Andragogia com Roberto Andersen em IUPE Educação

Para entrar mais em detalhes sobre o assunto, eu recomendo a leitura dos livros de Erik Erikson, que foi o teórico que mais colaborou para o entendimento das necessidades básicas de satisfação do adulto e do idoso, enquanto os demais focaram mais no desenvolvimento do ser humano até os seus dezoito anos de idade.

Em meu livro AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO – PSICOPEDAGOGIA eu sintetizo os ensinamentos de Erik Erikson, fazendo um paralelo com Wallon, Freud, Piaget e Vygotsky.

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Improvisação em sala de aula – comentários

Improvisação em sala de aula – comentários e opiniões
Diversos foram os comentários que recebi, após ter publicado o artigo em e o vídeo sobre o assunto em . São só dez minutos de vídeo e são suficientes para despertar todas as polêmicas sobre o assunto. Aguardo seus comentários.
Mas, vamos à análise de alguns já recebidos.
Noure Cruz deu exemplos interessantíssimos e que merecem reflexões a respeito. Um deles é a forma semântica de se utilizar o termo IMPROVISAÇÃO. É bom lembrar que há professores dedicados, competentes e responsáveis que denominam de IMPROVISAÇÃO a sua forma CRIATIVA de adaptar a matéria do dia a algum assunto do momento, incluindo aí brincadeiras (até de mau gosto) feitas por alunos ou grupos de alunos durante a aula.
Essa CRIATIVIDADE transforma a aula em um momento muito agradável, anula as inconveniências de uma brincadeira de alunos desinteressados e todos passam a ter muito mais respeito pela aula, e pelo professor.
Então não se trata de concordar ou discordar do termo “improvisação”. Há improvisações competentes e há improvisações irresponsáveis.
Lembrem-se do caso do professor Flávio, conforme relatei no vídeo. Suas aulas alcançavam o objetivo da educação, ou seja: elas proporcionavam a todos os alunos o verdadeiro prazer de aprender, trazendo como resultado o sucesso completo de todos eles, sem qualquer exceção!
E ele foi demitido de um colégio grande de Salvador, exatamente pela sua forma “diferente” de dar aulas… Essa forma era o que alcançava os alunos e permitia o desenvolver do interesse pela matéria…
A arguição que ele fazia nos dez minutos finais das suas aulas, sempre de forma dinâmica e entusiasmada, empolgava a todos! Todos respondiam ao mesmo tempo em que ele apontava para cada ponto do quadro, o que provocava um registro visual e aural definitivo para a absorção do conhecimento pelos alunos.
Comprovei a excelência desse seu método quando vi o resultado de um “simulado”, quando praticamente todos os alunos acertaram todas as questões de história! Eles se lembravam de tudo com tranquilidade. Aprenderam a gostar da matéria.
Criatividade é, então, algo necessário e que deve, inclusive, ser estimulado a cada dia. Esse tipo de improvisação/criatividade é louvável! É quando o professor consegue fazer o elo entre o assunto e a realidade discente. É quando o professor, além de ter pesquisado se houve alguma alteração nos conceitos e outras especificidades do assunto a ser ministrado, procura ligar o assunto ao dia-a-dia do aluno e também aos noticiários da semana. É quando o professor se preocupa em encontrar meios de ligar seu assunto ao foco de interesse de seus alunos. É quando ele se preocupa em alcançar o aluno em seu universo particular.
Mas existe a improvisação negativa, que deveríamos chamar de ARMENGUE. Essa é a daquele professor que assumiu sua competência como definitiva e que não precisa mais se preocupar com preparação de aulas, conforme relato no vídeo.
Esse carece do sentimento de humildade necessário para reconhecer que seu conhecimento precisa estar sempre sendo atualizado e que não há gênios sem esforço, estudo e dedicação constante!
Cláudia Castro, fã confessa de Claudio Moura Castro, relata sobre o conceito de “funil escolar” apresentado por ele anos atrás. Um funil composto por provas e exames seletivos, classificação de escolas classe A, B, C ou D, quando os professores se acomodam com as formas de “dar aulas”, esforçando-se um pouco mais nas turmas “boas” e cumprindo sua obrigação nas turmas ruins…
Nesse momento observamos que: ou a formação dos professores está abaixo da crítica, ou o ambiente onde ele se insere, após sua formação, destrói toda sua possível empolgação pelo ensino.
Todos são unânimes em dizer que a remuneração do professor não está condizente com a responsabilidade que ele tem na formação da sociedade, mas não acredito que o problema esteja apenas nesse ponto!
Várias experiências foram realizadas, em diversas áreas de administração de pessoal, mostrando que os resultados positivos de um aumento salarial e de condições materiais de trabalho só surtem efeito durante os meses iniciais de sua implantação.
Em pouco tempo os professores mal formados perdem todo entusiasmo, já que o único elemento incentivador de sua qualidade e de seu esforço é o aumento do salário, coisa que perde o efeito muito rápido assim que ele se acomodar a um novo padrão de vida, com mais despesas, voltando a ter as mesmas dificuldades de antes, apenas com novos tipos de necessidades em níveis sociais mais elevados.
O professor mal formado, ou sem amor à profissão, será um eterno insatisfeito, independente do salário que venha a receber. E sua insatisfação não fica apenas na escola onde “diz que ensina”, mas também a leva para casa, mostrando-se intolerante com seu cônjuge, seus filhos e seus parentes, ampliando assim o índice de separações, divórcios e infelicidade afetiva.
Mas quando mostramos ao professor o caminho do exercício da criatividade e o prazer que uma aula bem planejada e bem adaptada às condições do momento pode proporcionar a ele e a todos os seus alunos, esse professor descobre a magia da sua profissão!
É uma profissão mágica! Não que o professor faça milagres, mas ele permite ao aluno descobrir habilidades, competências e conhecimentos que estão dentro deles mesmos, aguardando apenas um elemento incentivador. Esse elemento é o professor competente, responsável, afetivo, exigente e criativo!
Como bem disse Cláudia Castro,”(…) o professor tem que ser “seduzido”. E aí está o X da questão. Não há política de formação de professor que garanta que este profissional mergulhe de cabeça numa profissão que resulta em um saudável sacerdócio. Infelizmente não temos um detector de comprometimento… Por que educar é acima de tudo um compromisso. Compromisso com a afetividade, compromisso com a auto formação, compromisso com o “não improviso” e principalmente, um compromisso com aqueles para os quais se educa pelo EXEMPLO.”
Obrigado, Cláudia, pela sua contribuição!
Leia também e comente, em: http://alturl.com/geyvh

Desânimo escolar: como entender e reverter?

Estamos acostumados a estudar todos os tipos de anomalias comportamentais, cada uma com uma classificação diferente, de simples dificuldades a síndromes e transtornos, mas todas trazendo prejuízos incalculáveis ao crescimento intelectual e emocional do aluno. Nossos estudos visam reduzir tais prejuízos a partir do entendimento dessas anomalias e do desenvolvimento de metodologias educacionais apropriadas a cada caso.
Uma delas, entretanto, tem sido ignorada pela maioria dos educadores e pelas famílias, já que a entendem como simples atitude de “revolta adolescente” ou de “apatia intelectual” típica da idade ou coisa parecida. É o “desânimo escolar”!
Esse desânimo faz com que o aluno desista de fazer qualquer esforço para aprender algo, procure sempre fazer algo, na sala, que nada tenha a ver com a aula, resista bravamente a qualquer atividade passada pelo professor ou esteja sempre com ar de cansado e desanimado.
Em casa ele nada faz. Se os pais perguntarem sobre atividades escolares, as respostas variam entre:
– Os professores não passaram nenhuma atividade para casa;
– Os professores não deram nada na aula hoje;
– Já fiz todos os deveres antes de sair da escola, hoje mesmo.
Basta observarmos qualquer sala de aula para identificarmos pelo menos dois alunos com essas características. Dois porque normalmente as atitudes desses alunos podem ser consideradas como “quase contagiosas”. Esse aluno não se sente bem sendo o único em sala a proceder assim. Devido a isso, ele trabalha, até de forma inconsciente, como “sabotador”, levando colegas a adotarem esse mesmo procedimento em sala.
Vamos hoje analisar de forma diferente. Não vamos tentar identificar as causas, mas vamos identificar meios de reduzir e até eliminar essa anomalia, principalmente por ser ela responsável pela maioria dos insucessos escolares, médias baixas, reprovações e, em casos mais graves, decepções emocionais dos pais, alguns chegando ao ponto de “desistir” da educação de seu próprio filho, como já tive a infeliz oportunidade de presenciar.
Temos um caminho simples a seguir, mas que deve ser seguido tanto pelos pais, em casa, como pelos professores, na escola.
Iniciaremos pelos pais:
Não interessa quanto tempo você tem disponível para estar com seu filho. Esse tempo deve ser verdadeiro. Esse tempo deve ser bem aproveitado com assuntos que estejam sempre contribuindo para estimulá-lo aos estudos, pesquisas, trabalhos e lazer programado.
Um dos maiores perigos nessa relação de responsabilidade é achar que o outro é o que deve dar mais atenção ao filho. Nessa relação cada um tem um papel individual importantíssimo e insubstituível. O filho precisa ter a atenção de um e de outro individualmente e em conjunto. Mas precisa de atenção verdadeira, ou seja, que seja mostrado interesse real pelo que ele faz, pelos seus estudos, pelos assuntos que está pesquisando e pelas suas próprias conclusões.
Uma criança ou um adolescente que escreve um texto e não percebe interesse de ninguém pelo que escreveu, começa a ficar desgostoso com seus estudos e pode entrar no processo do desânimo de que estamos tratando.
Assistir telejornais na companhia do filho para discutir assuntos do momento e que podem estar relacionados aos assuntos estudados na escola é uma das formas de reduzir e até evitar esse desânimo.
Dedicar-se a ler a produção diária de seu filho, não para confirmar se foi feito alguma coisa, mas para elogiar suas ideias e sugerir novos questionamentos aos mesmos fatos, é a melhor forma de “vaciná-lo” contra desânimos. Assim você também estará garantindo o seu sucesso.
Em nossa escola você ainda tem a possibilidade de fazer todo esse acompanhamento mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, já que esse contato pode ser feito diariamente pela internet, através do acesso ao BLOG individual de seu filho.
Agora os professores:
Só mesmo alunos muito bem resolvidos em sua vida pessoal e familiar podem conseguir ficar em uma sala de aula ouvindo um professor tagarelar o tempo todo, mesmo que o assunto seja interessante!
Mesmo assim se esses alunos não tiverem capacidade intelectual acima da média, já que para esses a inquietação é imediata e o sentimento de estar “perdendo tempo” pode fazer aparecer toda a sintomatologia de um aluno mal educado, desanimado, hiperativo e tudo o mais.
Uma aula precisa, antes de tudo, ter objetivos mais realistas e menos teóricos. O importante da aula não é o assunto a ser “dado”, mas a forma de entusiasmar cada aluno, na sua individualidade, pela matéria, pelo assunto, pela pesquisa e pelo questionamento sobre o tema do dia.
O ponto básico da aula é o uso de todos os minutos reservados para essa aula, sem “espaços vazios”! Espaços criam expectativas e ansiedades, a princípio, e desânimos perigosos, mais tarde. Os alunos devem sentir que estão sendo úteis para consigo mesmo, durante todo o tempo da aula. Deixá-los “à vontade” não os deixa à vontade. Cria-se uma insatisfação por perda de tempo. Eles podem até “achar” que estão gostando desse momento do nada fazer, mas sentem a “perda de tempo” e começam a ficar inquietos e estressados. O tempo parece demorar mais a passar e a campainha de final de aula fica sendo aguardada com mais ansiedade do que nunca!
Por isso que o planejamento da aula deve prever vários tipos de atividades, principalmente debates em grupo logo após o assunto do dia ter sido explanado, incluindo aí tarefas extras para quem terminar um teste antes dos outros. Um aluno não consegue ficar quieto em sala se não tiver algo importante e útil para fazer.
Visto o ponto básico do uso de todos os minutos, vamos ao entusiasmo do aluno.
Conseguir entusiasmar a todos com a mesma forma metodológica é praticamente impossível. Cada aluno reage de uma forma diferente a depender de suas características próprias.
E a única forma deles expressarem suas características e assim descobrirmos a forma de alcançá-los é deixando-os livres para trabalhar individualmente ou em grupo, assim que o tema principal da aula tiver sido apresentado. A partir desse momento o professor, passeando pelos grupos, começa a procurar entender as características dos indivíduos e dos grupos, podendo adaptar suas metodologias e conseguir melhores resultados.
Querer ensinar o assunto do programa sem procurar descobrir o que cada aluno pode aprender e de que forma ele conseguirá se entusiasmar, é desperdício de tempo e serve apenas para criar um sentimento de incompetência no professor, criando estresse e provocando descontrole emocional e intolerância. Comenius já dizia isso desde antes da didática ser criada no mundo: “Age idiotamente aquele que pretende ensinar aos alunos não quanto eles podem aprender, mas quanto ele próprio deseja” (Comenius, século XVII, na Didacta Magna)
Se cada professor observar esses dois detalhes em suas aulas e se todos os pais passarem a demonstrar interesse pelos assuntos estudados pelos filhos, não haverá alunos desanimados, não haverá médias baixas e não haverá reprovações.
Somos nós os responsáveis pelo desânimo ou pelo entusiasmo dos nossos filhos e alunos. Então está em nossas mãos essa mudança! Mas precisamos todos agir independente do outro estar fazendo ou não a sua parte!