Andragogia com Roberto Andersen em IUPE Educação

Para entrar mais em detalhes sobre o assunto, eu recomendo a leitura dos livros de Erik Erikson, que foi o teórico que mais colaborou para o entendimento das necessidades básicas de satisfação do adulto e do idoso, enquanto os demais focaram mais no desenvolvimento do ser humano até os seus dezoito anos de idade.

Em meu livro AFETIVIDADE NA EDUCAÇÃO – PSICOPEDAGOGIA eu sintetizo os ensinamentos de Erik Erikson, fazendo um paralelo com Wallon, Freud, Piaget e Vygotsky.

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Educação inclusiva 04 – relato de caso


Relato de caso:

Menino de 11 anos com maturidade de 7 anos, diagnosticado com uma espécie de estenose pulmonar. Fez correção cirúrgica e passou a apresentar comportamento agitado. Pelos resultados de exames de ressonância apresenta lesão no lobo temporal esquerdo.

O maior desafio que apresenta hoje é não querer estar na escola por se sentir excluído e ser dependente em quase tudo.

Vamos a análise e às sugestões:

Tenha seu filho o que tiver, a determinação legal da realização da educação inclusiva tem que ser cumprida pela escola.

Esse cumprimento significa, em primeiro lugar, prover o desenvolvimento intelectual da criança a partir do seu nível de entendimento e, em segundo lugar, prover a sua socialização com colegas de mesma faixa etária.

A única preocupação que os pais devem ter antes de exigirem a matrícula e o respectivo atendimento é tratar a inquietação excessiva e, principalmente, a agressividade, se houver.

Isso é para evitar prejuízos físicos e prevenir acidentes graves tanto para ele mesmo como para seus colegas.

Embora a legislação não diga que o aluno especial só deve estar em sala de aula se estiver com a agressividade controlada, sabemos que isso é necessário.

Até mesmo porque, embora a escola não possa recusá-lo, os pais dos demais podem processar os pais do incluído, por todas as lesões causadas pela agressividade descontrolada de seu filho.

Algumas sugestões para isso estão em meu artigo e vídeo sobre agressividade, já publicado anteriormente.

Agora vamos a análise do que fazer em relação ao seu filho:

Alguns procedimentos podem ser realizados em casa e outros devem ser realizados na escola, mas para isso a escola e, principalmente, os professores, precisam ter a boa vontade e dedicação para essa realização.

Se a escola não tem esse tipo de profissional, não haverá progresso para a criança e ela será apenas “depositada” em uma sala de aula e, no máximo, “acolhida” pelos professores e colegas, mas nunca desenvolvida nem incluída.

Tendo 11 anos de idade ela deveria iniciar seu acompanhamento em uma turma do 5º ano, embora essa turma seja de alunos com 10 anos, mas para que facilite o processo inicial de educação inclusiva real.

Isso porque no 6º ano, por já ser uma série de Ensino Fundamental II, aumenta o número de disciplinas e professores, o que significa que é muito mais difícil convencê-los, a todos, a serem educadores inclusivos.

Conseguindo uma escola que o aceite com boa vontade para a educação inclusiva real, é bom conversar com a coordenação e com os professores para relatar as características de seu filho e sinta se eles estão mesmo interessados em ajudar seu desenvolvimento e sua socialização.

Se não sentir essa disposição, mude de escola!

Professores acomodados ao tradicional só atrapalham o desenvolvimento da criança especial e ainda contribuem para baixar ainda mais a sua autoestima, provocando o desejo de não ir mais para a escola, por se sentir excluído e incapaz.

Numa escola que coordenação e professores se mostrem interessados em ajudar o aluno, basta acompanhar o processo e conversar frequentemente com toda a equipe, tanto para analisar o que está sendo feito, como para ver o que você pode fazer em casa para que seu desenvolvimento seja mais eficaz.

O procedimento para os professores tem sido abordado em vários artigos e vídeos meus, já publicados.

Vamos agora ao que pode ser feito em casa:

Você deve sempre analisar quais as habilidades de seu filho, ou até testar quais seriam elas, para estimular esse desenvolvimento.

Todos na família devem estar atentos ao aparecimento de alguma habilidade mais específica, porque isso é importante.

Sempre que a criança fizer qualquer coisa, seja mecânica, seja intelectual, os familiares devem estar preparados para gostarem e ficarem alegres com sua realização.

O reconhecimento é parte importante para o seu desenvolvimento como um todo, porque eleva a sua autoestima e facilita todo o trabalho de sua própria mente.

Nosso cérebro está sempre se esforçando para curar todas as nossas doenças e eliminar todas as nossas dificuldades. Só precisamos dar a ele essa oportunidade. E essa oportunidade surge quando a autoestima está elevada.

Outra necessidade é que sejam feitos, em casa, estímulos de todos os seus elementos sensores, mesmo que só pareça haver lesão no processamento do som, que é o lobo temporal.

Como todos os elementos sensores interagem entre si, estimular um deles significa estar alcançando um pouco do outro também.

Esses estímulos devem ser feitos como brincadeiras com imagens (formas, cores, movimentos), com sons (vendar os olhos para ele identificar e onde vem os sons, etc.), massagens corporais (para trazer calma, afetividade e paz), exercícios de identificação de objetos pelo tato (olhos vendados ou mão dentro de um saco), olfato (aroma de diferentes flores), paladar (provar alimentos com diferentes sabores) e muito mais. Tudo depende da criatividade de quem está com ele.

A depender das características cerebrais da criança, os exercícios podem deixa-lo cansado. Devemos sempre estar atentos a isso para que ele nunca exagere ao ponto de chegar ao estresse.

O mais importante de tudo é que todos, na família, estejam atentos às suas habilidades e reconhecendo cada avanço que ele tiver.

Todos devem ser alertados para NUNCA chamar a atenção para suas dificuldades, já que não é com as dificuldades que conseguiremos ajuda-lo a nada!

Só podemos ajuda-lo a partir daquilo que ele entende, daquilo que ele pode fazer e daquilo que nós conseguimos estimulá-lo a desejar fazer.

Educação inclusiva 03 – dinâmica grupal em sala de aula

Amigos,

Vamos falar de EDUCAÇÃO INCLUSIVA VERDADEIRA, suas maiores dificuldades e as melhores soluções.

LEMBREMOS SEMPRE DOS OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA:

1-Garantir que todos os dias o aluno especial aprenda mais alguma coisa a partir daquilo que ele já sabe, explorando suas habilidades, visando sua autossuficiência futura.

2-Preparar o aluno especial, assim como seus colegas normais, para que consigam ter uma convivência saudável e respeitosa, independentemente de suas características físicas ou psíquicas.

HOJE VEREMOS A DINÂMICA GRUPAL EM SALA:

Toda aula deve ser dada como se fosse uma aula para turmas multisseriadas em forma integrada, nunca em forma dividida, ou seja, nada de cada série virada para uma parede com um quadro, com professor se revezando, ora num quadro, ora em outro…
Muitisseriada real, onde o tema é o mesmo para todos, mas a abordagem do tema é que estará dentro do nível de cada um dos alunos.

Os desenhos são os mesmos, assim como as ilustrações, e a importância do tema também deve ser apresentada de forma que seja bem entendido por todos os níveis.

Obviamente já se percebe que o professor não poderá dar essa aula inteira de forma expositiva, já que assim ele só alcançara uma parte da turma.

Por isso, vamos ver por partes:

Parte 1 da aula:

O professor faz o marketing do assunto da aula, para toda a turma, inclusive os especiais, em uma linguagem que todos entendam e de forma que todos se entusiasmem pelo assunto.

Parte 2 da aula:

O professor separa os alunos em grupos operativos, entregando para cada grupo o questionário do estudo dirigido a ser executado a partir daquele momento.
Os grupos iniciam a resolução dos seus questionários.

Parte 3 da aula:

O professor visita cada grupo para estimular o trabalho, observar o desempenho de cada aluno em seu grupo e identificar as dificuldades e dúvidas.

Parte 4 da aula:

A cada dificuldade encontrada por um grupo o professor interrompe o trabalho de todos, vai para o quadro, e explica a dúvida de um grupo para toda a turma.

Se a dificuldade encontrada for no grupo de alunos especiais o professor tanto pode tirar a dúvida no próprio grupo, como pode, a depender da dúvida, também socializá-la para a turma toda.

Observação importante:

O estudo dirigido deve ser preparado de tal forma que ocupe todo o tempo da aula, para que os alunos se sintam produtivos durante todo esse período.

Detalhes:

-Os estudos dirigidos para os alunos especiais deverão ter o mesmo formato e os mesmos desenhos, de forma que pareçam com os dos demais alunos, mas com as questões dentro de seus respectivos níveis de entendimento.

-No grupo dos alunos especiais serão sempre inseridos alunos “normais”, em revezamento, escolhidos entre os melhores daquela matéria, mas que receberão o mesmo questionário dos incluídos, para que todos, no grupo, se sintam realizando a mesma tarefa.

-Esses alunos são os alunos agentes de inclusão do dia, e serão preparados para isso pelo professor ou pelo psicopedagogo da escola.

-Esses alunos “normais” deverão ser escolhidos entre aqueles que já têm o hábito de estudar em casa e de pesquisar e que, portanto, estarem dedicados a acompanhar seus colegas especiais em uma aula, não fará nenhuma diferença para eles.

-Para facilitar a inclusão social dos especiais em relação a todos os seus colegas de sala, uma questão final do estudo dirigido poderá ser uma questão lúdica igual para todos, sejam alunos especiais ou normais, para que haja a possibilidade de que, todos, sem exceção, possam realiza-la divertidamente, em total congraçamento.

IUPE Educação: A importância do gostar do aluno

Desde que o filme “Escritores da Liberdade” começou a ser assistido por professores de todo o mundo, muitos ainda têm dúvidas sobre a necessidade ou não de “gostar do aluno”.

Acredito que aquele que abraça essa carreira sem ter esse sentimento, está na profissão errada.

A IMPORTÂNCIA DE GOSTAR DO ALUNO

Nada jamais será conseguido de positivo em relação à aprendizagem de nossos alunos, em relação à conquista de uma turma, em relação à conquista da confiança individual de cada um deles, se nós não gostarmos deles!

Alguns professores chegam a me dizer: “Mas ela não gosta de mim. Mas ele não gosta de mim”

Isso não nos interessa isso, amigos! Não é o aluno quem tem que gostar de você! É você quem tem que gostar dele!

E perceba que, quando um aluno demonstra que não gosta de você, existe uma motivação que, normalmente, está na relação familiar, ou seja, na casa dele!

Ele o identifica com alguma coisa que não o agrada, ou o usa como alvo, para descontar a agressividade que recebeu em casa. Mas, a partir do momento que você realmente consegue gostar dele de forma verdadeira e sincera, essa revolta proveniente de algum bloqueio emocional, começa a ser quebrada.

Breve você terá conquistado esse aluno e toda a sua turma.

Então, amigos, o primeiro passo, o passo fundamental, para que nós possamos levar adiante a nossa metodologia e a nossa didática, tudo aquilo que pretendemos fazer em uma sala de aula, desde que exista a intenção sincera de conseguir a aprendizagem real dos alunos, de todos eles, é gostar deles.

Apenas gostando, assumindo que nós temos que aprender a gostar de cada um deles, de todos eles individualmente, é que nós vamos poder alcançá-los.

Alcançando-os conseguiremos obter nossos objetivos de construir a aprendizagem real, por meio de uma eficácia bem melhor do nosso trabalho didático, do nosso trabalho metodológico, desse nosso trabalho de ensino.

Então, amigos, a dica de hoje é essa: Gostar do aluno! É usar esse amor que você tem que ter dentro de você e que tem que passar para o aluno.

Mas, aí surge uma dúvida! Como vamos conseguir ter esse amor dentro de nós?

Vamos iniciar analisando a nossa vida pessoal. Eu disse que gostar é importante. Mas será que você gosta de você?

Então, como primeiro passo, analise a sua vida pessoal e a sua vida conjugal, ou seja, a sua vida em geral. Você está agindo corretamente com você mesmo? Será que você está construindo amor dentro de você?

Pense nisso. Verifique a sua relação com a família, com seu cônjuge, com seus amigos, e comece a construir uma nova vida de amor, de amizade, de respeito, de afeto, na sua vida pessoal.

Aí sim! Você vai conseguir, a partir da construção desse amor, fazer exatamente isso que eu estou sugerindo.

Porque, ir para a escola, ir para o enfrentamento de uma turma, sem ter amor de verdade dentro do seu coração, vai impedir com que você consiga essa conquista individual e coletiva, que é extremamente necessária para levar adiante o verdadeiro processo de ensino-aprendizagem e, principalmente, em escolas, como as nossas, que são escolas inclusivas.

Pense bastante nisso. Reflita sobre isso. A amor tem que viver dentro de você, dentro de sua mente! E você tem que passar esse amor para todos os seus alunos. Gostar de cada um deles.

IUPE Educação: Dificuldades de Aprendizagem 2

Dificuldades, Distúrbios e Transtornos de Aprendizagem

Uma das mais frequentes reclamações dos pais, nos dias atuais, é a dificuldade de seu filho em aprender alguma matéria e, em alguns casos, todas as matérias.

Junto com essa dificuldade surge também a falta total de interesse e a consequente preguiça para estudar.

Precisamos, então, diferenciar essas dificuldades daquilo que convencionou-se chamar de distúrbios, transtornos e outras anomalias.

Percebe-se, em quase todas as classes, que as dificuldades de aprendizagem, em uma ou mais matérias, estão presentes em mais de setenta por cento dos alunos.

Todos esses setenta por cento, então, possuem alguma espécie de dificuldade de aprendizagem, mas apenas alguns, cerca de sete por cento, possuem, além disso, alguma anomalia no funcionamento de suas redes neurais, o que torna essa dificuldade ainda maior e com características mais específicas.

Essas anomalias mais especiais provenientes de alterações no funcionamento das redes neurais, são: o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade); TDA (O mesmo transtorno, mas sem a hiperatividade); Dislexia; Discalculia; Disgrafia; Disortografia e outros.

Vamos enfocar primeiro as dificuldades presentes na maioria dos alunos, independentemente de terem ou não alguma anomalia de origem neurológica, para depois analisar as características específicas de cada um dos distúrbios e transtornos.

Dificuldade de Aprendizagem

As declarações mais comuns ouvidas em casa ou na escola são: “Não adianta eu estudar porque matemática não entra na minha cabeça!” ou “História eu estudo, estudo, mas na hora da prova não me lembro de nada!” E assim por diante.

Estamos diante de uma dificuldade de aprendizagem tradicional que, muitas vezes, carrega junto uma forte “falta de força de vontade” para tentar vencer esses desafios.

A baixa autoestima é uma das características mais comuns em quase todos esses casos.

Quais são as principais causas dessas dificuldades?

Causas das Dificuldade de Aprendizagem

Entre os principais elementos causadores dessas dificuldades está a comparação, feita por seus pais ou professores, com outras crianças da mesma idade, ou com seu irmão mais velho quando este estava na mesma fase de desenvolvimento cognitivo inicial.

Os adultos (pais e professores) custam a entender que cada criança tem a sua velocidade própria de aprendizagem e que, mais importante ainda, cada uma delas tem a sua própria forma para entender as informações que chegam.

Por não respeitarem essas características, é comum a criança ouvir que seu irmão, seu primo, seu colega ou seu vizinho já aprendeu tudo e ele… Nada!

Uma criança que ouve uma comparação dessas só consegue crescer na aprendizagem se tiver uma forte disposição para enfrentar desafios.

Caso contrário ela vai baixar tanto a sua autoestima ao ponto de criar bloqueios emocionais graves, prejudicando todo o seu desenvolvimento cognitivo.

Outro elemento disparador dessas dificuldades é a falta à aula ou a sonolência em sala, causando a “perda do ritmo” no acompanhamento das explicações de uma determinada matéria, principalmente matemática, fazendo com que lhe faltem bases para o entendimento do assunto atual.

O aluno chega à conclusão de que não entende nada da matéria, em vez de procurar estudar o que ficou para trás e assim poder voltar a acompanhar o ritmo da turma.

Essa perda do ritmo já pode ser, também, consequência de uma rotina inadequada ao período escolar, como: dormir muito tarde ou período de sono irregular ou mal programado; alimentação desbalanceada ou insuficiente ou exagerada; estresse cerebral devido a mais de uma hora seguida de exposição à jogos eletrônicos, computadores, video-games ou mesmo televisão; consumo desnecessário de energéticos e outros tantos fatores.

Superação das Dificuldades de Aprendizagem

Para vencer essas dificuldades deve-se analisar, junto com os pais, os principais elementos perturbadores da aprendizagem, e sugerir para a família:

  1. Observar se o consumo de água está sendo suficiente e se a alimentação está balanceada;
  2. Ajustar a rotina diária, determinando hora para estudo, hora para brincadeiras e hora de descanso;
  3. Ajustar o período de sono para que seja suficiente e bem planejado;
  4. Determinar tempo máximo de exposição à jogos eletrônicos e à programas de televisão;
  5. Criar o ambiente para estudo em casa. O ambiente de estudo ideal é aquele em que o aluno percebe que as demais pessoas da família também estão em atividade semelhante;
  6. Reconhecer o esforço do filho e estimulá-lo a melhorar mais;
  7. Evitar criar expectativa de resultado imediato e ter muita paciência e dedicação.

O ajuste desses pontos precisa do apoio da família e, se bem feito, constituirá a base estrutural da sua recuperação cognitiva que, agora, precisará do apoio do professor para:

  1. Identificar o nível de entendimento do aluno em sua matéria ou assunto;
  2. “Provar” para o aluno que ele entende do assunto, mesmo que, para isso, tenha que voltar a assuntos anteriores que servirão de base para o entendimento da matéria;
  3. Passar questionários ou listas de exercícios ou tarefas do livro ou módulo, dentro do seu nível de entendimento da matéria, mesmo que esteja defasado dos demais alunos da turma;
  4. Estimular o aluno a realizar mais tarefas por meio do reconhecimento do seu esforço pelas que foram cumpridas;
  5. Elogiar os acertos, utilizar a estratégia do “quase acertou” para os erros e passar sempre a imagem do entusiasmo.
  6. Evitar criar expectativa de resultado imediato, para evitar desânimo de ambos, aluno e professor;
  7. Realizar todo esse acompanhamento sem preocupação com o alcance do nível da turma, mas apenas o avanço real da aprendizagem em relação ao dia anterior.

Esse procedimento servirá, não só para os alunos normais com simples dificuldades de aprendizagem, mas também para todos os alunos que, além dessas dificuldades, apresentem características de qualquer anomalia cognitiva, incluindo as de origem neurológica.

Nas próximas postagens entraremos na análise dos distúrbios e transtornos de aprendizagem de origem neurológica.

Desânimo escolar: como entender e reverter?

Estamos acostumados a estudar todos os tipos de anomalias comportamentais, cada uma com uma classificação diferente, de simples dificuldades a síndromes e transtornos, mas todas trazendo prejuízos incalculáveis ao crescimento intelectual e emocional do aluno. Nossos estudos visam reduzir tais prejuízos a partir do entendimento dessas anomalias e do desenvolvimento de metodologias educacionais apropriadas a cada caso.
Uma delas, entretanto, tem sido ignorada pela maioria dos educadores e pelas famílias, já que a entendem como simples atitude de “revolta adolescente” ou de “apatia intelectual” típica da idade ou coisa parecida. É o “desânimo escolar”!
Esse desânimo faz com que o aluno desista de fazer qualquer esforço para aprender algo, procure sempre fazer algo, na sala, que nada tenha a ver com a aula, resista bravamente a qualquer atividade passada pelo professor ou esteja sempre com ar de cansado e desanimado.
Em casa ele nada faz. Se os pais perguntarem sobre atividades escolares, as respostas variam entre:
– Os professores não passaram nenhuma atividade para casa;
– Os professores não deram nada na aula hoje;
– Já fiz todos os deveres antes de sair da escola, hoje mesmo.
Basta observarmos qualquer sala de aula para identificarmos pelo menos dois alunos com essas características. Dois porque normalmente as atitudes desses alunos podem ser consideradas como “quase contagiosas”. Esse aluno não se sente bem sendo o único em sala a proceder assim. Devido a isso, ele trabalha, até de forma inconsciente, como “sabotador”, levando colegas a adotarem esse mesmo procedimento em sala.
Vamos hoje analisar de forma diferente. Não vamos tentar identificar as causas, mas vamos identificar meios de reduzir e até eliminar essa anomalia, principalmente por ser ela responsável pela maioria dos insucessos escolares, médias baixas, reprovações e, em casos mais graves, decepções emocionais dos pais, alguns chegando ao ponto de “desistir” da educação de seu próprio filho, como já tive a infeliz oportunidade de presenciar.
Temos um caminho simples a seguir, mas que deve ser seguido tanto pelos pais, em casa, como pelos professores, na escola.
Iniciaremos pelos pais:
Não interessa quanto tempo você tem disponível para estar com seu filho. Esse tempo deve ser verdadeiro. Esse tempo deve ser bem aproveitado com assuntos que estejam sempre contribuindo para estimulá-lo aos estudos, pesquisas, trabalhos e lazer programado.
Um dos maiores perigos nessa relação de responsabilidade é achar que o outro é o que deve dar mais atenção ao filho. Nessa relação cada um tem um papel individual importantíssimo e insubstituível. O filho precisa ter a atenção de um e de outro individualmente e em conjunto. Mas precisa de atenção verdadeira, ou seja, que seja mostrado interesse real pelo que ele faz, pelos seus estudos, pelos assuntos que está pesquisando e pelas suas próprias conclusões.
Uma criança ou um adolescente que escreve um texto e não percebe interesse de ninguém pelo que escreveu, começa a ficar desgostoso com seus estudos e pode entrar no processo do desânimo de que estamos tratando.
Assistir telejornais na companhia do filho para discutir assuntos do momento e que podem estar relacionados aos assuntos estudados na escola é uma das formas de reduzir e até evitar esse desânimo.
Dedicar-se a ler a produção diária de seu filho, não para confirmar se foi feito alguma coisa, mas para elogiar suas ideias e sugerir novos questionamentos aos mesmos fatos, é a melhor forma de “vaciná-lo” contra desânimos. Assim você também estará garantindo o seu sucesso.
Em nossa escola você ainda tem a possibilidade de fazer todo esse acompanhamento mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, já que esse contato pode ser feito diariamente pela internet, através do acesso ao BLOG individual de seu filho.
Agora os professores:
Só mesmo alunos muito bem resolvidos em sua vida pessoal e familiar podem conseguir ficar em uma sala de aula ouvindo um professor tagarelar o tempo todo, mesmo que o assunto seja interessante!
Mesmo assim se esses alunos não tiverem capacidade intelectual acima da média, já que para esses a inquietação é imediata e o sentimento de estar “perdendo tempo” pode fazer aparecer toda a sintomatologia de um aluno mal educado, desanimado, hiperativo e tudo o mais.
Uma aula precisa, antes de tudo, ter objetivos mais realistas e menos teóricos. O importante da aula não é o assunto a ser “dado”, mas a forma de entusiasmar cada aluno, na sua individualidade, pela matéria, pelo assunto, pela pesquisa e pelo questionamento sobre o tema do dia.
O ponto básico da aula é o uso de todos os minutos reservados para essa aula, sem “espaços vazios”! Espaços criam expectativas e ansiedades, a princípio, e desânimos perigosos, mais tarde. Os alunos devem sentir que estão sendo úteis para consigo mesmo, durante todo o tempo da aula. Deixá-los “à vontade” não os deixa à vontade. Cria-se uma insatisfação por perda de tempo. Eles podem até “achar” que estão gostando desse momento do nada fazer, mas sentem a “perda de tempo” e começam a ficar inquietos e estressados. O tempo parece demorar mais a passar e a campainha de final de aula fica sendo aguardada com mais ansiedade do que nunca!
Por isso que o planejamento da aula deve prever vários tipos de atividades, principalmente debates em grupo logo após o assunto do dia ter sido explanado, incluindo aí tarefas extras para quem terminar um teste antes dos outros. Um aluno não consegue ficar quieto em sala se não tiver algo importante e útil para fazer.
Visto o ponto básico do uso de todos os minutos, vamos ao entusiasmo do aluno.
Conseguir entusiasmar a todos com a mesma forma metodológica é praticamente impossível. Cada aluno reage de uma forma diferente a depender de suas características próprias.
E a única forma deles expressarem suas características e assim descobrirmos a forma de alcançá-los é deixando-os livres para trabalhar individualmente ou em grupo, assim que o tema principal da aula tiver sido apresentado. A partir desse momento o professor, passeando pelos grupos, começa a procurar entender as características dos indivíduos e dos grupos, podendo adaptar suas metodologias e conseguir melhores resultados.
Querer ensinar o assunto do programa sem procurar descobrir o que cada aluno pode aprender e de que forma ele conseguirá se entusiasmar, é desperdício de tempo e serve apenas para criar um sentimento de incompetência no professor, criando estresse e provocando descontrole emocional e intolerância. Comenius já dizia isso desde antes da didática ser criada no mundo: “Age idiotamente aquele que pretende ensinar aos alunos não quanto eles podem aprender, mas quanto ele próprio deseja” (Comenius, século XVII, na Didacta Magna)
Se cada professor observar esses dois detalhes em suas aulas e se todos os pais passarem a demonstrar interesse pelos assuntos estudados pelos filhos, não haverá alunos desanimados, não haverá médias baixas e não haverá reprovações.
Somos nós os responsáveis pelo desânimo ou pelo entusiasmo dos nossos filhos e alunos. Então está em nossas mãos essa mudança! Mas precisamos todos agir independente do outro estar fazendo ou não a sua parte!