recordação em imagem real, em apreciar a trajetória de vida dessas pessoas que muito nos marcaram.
E é nesse momento que recebemos o duro golpe da anulação da identidade!
Onde está L. V., minha eterna paixão, quando ambos tínhamos nove anos de idade, e cursávamos a terceira série primária no Externato Aragón, em Niterói? Um verdadeiro amor platônico, até o dia em que eu tive a coragem de declarar todo o meu amor, não a ela, mas à sua mãe… foram duas mães surpresas com o fato! E eu envergonhado, nem conseguia mais olhar nos olhos dela…
O que aconteceu com D. M., N. D., L. S., D. U., cada uma representando uma fase de descoberta do amor infantil, passando pelo período da adolescência e entrando na juventude?
Cada uma delas tinha um sonho de realização profissional. Mas o casamento certamente modificou seus planos.
A mudança no rumo da vida pode ter significado uma anulação da sua satisfação profissional e pessoal e o impedimento de que uma recordação como essas reacenda a chama de um amor infantil!
Houve a tradicional anulação de identidade causada pela mudança do sobrenome.
E, infelizmente, ainda não temos aplicativos de busca que nos traga, de volta, a imagem de um amor que mudou de endereço, de nome, de cultura individual e de identidade pessoal!

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