Dificuldade de Aprendizagem e a Exclusão Camuflada

Avaliação como instrumento de igualdade social


Amigos:

Que bom estarmos aqui de novo!

Hoje vamos falar sobre AVALIAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE IGUALDADE SOCIAL!

E vamos iniciar identificando os maiores desafios de hoje, em nosso país, que são:

– A criminalidade comum: o bandido que assalta o povo, com a arma na mão; e

– A criminalidade dos poderosos: os corruptos, em todos os poderes da república, que assaltam o povo, com o poder na mão.

A análise que faremos será a do criminoso comum, com arma na mão:

– Por que e como estão sendo criados esses criminosos?

Primeiro passo para criar esse criminoso: ódio à elite!

Desde criança que esses “futuros criminosos” são levados a criar um sentimento muito forte de “ódio à elite”, independentemente de quem seja elite.

Esse ódio generalizado é dirigido a todos aqueles que possuem alguma coisa a mais que eles, mesmo que essa pessoa tenha tido a mesma origem de baixa renda, mas que tenha, por algum motivo, prosperado por seu próprio esforço.

O ódio passa a ser cego! É melhor que eu, é meu inimigo! Tem mais que eu, é meu inimigo!

O que eles não percebem é que esse ódio está sendo fomentado pela própria elite corrupta, se utilizando de líderes “sabotadores”, estrategicamente preparados para isso.

Muitos desses líderes nem sabem que estão sendo utilizados pela própria elite corrupta…

Por que?

Porque dessa forma as crianças e os adolescentes de classe baixa criam, em suas mentes, que ser elite é ser “do mal”, o que os afasta imediatamente de qualquer esforço para melhorarem de vida, já que, se melhorarem, passarão a ser “elite” e, então, serão “do mal”…

Segundo passo para criar esse criminoso: baixa autoestima!

Para reforçar ainda mais a certeza de que a maioria dos adolescentes oriundos de famílias de baixa renda prosperem na vida, essa mesma liderança sabotadora, inconscientemente manipulada pelo poder corrupto, tenta implantar na mente desses jovens a convicção de que quem nasceu pobre será pobre a vida toda – oportunidades são apenas para a elite…

E grande parte desses adolescentes acredita mesmo nisso e desiste de lutar para reverter a situação de sua família.

Terceiro passo para criar esse criminoso: escola como garantia de bolsa família e diploma para qualquer empreguinho!

Essas crianças e esses adolescentes são matriculados nas escolas. Mas uma parte considerável dessas famílias “sabotadas” matriculam seus filhos única e exclusivamente para garantirem o recebimento do “bolsa família”.

Não há intenção de estimular o filho a se desenvolver intelectualmente, já que se isso ocorrer ele será da elite “do mal”.

Escola apenas para “bolsa família” e para ter um diploma qualquer que garanta algum tipo de emprego…

Muitos desses jovens, sabendo disso, estarão na escola sem qualquer estímulo, e muitas vezes odiando os seus próprios professores, considerados por eles como membros da elite…

Na escola, muitos serão reprovados até serem excluídos ou a abandonarem.

Outros serão “passados” por professores ameaçados, até com armas, ou por promessa de serem assaltados na rua…

É aí que entra a AVALIAÇÃO COMO INSTRUMENTO DE IGUALDADE SOCIAL:

Ao analisarmos a escola atual e o seu processo avaliativo tradicional, verificamos que tudo o que vem sendo feito tem os seguintes objetivos:

1º selecionar os mais capazes e mais inteligentes;

2º excluir os menos capazes, menos inteligentes, mais desinteressados, incluindo os que apresentam dificuldades de aprendizagem, sejam alunos especiais ou não (mas essa parte deixaremos para comentar em outra oportunidade).

Sabemos que em todas as escolas encontramos alunos interessados e estudiosos, estimulados pelas suas famílias e, portanto, com autoestima elevada, que serão selecionados nesse processo;

Mas enfocaremos apenas aqueles outros, os desinteressados, revoltados com a desigualdade social, e com baixa autoestima, acreditando que nunca vencerão na vida pelo crescimento intelectual.

Se esse aluno é reprovado, devido ao seu baixo rendimento, ele acaba sendo excluído, ou ele mesmo abandona a escola, o que significa que não terá qualquer diploma que facilite encontrar emprego formal.

Esse é um forte candidato a ser empregado pelo crime organizado, onde não se exige diploma, mas sim revolta social.

Se, por outro lado, esse aluno é “passado” pelo professor ameaçado, ele consegue se formar, recebe diploma, mas não adquire qualquer conhecimento que garanta um emprego formal.

Esse, com mais razão ainda, é mais um forte candidato ao crime organizado, se já estiver nele desde a infância.

A AVALIAÇÃO QUE REPROVOU O ALUNO SEM CONHECIMENTO OU QUE O APROVOU POR ALGUMA IMPOSIÇÃO, ACABA DE AJUDAR A AMPLIAR A DESIGUALDADE SOCIAL, AUMENTANDO O NÚMERO DE CRIMINOSOS COMUNS, QUE ESTARÃO, COM ARMA NA MÃO, ASSALTANDO EM TODAS AS ESQUINAS.

Como interferir para eliminar a geração desses criminosos e garantir a igualdade social?

O único ponto de convergência de todos é a escola.

Mas a escola tradicional, como sabemos, não está dando conta desse desafio.

Mas por que razão?

Todos dirão que é pela falta total de educação doméstica, que esses alunos já chegam revoltados na escola, e que muitos já estão desde cedo, envolvidos com o crime.

Ou seja: a família, ou a ausência dela, é a razão de tudo isso!

Sim! É verdade! Essa parte já sabemos!

Mas eles entraram na escola, e a partir daí surge a grande oportunidade de se mudar toda essa realidade!

Mas vamos conseguir isso apesar desse tipo de família?

Realmente é um enorme desafio, mas é um desafio a ser enfrentado, e nunca abandonado!

Mas não é só “1” desafio. Na realidade são “3”!

Primeiro: o aluno.

Segundo: a família.

Terceiro: o líder sabotador, que agora ataca na própria escola, como um dos professores, normalmente revoltado com ele mesmo, com a vida e com a sociedade, e que vai tentar, a todo custo, baixar a autoestima de todos os alunos e criar em suas mentes o tal ódio à elite, generalizando como elite, todos os que têm algo a mais do que ele…

A família terá que ser trabalhada com um PROGRAMA DE TREINAMENTO PARENTAL.

Os líderes sabotadores devem ser reconstruídos com um PROGRAMA DE FORMAÇÃO CONTINUADA.

E a formação dos alunos deverá ser realizada a partir de uma mudança total na FILOSOFIA DA AVALIAÇÃO ESCOLAR.

Vamos enfocar essa parte: A AVALIAÇÃO ESCOLAR

Com muitas exceções, é claro, muitos professores estão na profissão apenas porque não conseguiram encontrar outra forma de sustentar sua família!

Exatamente por não terem o verdadeiro “dom” da profissão, esses enfrentam o seu dia-a-dia como se estivesse indo para uma batalha, onde sua arma se chama AVALIAÇÃO – NOTA – AMEAÇA DE REPROVAÇÃO – etc…

Seus alunos são seus inimigos.

Seus aliados são apenas os “nerds”, aqueles bem-educados e estimulados pelas suas famílias, com elevada autoestima, mas esses, na realidade, nem precisam de professor…

Um simples computador ajuda muito mais esses alunos do que um professor…

Então, a AVALIAÇÃO ESCOLAR é uma ARMA para esse tipo de prática docente.

Como mudar isso?

PRECISAMOS APRENDER A PRATICAR A AVALIAÇÃO, NUNCA COMO ARMA, MAS COMO INSTRUMENTO DE IGUALDADE SOCIAL, ou seja:

  1. Usar a avaliação para avaliar DE VERDADE cada aluno, descobrindo a dificuldade de cada um, e nunca para excluir ou selecionar;

Resultados das avaliações são alarmes para que nós, professores, identifiquemos quais são os alunos que precisam de toda uma alteração na nossa metodologia, ou alguma ajuda externa, como apoio psicopedagógico, psicológico, ou até AEE, por exemplo.

  1. Estimular cada aluno proveniente de famílias em situação de risco social, para que se livrem do efeito pernicioso das propagandas negativas que os deixam na certeza de que nunca competirão com os filhos dos ricos;

Isso pode ser feito por meio de palestras específicas, elevando a autoestima desses alunos e mostrando casos reais de evolução intelectual ou financeira, de pessoas provenientes das classes menos favorecidas.

  1. Criar metodologias educacionais que façam com que o aluno se sinta responsável e no controle do seu processo de aprendizagem, estimulando a criatividade, a descoberta e a inventividade, sempre com a orientação docente, e de forma que ele mesmo possa estar participando do seu próprio processo de avaliação.

O método mais apropriado que encontrei até hoje, depois de tentar muitos outros, foi o de aula por meio de grupos operativos, quando adaptei a técnica desenvolvida por Pichon Riviere.

Tem vídeos meus mostrando isso.

É FÁCIL?

Fácil até que é! Mas dá, realmente, muito trabalho e precisa de muita criatividade e dedicação.

E, para isso, temos que mudar toda a filosofia da educação em sala de aula e, mais ainda, precisamos que as famílias sejam orientadas a, no mínimo, não atrapalharem todo o processo.

Para ajudar, assistam ao filme ESCRITORES DA LIBERDADE.

É um caso real. É apenas um exemplo de criatividade para reverter toda uma realidade social.

Outro filme a ser assistido: COMO ESTRELAS NA TERRA.

Para mudar não precisa eliminar carteiras escolares, não precisa ter aula fora da sala, não precisa não ter professor artista, embora tudo isso possa ajudar muito!

Precisa apenas que cada professor se dedique a entender cada aluno, e que todos os professores se convençam de que cada um deles é uma experiência profissional, ou seja, é um projeto para sua evolução na prática docente!

Mas, lembre:

Sempre é bom estarmos atentos aos sabotadores que, muitas vezes, estão do nosso lado, dizendo que nada disso vai dar certo, que, na teoria, tudo isso é lindo, mas, na prática, nada funciona…

Pois é, amigos…

Garanto que funciona!

Alergia Alimentar com Roberto Andersen em IUPE Educação

Amigos,

A Alergia Alimentar, embora ainda seja desprezada por muitos profissionais de medicina, é hoje um dos problemas que mais cresce no mundo!

Essas alergias afetam, principalmente, crianças e adolescentes com T.E.A. (Transtorno de Espectro Autista) e com T.D.A.H (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade).

O profissional médico mais preparado para o entendimento desse assunto em crianças e em adolescentes é o pediatra com especialização em gastrenterologista, imunopatologia e nutrição, significando uma preparação de aproximadamente nove anos de estudos, que é um investimento difícil de ser realizado.

Para tratar dessa alergia no TEA e no TDAH há necessidade de, inicialmente, realizar exames de intolerância alimentar para, depois dos resultados, elaborar dietas específicas, sem os elementos considerados “não toleráveis” pelo organismo daquele paciente.

Mas como o tratamento inicial consiste, basicamente, em dietas específicas, sem a necessidade imediata de prescrição de medicamentos, surge uma grande dificuldade:

Não há qualquer interesse, por parte da indústria farmacêutica, em financiar tais pesquisas, nem de apresentar tais trabalhos em seus congressos, já que o tratamento não inclui prescrição de medicamentos, não trazendo, para ela, qualquer retorno financeiro;

Devido a isso as fontes de financiamento ficam mais escassas e a divulgação dos resultados das pesquisas ficam restritos a congressos financiados exclusivamente por universidades e poder público, mesmo assim, se não estiverem influenciados pela indústria farmacêutica.

Devido a essa característica de tratamento sem medicamentos, percebemos que as próprias universidades sofrem pressão das indústrias farmacêuticas, claramente contrárias a tais divulgações, para que tais estudos sejam considerados irrelevantes ou sem comprovação científica confiável.

Para combater essas alegações da máfia dos medicamentos, eu alerto que, só o cientista médico Aderbal Sabrá, brasileiro livre-docente e doutor em pediatria, pós-doutor em gastrenterologia e pós-doutor em imunologia, só ele, já tem mais de vinte trabalhos sobre o assunto, que são comprovações científicas sérias, publicadas nas principais revistas científicas mundiais.

Seu livro “Manual de Alergia Alimentar”, ensina aos demais médicos cada detalhe de seus estudos. A obra foi publicada pela Editora Rubio.

E para reforçar mais ainda o caminho das comprovações, William Shaw, cientista médico americano, reuniu, para cada assunto de seus estudos, vinte a trinta comprovações científicas já publicadas nas principais revistas de divulgação científica do mundo.

Sua obra, Tratamentos Biológicos do Autismo e TDAH mostra todos esses detalhes.

Dizer, então, que o tratamento biológico do TEA e do TDAH é terapia não comprovada cientificamente é, no mínimo, uma prova de analfabetismo científico provocado pela falta total de estudos sobre o assunto, ou tem alguma outra intenção ainda menos nobre.

Vamos ver, então, de que forma poderemos tentar reduzir esse crescente avanço na alergia alimentar em todo o mundo.

Aleitamento materno exclusivo

O ponto básico para que se tente reduzir essa incidência alarmante é pelo incentivo ao aleitamento materno exclusivo, até que a criança alcance seus oito meses de idade, pelo menos.

Toda criança nasce com predisposição a ser alérgica. É durante o aleitamento materno exclusivo, nesses oito meses, que ocorre a conversão dessa predisposição, reduzindo bastante essa tendência, ou até a eliminando.

Excesso de higiene

Outra situação que estimula a alergia é a higiene exagerada, iniciando pelo parto cesariana, que elimina o primeiro contato do bebê com os líquidos do tubo vaginal, que formariam a primeira flora intestinal rica em probióticos.

Sendo cesariana não há essa formação da maneira natural. E ainda pode piorar mais, quando os pais começam a dar, ao bebê, fórmulas esterilizadas, sob recomendações de amigos, parentes, etc…

Antibióticos e antiácidos

O uso indiscriminado de antibióticos, para tratamento de todo tipo de infecção respiratória, assim como de antiácidos, para problemas no trato digestivo, também colabora, negativamente, para a formação da flora intestinal, ou seja, a criança perde toda a proteção natural que a flora bem formada daria.

Para concluir recomendo que os pais, ao suspeitarem de alguma característica do filho que possa ser confundida com autismo ou TDAH, que procure um pediatra que esteja atualizado no conhecimento gastrenterológico, imunopatológico e nutricional, ou que, pelo menos, tenha conhecimento do trabalho de Aderbal Sabrá, cujo livro foi escrito exatamente para orientar os médicos que não completaram seu ciclo de formação completo em relação ao autismo e TDAH.

Andragogia com Roberto Andersen em IUPE Educação

Para entrar mais em detalhes sobre o assunto, eu recomendo a leitura dos livros de Erik Erikson, que foi o teórico que mais colaborou para o entendimento das necessidades básicas de satisfação do adulto e do idoso, enquanto os demais focaram mais no desenvolvimento do ser humano até os seus dezoito anos de idade.

Em meu livro AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO – PSICOPEDAGOGIA eu sintetizo os ensinamentos de Erik Erikson, fazendo um paralelo com Wallon, Freud, Piaget e Vygotsky.

Momento de Educação com Roberto Andersen – Aluno não aprende e não tem laudo

Importante deixar claro que a escola ou os professores podem exigir um laudo médico à família, com a finalidade de tomar conhecimento de alguma doença, transtorno ou síndrome que precise de atenção especial em relação à sua saúde, como por exemplo: saber se o aluno toma remédio controlado para evitar estado agressivo ou descontrole psíquico, se costuma apresentar problemas de convulsão ou outros, que possam trazer perigo a ele mesmo ou aos seus colegas.

Quanto a necessidade de o aluno precisar ser acompanhado de forma especial para fins de aprendizagem, o que constitui o AEE, essa análise e essa decisão, ficam exclusivamente por conta da escola e de seus profissionais ligados à educação, sem necessidade de qualquer laudo médico.

Segue a Nota Técnica do MEC relativa a isso:

NOTA TÉCNICA Nº 04/ 2014/ MEC/ SECADI/ DPEE de 23/01/2014:

(…)Neste liame não se pode considerar imprescindível a apresentação de laudo médico (diagnóstico clínico) por parte do aluno com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou altas habilidades/superdotação, uma vez que o AEE caracteriza-se por atendimento pedagógico e não clínico. Durante o estudo de caso, primeira etapa da elaboração do Plano de AEE, se for necessário, o professor do AEE, poderá articular-se com profissionais da área da saúde, tornando-se o laudo médico, neste caso, um documento anexo ao Plano de AEE.
Por isso, não se trata de documento obrigatório, mas, complementar, quando a escola julgar necessário.
O importante é que o direito das pessoas com deficiência à educação não poderá ser cerceado pela exigência de laudo médico.
A exigência de diagnóstico clínico dos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades/superdotação, para declará-lo, no Censo Escolar, público alvo da educação especial e, por conseguinte, garantir-lhes o atendimento de suas especificidades educacionais, denotaria imposição de barreiras ao seu acesso aos sistemas de ensino, configurando-se em discriminação e cerceamento de direito(…)

IUPE Educação – Aprendizagem Real

IUPE EDUCAÇÃO – Objetivos da educação


É pelo correto entendimento dos objetivos da educação que vão surgir as metodologias mais eficazes e todos os demais processos necessários à construção da igualdade social.

II Seminário de Educação Especial Inclusiva e Direitos Humanos – Passo Fundo – RS

A deficiência que mais atrapalha a inclusão


Olá amigos,

No encontro da semana passada mostramos como interpretar e aplicar a Lei Brasileira de Inclusão.

Mas, na realidade, a própria LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), que foi publicada durante o Regime Militar, em 1969, já previa tudo o que se discute hoje sobre o atendimento correto ao deficiente.

Essa nova Lei, de 2015, apenas dá mais detalhes ao processo de inclusão.

Então, se desde 1969, já estava previsto o atendimento diferenciado para pessoas com dificuldades de aprendizagem, determinando a adaptação dos conteúdos escolares ao nível de cada um desses alunos, e se a Lei atual apenas dá mais detalhes, podemos concluir que o problema de a educação inclusiva estar sendo aplicada incorretamente está, não nas leis, mas sim em quem as interpreta erradamente.

Há, então, uma deficiência que não estava prevista em nenhuma das duas leis, que é a deficiência de interpretação dos textos legais.

E essa deficiência está na falta, não de inteligência, nem de capacidade de interpretação de textos, mas sim na falta de humanidade, na falta de respeito pelo direito dos outros, ou no excesso de orgulho, talvez por essas pessoas não serem deficientes, ou de terem tido a sorte de não terem nenhum filho com alguma dessas características especiais.

Então é bom lembrar a esses profissionais que o respeito ao aluno com algum tipo de dificuldade é nossa obrigação moral, antes mesmo de ser obrigação legal!

Uma das maiores responsabilidades do educador deve ser respeitar as diferenças de entendimento e dificuldades de aprendizagem e garantir que todos estejam sempre aprendendo a partir daquilo que já sabem.

Levar a sério essa responsabilidade significa garantir para todos o caminho da sua autossuficiência futura.

Mas sabemos que há muita resistência, por parte de alguns professores, de sair da sua zona de conforto.

Dar aula, para esses professores, significa cumprir o programa previsto para a turma. Aluno especial precisa de professor especial.

Mas é bom deixar bem claro, para todos esses, que as dificuldades decorrentes de transtornos físicos ou mentais, sejam elas dislexias, discalculias, transtorno de espectro autista, transtorno de déficit de atenção, dificuldades de fala, de audição, de visão, de movimento e, principalmente retardo mental leve, moderado ou grave, são problemas que podem acontecer com qualquer um de nós ou qualquer um de nossos filhos, a qualquer instante!

Um simples acidente pode deixar qualquer pessoa, hoje normal, igual ou pior que qualquer um dos nossos alunos especiais!

Então vamos respeitar as deficiências como se estivéssemos cuidando de nossos próprios filhos!

Será que assim fica mais fácil?

Ao raciocinarmos que aquele aluno incluído em nossa sala de aula poderia ser nosso filho, as nossas decisões sobre “o que fazer” podem ficar muito mais claras!

E é por aí que eu quero começar hoje!

Vamos pedir para que os profissionais analisem cada caso como se estivessem tratando de seus próprios filhos, porque caso contrário as decisões acabam sendo todas excludentes.

Fica muito fácil, por exemplo, decidir tirar uma criança do colégio, se ela está sendo agressiva com os demais alunos da turma!

Mas se for seu filho, antes de excluí-lo do processo educacional, qualquer um de nós procuraria ajuda para reduzir ou eliminar seus sintomas de agressividade, porque ele jamais evoluirá intelectualmente se continuar agressivo e nem será autossuficiente um dia!

Então nós, como educadores, devemos encaminhar o aluno para esse tipo de tratamento, como já conversamos em artigos sobre intolerância alimentar e acompanhamento multidisciplinar.

Fica muito fácil, também, quando encontramos um aluno numa turma do oitavo ano, mas com nível intelectual ainda na alfabetização, passar para ele as mesmas tarefas dos demais alunos e fazer as mesmas avaliações padronizadas e, ao ver que ele não soube ler, dar zero em todas as suas avaliações e atividades e, ao final do ano, colocar nas observações do seu histórico: APROVADO POR SER ALUNO DE INCLUSÃO.

Mas se fosse nosso filho nós pensaríamos diferente!

Nós não teríamos preguiça de adaptar o conteúdo para o seu nível de entendimento, para que ele aprendesse sempre um pouco mais em cada dia, com base no seu nível de entendimento e na sua idade mental.

Nós faríamos questão de dar tarefas que ele entendesse e assim se sentisse capaz de aprender sempre um pouco mais do que ontem.

Assim a autoestima dele estaria sendo elevada e ele iria, aos poucos, reduzindo a parte dos sintomas que são oriundas dos bloqueios emocionais.

E melhor ainda quando no final do ano seu histórico viesse com notas boas e nas observações o seguinte recado:

O relatório, por disciplina, do desenvolvimento desse aluno, que é público alvo da educação inclusiva, está em anexo a esse histórico escolar.

Assim qualquer pessoa, ao ler tal histórico, já saberá como continuar seu acompanhamento e, além disso, não haverá baixa autoestima de pais nem de aluno.

E então vem a célebre reclamação daqueles profissionais que preferem manter seu ritmo de aula padronizado, e que dizem não ter como dar atenção ao aluno especial, já que precisam dar atenção aos alunos normais.

Primeiro vamos perguntar a esses o seguinte:

Todos os seus alunos normais estão aprendendo mesmo?

Ou alguns deles serão reprovados por não conseguirem alcançar a média exigida?

Se a resposta foi “Sim! Todos estão aprendendo e, certamente, todos serão aprovados! ”, então eu não digo mais nada!

Mas se a resposta foi: Lógico que não. Sempre têm os que não querem nada, os que não fazer tarefas, os que vão mal nas provas… esses serão reprovados!

Aí então nós concluímos que a tal dedicação aos alunos normais não está dando certo também, mesmo sem aluno especial algum em sala.

Dar aula assim é muito fácil! Quem aprendeu passa. Quem não aprendeu perde! Fácil demais!

Educar ou ensinar não é tarefa fácil e não é para qualquer um! Ser professor de verdade não é saber dar aula, mas sim saber garantir a aprendizagem de todos os alunos, a partir do que o aluno sabe e da forma como ele pode aprender.

Vamos lembrar de Comenius, autor de Didática Magna, publicada no século XVII?

“Age idiotamente aquele que quer ensinar ao aluno não o que ele pode aprender, mas sim o que ele próprio deseja”

Mas aí esses professores, em vez de procurarem ser criativos para conseguir aprendizagem real, apenas desistem e abandonam os alunos com dificuldade, sejam eles especiais ou não, e se dedicam apenas aos melhores.

Só que esses melhores nem precisam de professor! Um computador em sala seria suficiente e mais barato!

Então vamos adotar metodologias que facilitem a aprendizagem de todos os alunos, mesmo que as diferenças de nível sejam as mais variadas possíveis.

Essas metodologias existem e não são difíceis de aplicar. Algumas delas são até estratégicas para a implantação da famosa “Escola Invertida”, que hoje tanto se fala no meio educacional.

A de dinâmica grupal, por exemplo, utilizada pelo Colégio IUPE, e que está descrita em um de nossos vídeos, é uma delas.

Mas há outras.

Vamos criar, experimentar, aperfeiçoar e divulgar!

O que nos interessa é que, ao tratarmos todos os alunos como se fossem nossos filhos, sejam eles especiais ou não, estejamos sempre procurando elevar a sua autoestima reconhecendo aquilo que eles produzem, estimulando-os na busca do conhecimento e incentivando-os a desenvolver sua intelectualidade e sua criatividade.

Assim todos estarão construindo a sua autossuficiência futura, que é o que todas as famílias precisam! Isso é fundamental!

Mandem suas dúvidas e vamos discutir sobre todos esses assuntos.

Vamos, principalmente, tentar recuperar essa terrível e ameaçadora deficiência na vontade de respeitar e desenvolver o aluno especial.

Amigos!

Para adquirir nossos livros entrem no blog (robertoandersen.blogspot.com) e clique na capa de um deles. O livro será enviado pelo Mercado Livre.

Inscreva-se em nosso canal de vídeo e em nosso blog.

Recebam, todos, um forte abraço!

Interpretação e aplicação da Lei Brasileira de Inclusão

Vamos conversar, hoje, sobre a interpretação correta de uma parte da Lei Brasileira de Inclusão, para ver se eliminamos algumas dúvidas.

1º ponto – o que é considerado “deficiência” pela Lei?

O Art. 2º diz claramente que:

“(…)considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas(…)”

Então, analisando os tipos de impedimentos:

“(…) de natureza física(…)”:

Dificuldade de locomoção, de controle motor da fala, de comando motor da escrita e outros.

“(…) de natureza mental(…)”:

Atraso mental leve, moderado ou grave refletindo em idade mental diferente da cronológica.

“(…) de natureza intelectual(…)”:

Mesmo sem atraso mental, dificuldade de entendimento de alguma disciplina, por algum tipo de bloqueio, cujas causas podem ser emocionais ou psíquicas, provenientes de educação equivocada, comparações na infância ou traumas por abusos físicos ou sexuais.

“(…) de natureza sensorial(…)”:

Dificuldades diversas relacionadas aos elementos sensores como visão, audição, tato, paladar, olfato e mais quaisquer sensores não conhecidos pela ciência biológica.

2º ponto – quem analisa e define se existem essas deficiências, segundo a Lei?

“(…) a avaliação da deficiência, quando necessária, será biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar(…)”

O “quando necessária” está dizendo claramente que nem sempre haverá necessidade de alguém para fazer tal avaliação, já que há situações em que a dificuldade de aprendizagem está mais do que clara para todos!

Mas, “quando necessário”, a escola deverá escolher alguém que entenda da dificuldade do aluno, por isso a Lei diz “biopsicossocial”, ou seja, profissionais que entendam das características das dificuldades desse aluno, entre as relatadas na própria Lei, que são:

“(…) impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo(…)”

“(…) fatores socioambientais, psicológicos e pessoais(…)”

“(…) limitação no desempenho de atividades(…)”

“(…) restrição de participação(…)”

A competência no entendimento dessas “características impeditivas da aprendizagem” não é do médico, isso é importante deixar bem claro, mas sim dos profissionais de pedagogia, que são:

Pedagogo

Psicopedagogo

Neuropedagogo

A escola, então, para considerar um aluno como cliente do Atendimento Educacional Especializado, pode solicitar a análise e o relatório de algum ou alguns desses profissionais, que são os que detém a necessária competência em relação ao processo pedagógico de aprendizagem.

Não está aí incluído nenhuma especialidade médica, já que a competência médica é necessária para atendimento clínico, mas nunca para atendimento pedagógico.

3º ponto – por que os técnicos do MEC estão exigindo Relatório Médico, se ele não é necessário, para que um aluno seja matriculado no AEE?

Infelizmente há técnicos ligados ao MEC que não têm conhecimento das normas do próprio MEC ou não souberam interpretá-las corretamente.

Por causa dessa dificuldade de interpretar as leis é que o próprio MEC publicou a Nota Técnica 04/2014/MEC/SECADI/DPEE de 23/01/2014, que tenta deixar bem claro que laudo médico é para tratamento clínico e não para acompanhamento pedagógico!

Entre outras coisas a Nota Técnica diz que:

NT-“(…) o AEE caracteriza-se por atendimento pedagógico e não clínico(…)”

A competência do médico é para realizar o atendimento clínico.

Para o atendimento pedagógico a competência é do pedagogo, ou do psicopedagogo e ou do neuropedagogo.

E então, devido a essas diferentes competências:

NT-“(…) o direito das pessoas com deficiência à educação não poderá ser cerceado pela exigência de laudo médico(…)”

E, para deixar bem claro que exigir LAUDO MÉDICO é um absurdo e ilegal, a NOTA TÉCNICA ainda diz que:

NT-“(…) a exigência de diagnóstico clínico dos estudantes com deficiências (…) configura-se em discriminação e cerceamento de direito(…)”

Acredito que não haja mais dúvidas sobre isso!

4º ponto – o que o professor deve fazer durante a aula, quando em sua sala existe um aluno com dificuldade de aprendizagem?

O Art. 27 da Lei diz que é obrigatório assegurar o:

“(…) sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem(…)”

Então está claro que a explicação do assunto da aula, a tarefa a ser realizada durante a aula, a tarefa passada para casa e a avaliação deverá ser realizada de forma a alcançar o “(…)máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem(…)”.

Vamos criar uma situação para análise?

Sala de aula 8º ano. Aula de matemática. Assunto potenciação. Aluno com idade mental abaixo da idade cronológica e nível intelectual equivalente ao 2º ano.

Se o professor der uma aula expositiva sobre potenciação, no nível do 8º ano, o que acontecerá com o aluno especial, cujo intelecto está no nível do 2º ano?

Opção a) Ele ficará super satisfeito em estar em uma sala onde o professor fala uma linguagem que ele não entende e mais satisfeito ainda quando vê que seus colegas entendem tudo e ele não entende nada. Ele elevará a sua autoestima e assim ele se sentirá animado para sempre tentar aprender coisas impossíveis e estranhas ao seu conhecimento. Com essa autoestima elevada o seu cérebro estará sempre trabalhando a seu favor e ajudando a reduzir os sintomas de dificuldade de aprendizagem.

Opção b) Ele ficará triste e desanimado em estar em uma sala onde o professor fala uma linguagem que ele não entende e mais triste e desanimado ainda quando vê que seus colegas entendem tudo e ele não entende nada. Ele vai reduzir a sua autoestima e assim ele se sentirá desanimado porque sabe que vai ter que sempre tentar aprender coisas impossíveis e estranhas ao seu conhecimento. Com isso, baixa a sua autoestima e o seu cérebro estará sempre trabalhando contra ele mesmo e aumentando ainda mais os sintomas de dificuldade de aprendizagem.

É óbvio que a resposta certa é a opção b!

Ou seja: esse procedimento do professor está totalmente contrário à determinação legal do Art. 27, já que dar esse tipo de aula, onde há um aluno especial, não está ajudando a obter o “(…)máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem(…)”.

O que esse professor está tentando fazer é fingir que não está percebendo que o aluno especial não está entendendo nada, deixa-lo isolado em um canto da sala, ignorar o fato de ele não entender as tarefas, de ele não realizar os trabalhos para casa e de ele tirar zero nas avaliações e, ao final do ano, lançar zero em seu boletim e, nas observações colocar: aprovado por ser aluno especial!

Esse professor, além de estar em desacordo completo com o Art. 27 da Lei, está conseguindo baixar ainda mais a autoestima desse aluno, o que vai fazer com que o aluno se sinta cada vez mais inferior em relação aos seus colegas e à sociedade, desistindo de estudar e desistindo de viver socialmente.

Esse professor estará decretando a infelicidade desse aluno!

5º ponto – qual a função de cada profissional, em uma escola, quando temos alunos de inclusão matriculados?

Para não estender muito a nossa conversa de hoje, leiam o nosso artigo ou assistam ao vídeo “Educação inclusiva e os cinco passos básicos da coordenação”, no qual eu especifico a verdadeira função de cada um, de acordo com a Lei Brasileira de Inclusão que é a que nós estamos discutindo.

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